Os mitos sobre métodos contraceptivos e como evitar uma gravidez

Hoje existem muitas formas de evitar uma gravidez não planejada, mas as opções de anticoncepcionais são tantas – e algumas pouco divulgadas – que ainda existem muitas dúvidas em torno dos métodos contraceptivos. Já ouviu falar que a pílula anticoncepcional causa infertilidade na mulher? Ou que o preservativo feminino é menos seguro que o masculino? São mitos sobre anticoncepcionais que acabam impedindo que tenhamos informações adequadas e uma vida sexual segura.

As mulheres adolescentes são as que mais têm chances de engravidar nas primeiras relações, seja pela falta de familiaridade com as formas de contracepção, seja pela falta de acesso a métodos contraceptivos, por medo que descubram que elas têm vida sexual ativa, entre outros inúmeros motivos.

Por isso, é direito de toda mulher ter acesso a informações, serviços, insumos e outras condições que lhe permita decidir de forma livre e informada quando engravidar. Também é seu direito poder escolher o melhor método contraceptivo para ela de forma saudável, consciente e sem achismos.

Quais são os anticoncepcionais mais usados?

Hoje as formas de contraceptivos disponíveis no mercado podem ser divididas como:

Métodos de barreira (que criam um bloqueio físico ou químico entre esperma e útero): Preservativo masculino e feminino, diafragma, esponja contraceptiva, espermicida

Métodos hormonais (que influenciam o ciclo menstrual com hormônios femininos): Pílula anticoncepcional, minipílula, injeção anticoncepcional, anel vaginal, adesivo anticoncepcional, implante anticoncepcional,  pílula do dia seguinte

Anticoncepcionais intrauterinos (aplicados dentro do útero): DIU de cobre e hormonal

Métodos permanentes (cirurgias de esterilização): Ligadura das trompas ou vasectomia masculina

O que toda mulher precisa saber é que o método contraceptivo ideal é aquele que se adequa ao seu corpo e estilo de vida. Por exemplo, se você pratica atividades frequentes na praia ou na piscina, talvez o adesivo anticoncepcional não seja a melhor opção para você. Ou se você sente dores de cabeça, remédios com alta dosagem de hormônios podem, em alguns casos, gerar incômodo.

Mitos e verdades sobre os anticoncepcionais

Às vezes escutamos muitas histórias sobre métodos contraceptivos que só causam confusão na hora de decidir como evitar uma gravidez. Que tal acabar com essas dúvidas? Reunimos as principais delas, mas também recomendamos que você vá a um ou uma ginecologista para que possa entender o que é melhor para o seu corpo, ok?

Mito Verdade
Tomar pílula anticoncepcional por muito tempo deixa a mulher infértil. A pílula não prejudica a mulher que quer engravidar.
A pílula pode perder o efeito com os anos. Se a pílula é devidamente registrada pela ANVISA, está condicionada em local adequado e é ingerida corretamente, ela deverá ser segura, com chances de levar a uma gravidez não planejada de apenas 0,3%.
O DIU pode provocar aborto. O DIU (Dispositivo Intra-Uterino) é um dos métodos anticoncepcionais mais seguros e mais usados no mundo. Seus efeitos duram cerca de 10 anos. Ao contrário do que se diz, ele não é abortivo. Ele é um método contraceptivo que, por sua presença física e efeitos no útero, impede o encontro do óvulo com o espermatozoide. Ou seja, o DIU age antes do processo de fecundação do óvulo.
Só com a pílula anticoncepcional já estou protegida, não preciso de camisinha. A função da pílula é evitar a gravidez. Para se prevenir de infecções sexualmente transmissíveis, a camisinha é fundamental.
Não uso DIU, pois tenho medo de desenvolver gravidez fora do útero. Pelo contrário, o DIU hormonal ajuda a reduzir o risco de gravidez extra uterina.
Se o meu parceiro ejacular fora da vagina, não tenho como engravidar. Acreditar nisso é furada na certa! Mesmo com coito interrompido, é possível engravidar, pois o líquido que antecede a ejaculação contém espermatozoides.
Mesmo se eu esquecer de me prevenir, é só usar a pílula do dia seguinte depois. Essa solução só deve ser usada em casos de emergência Sua ação varia de acordo com o ciclo menstrual, impedindo ou retardando a ovulação, impedindo ou dificultando a migração sustentada dos espermatozoides no trato genital feminino até as trompas em direção ao óvulo.
Não preciso de nenhum anticoncepcional, a tabelinha dá conta do recado. A tabelinha é um método pouco confiável, justamente por ter um elevado grau de falhas. Isto porque nenhum ciclo menstrual é totalmente e você pode acabar perdendo o período certo da sua ovulação. Se isso acontecer, você tem grandes chances de engravidar depois de uma relação sexual sem proteção.
A minipílula, por ser menor, é menos eficaz. A única diferença dela para a pílula anticoncepcional normal é a presença apenas de progesterona (sem o estrogênio). Mas a proteção é a mesma.
Apenas mulheres adultas podem usar pílula anticoncepcional. Não existe idade certa para começar a tomar pílula. A indicação, no geral, é que no início você comece com uma dosagem mais baixa de hormônios, para avaliar como o corpo se adapta ao medicamento. É fundamental que um ou uma profissional de saúde qualificado avalie se este é o método mais indicado para você.
Se eu estiver amamentando, não tenho como engravidar. O mais indicado é que o preservativo ou outro método indicado por seu ou sua ginecologista seja usado mesmo nas relações sexuais em que a mulher estiver de resguardo, pois há a possibilidade de uma nova gravidez.
Tendo orgasmo, a mulher não engravida. Não há nenhuma relação entre o orgasmo e a gravidez.
Pílula anticoncepcional engorda. A alteração de peso com o uso da pílula não é uma regra.Alguns anticoncepcionais podem causar retenção de líquido no corpo da mulher. Isso, combinado a hábitos alimentares pouco saudáveis, estresse e ansiedade, pode contribuir para o aumento de peso. Por isso a recomendação é usar a pílula anticoncepcional sempre com acompanhamento médico para que ele possa identificar possíveis efeitos colaterais e indicar outras opções, se necessário.

Você tem o direito de escolher o seu método contraceptivo 

Nem sempre é possível encontrar um método contraceptivo que seja ao mesmo tempo fácil de usar, altamente eficaz e com poucos efeitos colaterais. Mas descobrir o método contraceptivo mais indicado a você é importante não só para evitar a gravidez, mas também para que você se sinta à vontade para ter uma vida sexual livre e segura. Por isso, a visita a um ou uma ginecologista é fundamental e está disponível mesmo no Sistema Único de Saúde (SUS). Verifique qual a unidade do SUS mais perto do seu local de moradia que tenha esse atendimento.

Antes de decidir o seu método contraceptivo, vale refletir sobre algumas perguntas como:

  • Eu tenho uma vida sexual ativa?
  • Quero engravidar em breve?
  • Tenho disciplina para me medicar todo dia?
  • O custo do contraceptivo pode ser um problema para mim?
  • Consigo buscar o meu método contraceptivo no SUS?

Para fazer a melhor escolha, o ideal é conversar com profissionais de saúde que possam te apresentar todos os benefícios, riscos e contraindicações de cada método.

Você não está sozinha! Converse, pergunte e decida.

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