Assédio não é elogio

Seja em casa, no trabalho, escola, faculdade, na rua, no transporte público ou na internet, o assédio sexual insiste em marcar presença. Infelizmente, da infância e adolescência à vida adulta, as mulheres são perseguidas pelo fiu-fiu e por comportamentos abusivos e constrangedores o tempo todo. É preciso estar atenta mana, isso é violência. É assédio. 

As mulheres mais jovens são as que mais sofrem assédio. Das manas com idade entre 16 e 24 anos, 66,1% afirmaram já terem sofrido algum tipo de situação indesejada de característica sexual em 2019. Esses dados são da pesquisa “Visível e Invisível: a vitimização de mulheres no Brasil” do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e do Instituto Datafolha.

É nítida a diferença entre elogio e assédio. “Se uma pessoa está andando na rua e ouve um assovio ou um “ô, gostosa!”,  isso não é elogio” diz Keka Bagno, feminista negra, assistente social e mestra em políticas públicas pela Universidade de Brasília (UnB). Keka, que atua no enfrentamento à violência sexual contra crianças, adolescentes e mulheres, conta que é fundamental analisar toda e qualquer situação de incômodo.  Ela orienta  algumas perguntas a serem feitas para diferenciar assédio de elogio. É preciso sempre refletir:

  • Esse elogio foi prazeroso?
  • Qual é o tom do elogio que você está recebendo?
  • É sempre no sentido sexual?
  • Qual sentimento causou?
  • É de fato um elogio? 
  • Você se sentiu assediada?

Segundo Keka, se o que você ouviu consegue enaltecer de outras formas, não te agredindo e não falando só do seu corpo, talvez a fala possa ser realmente um elogio, mas é preciso estar ligada. Só quem pode dizer o que é ou não elogio é a mulher que recebeu o comentário, diz a assistente social. 

 “Os homens acreditam que é um direito deles avaliar as mulheres física e moralmente”, complementa Valeska Maria Zanello, professora e especialista sobre assédio contra as mulheres pela Universidade de Brasília (UnB). “A lógica que é problemática. A gente vê a evidência disso quando o elogio inverso não acontece. E não quer dizer que as mulheres não julgam, não pensem, não desejem”, explica a professora. “Saber quando se tem uma abertura e o mínimo de intimidade para um elogio são pontos importantes, mas os homens não pensam nisso”, diz. 

Sinais de assédio O assédio sexual não está somente na forma física, mas também na forma verbal e pode causar danos psicológicos. Conforme explicou Keka Bagno, se traz o sentimento de vergonha e culpa sobre seu próprio corpo, é sinal que o assédio  está acontecendo.  Ela também explicou como identificar o assédio:
  • Tudo que desrespeita seu corpo ou a sua moral;
  • Falas ou comportamentos que sexualizem seu corpo por alguém que você não conheça (ou mesmo que conheça, mas que venha de maneira invasiva);
  • Tudo que causa incômodo. Que Faz você se sentir invadida.

Manas negras são mais assediadas 

É importante também falar sobre quais são as mulheres que mais são assediadas. 

Valeska Zanello e Keka Bagno afirmam que as manas negras são historicamente tratadas como objetos sexuais. Além do machismo, o racismo também se apresenta forte na estrutura desse conjunto de violências contra a mulher. 

A pesquisa Visível e Invisível, sobre violência de gênero, observou que as mulheres que se autodeclararam pretas afirmaram ter sofrido mais assédio (40,5%) em comparação com as mulheres brancas (34,9%). Essa diferença é um pouco menor em relação ao que foi reportado na pesquisa de 2017, quando essa proporção foi de 47,5% contra 34,9%, respectivamente, mas ainda assim mostrando para maior vulnerabilidade das mulheres negras aos eventos de assédio.

Garotas, é muito importante estarem atentas contra qualquer tentativa de perseguição, insistência,  sugestão ou pretensão que desrespeite o seu corpo ou o de outra pessoa. O assédio sexual não é paquera, muito menos elogio.

O que fazer em uma situação de assédio?
  • Ouvir e entender a vítima, escuta ativa sem nenhuma lógica de culpá-la;
  • Não achar que é “mimimi”;
  • Procurar serviços públicos que possam atender a vítima da melhor maneira possível (centros de atendimento a mulheres, delegacias, Polícia Militar, Centro de assistência social e centros de saúde que também tem políticas de atendimento para as mulheres)
  • Sempre denúnciar quando você for violentada: Ligue 180 ou Disque 100, caso precise de uma intervenção no momento que acontecer, ligue para a Polícia Militar no número 190.

Infecções Sexualmente Transmissíveis existem! Prevenção é o caminho

O autoconhecimento pode ajudar a prevenir além de identificar a presença de IST no corpo. A saúde da mulher pode ser protegida por meio de ações simples

Para algumas pessoas, as Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) podem parecer distantes e irreais. Mas não se engane: elas existem e, segundo os dados mais recentes, estão se espalhando com uma grande frequência. A proteção durante o ato sexual é uma medida simples que protege de diversas infecções. Além disso, é preciso se informar! Será que você sabe como identificar os sintomas de uma IST e, principalmente, como se prevenir?

As principais IST no Brasil

No nosso país, segundo a FEBRASGO (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia), casos como os de HIV, vírus que causa a aids, e do Papilomavírus, que causa o câncer do colo do útero, por exemplo, têm aumentado, e muito disso é por falta de prevenção e de diagnóstico.

Segundo dados do Governo Federal, algumas doenças têm aparecido de forma recorrente no Brasil, e muitas delas, por desinformação e falta de prevenção correta. Principalmente entre os jovens! São elas: 

HIV

O  HIV é o vírus que pode fazer com que a aids se desenvolva no organismo do seu portador. A aids é uma doença que por muito tempo foi considerada letal. 

Agora, ela tem tratamento, que deve ser iniciado imediatamente após a descoberta.

O fato de ser soropositivo – ou seja, ter contraído o vírus – não significa que a pessoa tenha aids. A doença pode ou não se desenvolver. O tratamento contribui para a redução da carga viral que, em alguns casos, pode ficar indetectável.

Nos casos em que a aids se desenvolve no organismo, a terapia retroviral é fundamental para lidar com suas consequências (como as infecções que aparecem porque o sistema imunológico está debilitado), mas ainda não existe cura! Mulheres grávidas têm 20% de chances de passar a doença para o feto, quando não tratadas. A porcentagem cai para 1% quando há tratamento.

O mais alarmante é que a IST está recorrente em pessoas jovens, por volta dos 19 anos.

HPV

O Papilomavírus Humano pode causar câncer, principalmente no colo do útero, sendo mais agressivo em pessoas com baixa imunidade e em gestantes. Verrugas, coceira e lesões no ânus, vagina, vulva, colo do útero, garganta e boca são alguns dos sintomas. Existem mais de 200 tipos de HPV.

Segundo relata o Estudo Epidemiológico sobre a Prevalência Nacional de Infecção pelo HPV, em teste feito com 7.856 pessoas, 54,6% foram identificadas com o vírus do HPV, e 38,4% estavam propensas a desenvolver câncer.

Sífilis

A sífilis é uma doença que pode se desenvolver silenciosamente. Um dos possíveis sintomas é o aparecimento de feridas ou pequenos caroços nos órgãos genitais, que podem sumir com o tempo. Isso não significa que a infecção chegou ao fim: ela pode continuar no organismo mesmo sem sintomas. Cegueira, paralisia, danos ao cérebro, e até morte podem ser causados por ela.

O tratamento, geralmente feito com antibióticos, também é fundamental quando falamos em gravidez. Quando não tratada adequadamente durante a gestação, a sífilis também pode ser transmitida ao feto, de forma que a criança pode nascer com sífilis congênita. Os sintomas podem aparecer nos primeiros meses de vida ou no segundo ano de vida. Por isso, é preciso buscar orientação médica. 

Gonorreia e Clamídia

A gonorreia, por exemplo, é a IST mais comum no mundo e tem se tornado cada vez mais difícil de ser curada. Isso porque, por ser uma bactéria, ela começou a ficar resistente a medicamentos. E um dos principais motivos é a falta de prevenção, a falta de uso de preservativos (camisinha masculina ou camisinha feminina).

Tanto a Gonorreia quanto a Sífilis atacam os órgãos genitais, tanto masculino quanto feminino, provocando dor durante o sexo, podendo comprometer, também, a possibilidade de ter filhos. As partes do corpo que podem ser afetadas pela Gonorreia são, principalmente, colo do útero, reto, garganta e olhos. No caso da Clamídia, mais comum entre jovens e adolescentes, os principais sintomas são ardor na hora de urinar e corrimento.

Como identificar sintomas de IST

Os sintomas das IST podem manifestar-se em momentos diferentes e de formas distintas em cada organismo, por isso, é importante que você possa reconhecer: 

Adotando esses hábitos em sua rotina, é possível ficar mais alerta e saber identificar possíveis alterações. Mas, é muito importante se prevenir com contraceptivos de barreira. A camisinha é o método mais eficaz para não contrair IST por meio de relações sexuais.

Para saber mais sobre IST e como agem no seu organismo, veja: Aparelho Reprodutor Feminino: como protegê-lo das ISTs

A campanha Ela Decide é sobre empoderar-se do próprio corpo, conhecer os seus direitos sexuais e reprodutivos e ter autonomia sobre o seu próprio prazer, o que envolve também o sexo seguro.

Prevenir-se é a maior prova de autoestima que você pode dar a si mesma. Compartilhe essas informações com suas amigas e familiares, elas podem ter as mesmas dúvidas que você. 

 

Linkgrafia

https://www.febrasgo.org.br/pt/noticias/item/565-numero-de-infeccoes-sexualmente-transmissiveis-ist-aumenta

https://www.bbc.com/portuguese/geral-47250839

https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/saude/infeccoes-sexualmente-transmissiveis-as-4-enfermidades-que-preocupam-os-especialistas,b1de26f5690defec1caf497066449349ko4nufaw.html

https://ponte.org/ginecologistas-nao-sabem-lidar-com-mulheres-lesbicas-e-bissexuais-aponta-livro/https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/ciencia-e-saude/2018/12/13/interna_ciencia_saude,725222/sifilis-volta-a-ser-uma-epidemia-no-brasil-e-preocupa-especialistas.shtml