Empoderamento feminino e representatividade da mulher negra em debate do Rio

O evento reuniu cerca de 100 pessoas no auditório do Instituto de Arquitetos do Brasil, no Rio de Janeiro (Foto: UNFPA Brasil/Thais Ellen)

Nesta terça (20), Dia da Consciência Negra, a campanha Ela Decide discutiu empoderamento feminino, mercado de trabalho e oportunidades, especialmente para mulheres negras. O evento “Um diálogo entre Brasil e Noruega: o impacto dos debates sobre empoderamento feminino e racial na sociedade” foi realizado pelo Consulado Geral da Noruega e Innovation Norway, com o apoio do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), e reuniu cerca de 100 pessoas no auditório do Instituto de Arquitetos do Brasil, no Rio de Janeiro.

O painel, mediado por Isadora Harvey, assistente de programa do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) no Brasil, contou com a presença de Thereza Moreno, diretora financeira e presidente interina da Prudential Brasil, Luciana Costa, gerente de recursos humanos da empresa norueguesa DNV GL, e a youtuber e apoiadora da campanha Ela Decide Seu Presente e Seu Futuro, Gabi Oliveira, do canal DePretas.

De acordo com as participantes do debate, a dificuldade para ingressar e terminar o ensino superior é um desafio posto pelo racismo estrutural vivenciado pelas mulheres negras. E isso reflete também nas seleções para vagas de emprego e na própria atuação profissional.

Segundo Thereza Moreno, as mulheres negras ainda se encontram subrepresentadas dentro de grandes empresas e em cargos de chefia. Para ela, é importante modificar a realidade investindo na diversidade, tanto de gênero quanto racial. “Ter diversidade, tanto de cor e etnia quanto de gênero, em um ambiente de trabalho cria uma atmosfera mais saudável onde os valores vivenciados dentro da corporação podem ser difundidos para a vida pessoal e social dessas pessoas”, disse.

Thereza tem 49 anos e uma filha e um filho. Para chegar ao nível profissional que ela alcançou, o intervalo entre uma criança e outra foi de sete anos. “No mundo do trabalho, a gente precisa fazer escolhas, como tudo na vida. Eu escolhi adiar a maternidade para me dedicar ao trabalho, mas muitas mulheres não têm essa possibilidade, por isso as empresas devem abraça-las”, destaca.

Para Luciana Costa, um mercado de trabalho mais inclusivo depende da busca efetiva por profissionais negras. Ela afirmou que oferecer oportunidade para que as mulheres negras desenvolvam seu pleno potencial passa pelo interesse de quem contrata. “Eu creio que os processos de recrutamento devem ser revistos pelas empresas, pois quando uma pessoa é negra, ela necessita ser muito mais qualificada. Isso gera uma distinção na equipe”, ressaltou.

No Brasil, as mulheres tendem a estudar mais que os homens. Em 2016, entre as pessoas com 25 anos ou mais que terminaram o ensino superior, 21,5% eram mulheres e 15,6% homens, segundo o IBGE. No entanto, a porcentagem de mulheres brancas com o ensino superior completo é 2,3 vezes maior que as mulheres negras. Para Gabi Oliveira, as questões de gênero não podem ser desvinculadas das questões raciais. “Quando a gente pensa sobre essas diferenças sociais e na evolução as pautas feministas, precisamos pensar onde se encaixam as mulheres negras, porque nós nunca vamos chegar à igualdade se a negritude estiver sempre atrás.

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