Com prevenção tudo fica melhor

Ter uma vida sexual ativa e saudável  inclui  o respeito ao próprio corpo, desejos e vontades.  É muito importante pensar na prevenção ao decidir levar uma vida sexualmente ativa. “Ter uma vida sexual que dá felicidade para você e sua parceira ou seu parceiro, é também pensar em relações sexuais que tenham proteção” afirma Keka Bagno, feminista negra, assistente social e mestra em políticas públicas (UnB). 

Keka, que atua na defesa de direitos seuxais e reprodutivos das mulheres, conta que além de escolher um local seguro, é importante fazer sexo com alguém que tenha empatia sexual, física e/ou sentimental. E que essa pessoa tenha também respeito aos métodos de segurança da sua saúde sexual. 

A prevenção a Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) sempre será uma pauta importante. Não importa idade, estado civil, classe social, identidade de gênero, orientação sexual, credo, posição política ou religião. A pessoa pode estar visivelmente bem, mas pode estar infectada por uma IST.  

É muito importante que você esteja atenta, proteja a sua saúde. É também que disso sempre seja discutido com o parceiro ou parceira. É uma responsabilidade de ambos, todas e todos precisam se cuidar e a co-responsabilidade dos garotos, dos rapazes não deve ser deixada de lado. Então, se você está mantendo uma relação com um boy, fica a dica.

Você já deve ter ouvido e lido muito, mas repetir nunca é demais: a camisinha (preservativo) deve ser usada em todas as relações sexuais. Existem também outras ações de prevenção, redução de danos, diagnóstico e tratamento. E é sempre bom conhecer. 

FIQUE LIGADA

O que são ISTs? As Infecções Sexualmente Transmissíveis, como o próprio nome já diz, são infecções, que podem inclusive gerar doenças, transmitidas por meio de relações sexuais. Podem ou não apresentar sintomas no seu corpitcho: coceiras, corrimento, verrugas, bolhas, feridas, ínguas. Por isso, fique esperta, se apresentar qualquer sintoma desse, procure o serviço de saúde o mais rápido possível. 

Como se pega IST? Por meio de transa desprotegida, em qualquer formato, viu? Sexo oral, anal, vaginal. Na gravidez também pode ocorrer a transmissão para o bebê na gestação, parto ou na amamentação. Fique atenta!

Como agir em caso de suspeita de IST? Procurar o serviço de saúde para diagnosticar, orientar e realizar qualquer tratamento correto e comunicar seu parceiro ou parceira sexual.  

Para mais informações, você pode acessar o site do Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis do MINISTÉRIO DA SAÚDE 

FIQUE DE OLHO NO HPV, MANAS

O papilomavírus humano (HPV) é um grupo de vírus muito comum no mundo de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).  Oito em cada dez mulheres já contraíram ou irão contrair HPV em algum momento de suas vidas de acordo com a OMS. A prevenção se torna ainda mais indispensável pelo fato de que quase todos os casos de câncer do colo do útero podem ser atribuídos à infecção pelo HPV.

Existem duas classes de HPV de acordo com Dra. Carolina Ambrogini, ginecologista especializada em sexualidade feminina. “Os de alto risco que aumentam o risco de câncer de colo e útero, esses não dão sintomas nenhum, são invisíveis. E os de baixo risco, que dão as verrugas genitais”, conta a médica ginecologista.

Pelo sexo oral também é possível contrair HPV segundo a Dra. Carolina. Pode infectar a garganta, se alojar em várias partes da boca e ser uma doença silenciosa. Por isso é muito importante sempre realizar exames e acompanhar sua saúde.

ATENÇÃO: existem várias outras ISTs como sífilis, herpes, hepatites, HIV, por exemplo, fiquem ligadas!

 

DICAS DE PREVENÇÃO

Conversamos com a ginecologista Dra. Carolina Ambrogini e ela deu algumas orientações e dicas para se cuidar na hora do prazer:

  • Camisinha sempre, gente! Do início ao final, não apenas na hora de gozar. E troque se for fazer sexo anal;
  • A camisinha pode ser retirada gratuitamente nas unidades de saúde;
  • Sempre garantir a higiene das mãos, unhas e genitais;
  • Se for usar acessórios sexuais, use camisinha e troque quando for utilizar na pessoa parceira; 
  • No sexo oral vaginal, é recomendado o uso de filme plástico. Coloque-o sobre a sua vagina e o clítoris ou da sua parceira. Existe também a barreira de contenção, que seria uma camisinha cortada e aberta (estranho, mas é a recomendação até que inventem algo mais adequado);
  • Não use peças íntimas de outras pessoas, principalmente se tiver algum problema de saúde;
  • Conte sua orientação sexual na consulta no serviço de saúde, existe o sigilo médico-paciente, não precisa se preocupar;
  • Em caso de dúvidas, procurem profissionais de saúde especializados e especializadas. Cuidem-se garotas!

DIVERSIDADE AINDA DESLOCADA

Conversamos também com a Silvia Bandim, professora em Saúde Coletiva na Universidade de Brasília (UnB)  e ela contou  que para mulheres lésbicas e bissexuais a saúde sexual ainda é bastante negligenciada. “Mulheres lésbicas têm menos acesso a exames preventivos, porque não são consideradas pessoas que fazem sexo, já que não existe biologicamente um pênis na relação”, conta Bandim. 

“Até hoje não temos preservativos adequados a essas mulheres”, diz Bandim. Também falta informação sobre as ISTs que podem ser transmitidas nessas relações. “Lésbicas vão ao ginecologistas e ainda saem sem uma orientação adequada sobre como se prevenir”, explica a professora. Ela diz que existem poucas iniciativas de coletivos para tratar do assunto, mas ainda são insuficientes. Por isso a necessidade de pautar a diversidade nos debates sobre saúde sexual e reprodutiva nas políticas públicas para que toda forma de amor esteja contemplada.

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