Você sabe o que é assédio e como identificá-lo?

As estatísticas de assédio sexual no Brasil só crescem; conhecer os tipos de assédio contra a mulher é fundamental para saber agir. 

Pode parecer um elogio ou simples paquera, mas os assobios, olhares invasivos e comentários com teor sexual que te deixam desconfortável se tratam de assédio. Esse comportamento, quando não consentido pela mulher, pode ser considerado ofensivo, além de um problema grave.

Não há um padrão ou momento específico para o assédio contra a mulher acontecer. Qualquer investida que você considere desrespeitosa e seja feita sem a sua permissão, seja no trabalho, na escola, faculdade, na rua ou em casa é inaceitável e configura uma violência. Lembre-se que se a atitude de outra pessoa fere a sua liberdade de escolha, a culpa disso nunca será sua.

Precisar de vagões femininos nos transportes públicos, mudar de calçada ou de trajeto no dia a dia e deixar de sair sozinha à noite não deveria ser algo normal. Essas são medidas emergenciais de proteção. Assédio sexual é crime!

Como sei o que é assédio?

Todas as abordagens que vão além do limite permitido por você e causam desconforto, vergonha ou intimidação são tipos de assédio. O que diferencia essa prática de uma relação de intimidade é o seu consentimento. Qualquer que seja o ambiente, fique sempre atenta a comportamentos como:

  • Conversas ou piadas obscenas a seu respeito e que você ache inapropriadas;
  • Se alguém que não tem intimidade lhe envia e-mails, mensagens, ou faz ligações com teor sexual;
  • Assovios, sons inapropriados, insultos ou gestos intimidadores direcionados a você;
  • Pedidos de favores sexuais em troca de benefícios;
  • Ser avaliada apenas pelos atributos físicos ou ouvir comentários desrespeitosos sobre como se veste;
  • Convites constantes para saídas, mesmo que você afirme que não tem interesse;
  • Olhares ofensivos ou constrangedores;
  • Violação da sua intimidade e vida sexual;
  • Perseguições tanto presenciais quanto no ambiente virtual;
  • Exposição ou reprodução de imagens íntimas suas sem a sua permissão;
  • Toques não permitidos por você, e que te deixem desconfortável.

O assédio não acontece apenas quando há a violência física. Perseguir uma pessoa, coagir e induzi-la a fazer o que não deseja é uma forma de violência psicológica, também caracterizada como comportamento ofensivo.

Saiba reconhecer uma relação sexualmente abusiva

Um exemplo clássico de assédio é quando uma mulher é levada a oferecer favores sexuais em troca de cargos e promoção no trabalho ou aumento de notas na escola ou faculdade. Essa coerção pode acontecer com mais insistência ou de forma rápida, por meio de toques ou violação e abuso sexual.

A internet está aí para nos mostrar alguns exemplos: a onda de denúncias de atrizes e profissionais de Hollywood expondo os assédios provocados por seus patrões e colegas de trabalho; os vídeos que viralizaram de torcedores brasileiros constrangendo mulheres durante a Copa do Mundo na Rússia; o movimento de mulheres jornalistas pedindo o basta do assédio que sofrem no trabalho; entre outros casos que ganharam visibilidade nas redes sociais.

Há também aquele assédio que ninguém vê e acontece dentro da própria casa. O assediador muitas vezes é alguém da própria família. É importante lembrar que ‘não é não’, mesmo para o marido ou companheiro, e atitudes abusivas ou forçadas contra a sua vontade devem ser pontuadas e reprimidas.

O que fazer quando as relações passam dos limites?

É importante considerar que casos de assédio, inclusive aqueles considerados mais leves, podem representar o início de atitudes mais graves, como  perseguição e agressão. Comportamentos abusivos nunca são normais e devem ser tratados como inaceitáveis. Em primeiro lugar, considere compartilhar o que está acontecendo com outras pessoas pois elas podem servir como uma rede de apoio para evitar novos episódios de assédio ou para evitar que ele ganhe maiores proporções.

Qualquer mulher assediada sexualmente pode registrar boletim de ocorrência em uma delegacia de polícia, preferencialmente na Delegacia da Mulher. Em casos de assédio no trabalho, escola ou faculdade, reúna as evidências e procure um superior imediato. Caso prefira, vá diretamente à área de Recursos Humanos ou à Coordenação da instituição de ensino. A maioria das empresas possui também o canal de Ouvidoria (ou Ombudsman) que recebe e trata denúncias de assédio e abuso de poder.

Qualquer que seja o caso de assédio, sexual ou psicológico, não se cale! Agir é o melhor caminho para a prevenção. #Eladecide

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