Agora que sou mãe, deixo de ser livre?

Uma das grandes questões de ser mãe é: 

“Algum dia vou poder voltar a sair?” 

Calma, vem que a gente te dá umas dicas! =)

Olha, a maternidade não torna a mulher um ser de outro mundo. Ela continua sendo um ser humano, com vontades, erros e acertos. Beleza? Então, se você tá vivendo essa montanha russa que é a maternidade, relaxa, vai dar tudo certo e você vai voltar a se reconhecer. Você não está sozinha!  

Mas a maternidade diminui a libido da mulher?

Mesmo com tudo que gira em torno da vida da mulher que se torna mãe,  isso não diminui sua vida sexual. Mas, se rolar falta de libido, procure uma ginecologista e veja o que está acontecendo! Pode ser só uma fase, né? Afinal, a vida não é uma linha reta. Mas é MUITO importante que você fique ligada aos sinais do seu corpo, das suas emoções, da sua psiquê. Beleza?

A maternidade é trabalhosa, mesmo quando as responsabilidades são divididas com o/a parceiro/a e se tem uma rede de apoio. Então, é natural bater um cansaço mesmo. 

#Dicadaamiga: separe uns minutinhos para relaxar

Às vezes, esvaziar os pensamentos e conectar-se consigo mesma é o melhor a fazer.  Que tal acordar uns minutinhos mais cedo ou no horário de almoço. Relaxe e faça isso por você! Seu corpo agradecerá! =)

Mãe também tem vida social!

Quando uma mãe está curtindo uma festa, um baile ou até um cineminha, é comum as pessoas  perguntarem: “ué, cadê o filho?”. Isso não acontece com a mesma frequência para os homens que se tornam pais – a paternidade ativa continua não sendo observada em todos os casos e a cobrança social sobre os homens é bem menor. 

Ser mulher nos dias de hoje pode ser complicado, há cobranças que podem sobrecarregá-la. A gente já falou sobre isso aqui. 

Existe essa ideia de que, uma vez que vira mãe, a mulher passa a ser só isso. Que a sua vida inteira vai se resumir à criança e à maternidade. Isso é uma injustiça! É claro que é uma parte importante da vida, mas ela continua sendo uma pessoa com vários outros interesses. E está tudo bem querer falar e fazer um programa diferente! Isso, inclusive, até melhora o convívio com o filho e a filha e faz muito bem. 

Mas como juntar maternidade e vida social? Vamos lá:

#Dica 1:  tente agendar previamente um “vale night”, uma balada. Mande aquela mensagem marota para familiares próximos, amigos de confiança, perguntando se em tal data, algum deles pode ficar com o seu baby, pra você conseguir um tempinho pra si mesma

#Dica 2: tente separar uns minutinhos pra ficar sozinha. Podem ser uns minutinhos mesmo, 5, 6 minutos: seu filho tá dormindo? pode ser um bom momento para cuidar de si com mais calma. 

#Dica 3: converse com seu/sua parceiro/a sobre o sexo: o que você gosta, como estão as coisas depois da maternidade…enfim, deixe tudo às claras. 

#Dica 4: no SUS você pode encontrar psicólogos que podem acompanhar você, o que é muito importante.

Existe essa pressão social muito forte em torno das mulheres que se tornaram mães e enfrentar isso sem se anular é um desafio! Afinal, essa mãe é um ser humano, que precisa de vida social, o que é saudável, inclusive.

Cuidar de si é um ato de amor, resistência e força! Quer falar sobre isso? Fala com a gente. #ElaDecide

assedio mulher no brasil

A roupa que uma mulher veste pode ser um convite ao sexo?

O assédio sofrido por mulheres nas ruas e nos locais de trabalho é, muitas vezes, associado às roupas que elas usam. Até quando? 

 

O assédio sexual é uma abordagem grosseira, e não consentida, que a mulher pode sofrer nas ruas, na escola, nos transportes públicos, no local de trabalho, nas imediações de casa.  Para reconhecer o assédio é importante pensar primeiramente na conduta do assediador. O assédio: 

  • Coloca a mulher em posição de subordinação, por exemplo, quando o ato ocorre em troca de ‘favores sexuais’, como notas na escola, ou cargos mais altos no trabalho.
  • Expõe a mulher à ridicularização. Isso ocorre, por exemplo, o assediador insulta a mulher ao receber uma negativa às suas investidas.
  • Faz uma ameaça direta à integridade da mulher. Exemplo: ‘caso você não faça o que eu quero, eu vou fazer o que bem entender com você’. 

O que nos leva à pergunta: a conduta do assediador pode ser induzida pela roupa da mulher?

Não. Não importa como a mulher está vestida, ela nunca deve ser assediada. O assédio começa, muitas vezes, com uma agressão verbal, que pode vir a se tornar uma agressão física. Para que a mulher combata esse tipo de conduta, é necessário que ela reconheça quando está em situação de risco para que possa acionar as devidas medidas de proteção. Os recursos mais indicados são o 190, o posto policial mais próximo (caso a mulher esteja na rua), ou mesmo a delegacia para crimes contra a mulher.

Normatizar o vestuário não diz nada sobre a conduta da mulher

A mulher tem o direito de escolher o que quer vestir, sem que isso a exponha ao risco. A roupa é, muitas vezes, considerada o ‘causador’ de tamanho debate pelo fato de a mulher ser vista como provocante, ao escolher determinada peça de roupa no vestuário. No entanto, a objetificação do corpo da mulher brasileira, fala mais diretamente sobre essa relação entre a mulher, a roupa, e os pré-conceitos estabelecidos pela sociedade, do que a vestimenta em si. 

A classificação da mulher pelo seu tipo de roupa leva a diminuição desta à sua imagem externa, e coloca rótulos que carregam pré-conceitos há muito já debatidos, como ‘vai vestir uma roupa decente’, ‘roupa para chamar homem’, ‘isso é roupa de mulher da vida’, ou uma ‘roupa de mulher sem classe’. Todas essas são representações de um machismo enraizado.

 

O rótulo não deve existir: nem na roupa, nem na mulher.

Adequar a roupa à ocasião na qual vai ser usada é algo que a indústria da moda explora há muito tempo – é o chamado ‘dress code’, ou seja, um ‘código’, de como se vestir, em uma determinada situação. 

Mas, mesmo no mundo da moda, esses códigos são revisitados o tempo todo para melhor representar a mulher, o homem e os movimentos sociais, já que a Moda também é responsável por retratar o sentimento das gerações. Assim, não importa se a mulher vai usar vestidos ajustados ao corpo, decotes, saias com fendas: o que define a relação desta mulher com o seu próprio corpo, e em uma relação interpessoal, não o que ela está vestindo.

Quanto mais uma jovem, adolescente ou adulta, conhecer os seus direitos e como lidar com o seu corpo, e com as abordagens em relação ao sexo, mais ela vai desenvolver autonomia e segurança para estabelecer o seu espaço, e também os seus limites nas relações em sociedade. As roupas já têm os seus próprios rótulos, e um maior ou menor pedaço de tecido está muito longe de representar tudo o que uma mulher é por dentro, tampouco é um convite para o assédio. 

Saiba que o vestuário não foi, não é, nunca será um convite formal ao sexo. Quem decide quando, com quem e qual o melhor momento para manter uma relação sexual é você, independente do que você está vestindo. Qualquer conduta que seja contrária ao seu consentimento é assédio, denuncie. Está em suas mãos. #ElaDecide. 

Diálogo e informação, base para um desenvolvimento sexual saudável

Falar com filhos e filhas sobre sexo e sexualidade não estimula o sexo prematuro. Pelo contrário: a educação sexual ajuda no desenvolvimento sexual saudável de adolescentes

Ela se apresenta de maneira diferente para meninos e meninas, mas, para a maioria dos pais e mães, a chegada da puberdade vem igualmente cercada de algumas dúvidas e uma certa insegurança. Será que devo puxar uma conversa a respeito de sexo com minha filha ou espero que ela me pergunte alguma coisa? Se eu começar a falar sobre sexo com meu filho, estou estimulando uma prática sexual precoce? Essas e outras dúvidas refletem a apreensão e a dificuldade de muitos pais em lidar com o assunto.

Seja por meio da internet, televisão ou entre amigos e amigas, o fato é que adolescentes têm cada vez mais acesso a conteúdos sobre sexualidade e sexo e, independentemente da vontade da família, irão procurar informações que satisfaçam as próprias dúvidas e curiosidades. Portanto, o ideal é que mães e pais sejam a primeira fonte confiável a quem filhos e filhas recorram. Para isso, é necessário que estejam preparados para responder perguntas e tratem o tema com naturalidade.

A tarefa não é fácil. Dialogar com adolescentes exige habilidade e paciência, afinal, nesta fase da vida, eles e elas se fecham e deixam de compartilhar com os pais e as mães as experiências do dia a dia. Já não falam espontaneamente sobre o que aconteceu na escola ou quem são os novos amigos e amigas, por exemplo. Por isso, é muito importante que mães e pais busquem, desde a primeira infância, estabelecer uma relação de confiança com seus filhos, inclusive sobre a questão da sexualidade.

É claro que não existe um momento exato para familiarizar a criança com o assunto da sexualidade, cada um tem seu tempo. Mas sabe quando a criança de 3 ou 4 anos pergunta de onde ela veio, como um bebê é feito ou porque o corpo dela é diferente do corpo de um adulto? Eis aí uma oportunidade para acostumar a criança ao tema, sem que ela sinta que esteja falando de algo errado, sujo ou feio. Usar os nomes próprios dos órgãos genitais é um importante começo, pois do mesmo modo que é ensinado que o nome da cabeça é cabeça e que o do braço é braço, também pode-se ensinar o que é pênis ou vagina. Não é uma sugestão para que se introduza no universo da criança mais do que ela possa compreender; é uma maneira de habituar os filhos aos termos adequados, o que pode facilitar o diálogo a respeito de sexo quando for chegada a hora.

Por mais que alguns pais queiram retardar o momento de falar sobre sexo, é essencial transmitir aos jovens informações relativas a proteção, cuidado, higiene e intimidade. Explicar que o sexo é um ato humano e comum, que só deverá acontecer quando se sentirem preparados e preparadas, com a pessoa em quem confiem, de maneira segura e se prevenindo desde a primeira transa. Esclarecer que o corpo pertence a elas e a eles, e, portanto, suas vontades devem ser respeitadas e deve-se respeitar as vontades do parceiro ou parceira.

E tão importante quanto falar de sexo, é explicar sobre métodos contraceptivos, preservativos e relacionamentos abusivos. É se colocar como porto seguro para os filhos contarem se alguém cometeu algum tipo de violência contra eles. Sem uma comunicação honesta e respeitosa com seus filhos e filhas, eles não se sentirão seguros em falar com vocês quando estiverem passando por uma situação de abuso e violência. É por meio da informação que se pode colaborar para que adolescentes fiquem menos vulneráveis às gravidezes não planejadas, infecções sexualmente transmissíveis e violências sexuais, por exemplo.

Conversar sobre sexo e sexualidade não leva meninos e meninas à prática sexual. Uma vez que sintam que chegou o momento da primeira relação, elas e eles vão fazê-la, independente da vontade do pai ou da mãe. Deste modo, se estiverem bem informados e orientados, iniciarão a vida sexual de maneira saudável.

Dialogue com seus filhos e filhas. Vá além das suas próprias experiências.  Leia. Informe-se.

Você não está sozinha.

Gravidez também é responsabilidade de homem

O papel do homem na gestação vai além da concepção de um bebê e é fundamental para apoiar as mudanças vividas pela mulher.

Quando uma gravidez é anunciada, é normal que todas as atenções se voltem para a mãe. Afinal, é ela quem irá vivenciar, de uma só vez, as mudanças físicas e psicológicas significativas na sua vida. Mas gestação também é coisa de homem e a participação masculina na gravidez vai muito além do espermatozóide.

Na nossa cultura, ainda existe a ideia de que homens não precisam se envolver muito com a gestação. O pai acaba sendo colocado ou se colocando em segundo plano, quando deveria participar ativamente das transformações que acontecem com a mulher e com o próprio relacionamento durante a gestação.

No caso de muitas mães mais jovens, há ainda o medo de que o parceiro perca o interesse por ela. A ginecologista Carolina Ambrogini, em entrevista à Ela Decide, revelou: “O que às vezes acontece é que, com a gravidez e a chegada de um filho, há a deserotização do casal, que passa a viver em função da criança e se perde no papel de homem e mulher. Uma dica que dou, ainda mais quando os homens participam e é mais fácil falar abertamente sobre isso, é que eles mantenham a atividade sexual.”

Ainda que ocorra esse afastamento, é bom lembrar que ambos têm responsabilidade pela gestação iniciada. Ou seja, a participação do homem na gravidez faz a diferença. E isso pode acontecer de diversas formas, como:

  • Apoiar a mulher justamente no momento em que ela tende a estar mais sensível e passando por desconfortos físicos, demandas específicas daquela gravidez e tensões emocionais advindas dos desafios da gestação aliados às outras demandas da vida. Estar presente nas consultas e exames pré-natais, se informando sobre como ajudar a mãe a lidar com os desconfortos e mudanças da gestação.
  • Dividir responsabilidades, participando da divisão ou assumindo a maioria das tarefas domésticas. Assumindo também responsabilidades para a chegada do bebê, o que também proporciona à mãe mais tempo para cuidar de si mesma e retomar sua rotina com mais tranquilidade após a gestação.
  • Acompanhar as fases da gravidez de perto para criar um vínculo com a criança logo no início, o que naturalmente ajuda o pai a ser mais proativo nos cuidados com o bebê após o nascimento.
  • Incentivar os momentos a dois mesmo durante a gestação e sempre respeitando a vontade da mulher. Manter a intimidade do casal faz bem não apenas para a mãe e consequentemente para o bebê, mas também para o equilíbrio da relação. A dica é preservar seus momentos de intimidade sempre que eles virem dos dois lados.

Estimular a participação do homem na gravidez também é uma forma de evitar que exista um pai ausente na criação do filho. A falta de envolvimento desde o início da gestação nem sempre acontece por falta de interesse, mas porque o pai nem sempre sabe o quão importante é a sua presença nessa etapa.

Por outro lado, há homens que não estão mesmo dispostos a participar ou não assumem a paternidade. Infelizmente, este é um cenário bastante comum, que apenas será superado no longo prazo com mudanças culturais na sociedade.

Se o pai do seu bebê não participar, lembre-se que você não está sozinha! Tente criar uma rede de apoio, buscando o suporte da sua família, amigas e amigos. Procure também um grupo de apoio a gestantes próximo a sua casa – pode ser por meio de uma assistente social, psicóloga, ou um profissional do posto de saúde mais próximo. Há sempre uma boa forma de trocar experiências e informações interessantes com outras mães que estão passando pela mesma situação.

Independentemente da relação que você tem com o pai do bebê, desfrute da relação especial com esta nova vida. Cuide bem de si mesma, na gestação, e logo após o nascimento do bebê, busque o apoio necessário.

Os mitos sobre métodos contraceptivos e como evitar uma gravidez

Hoje existem muitas formas de evitar uma gravidez não planejada, mas as opções de anticoncepcionais são tantas – e algumas pouco divulgadas – que ainda existem muitas dúvidas em torno dos métodos contraceptivos. Já ouviu falar que a pílula anticoncepcional causa infertilidade na mulher? Ou que o preservativo feminino é menos seguro que o masculino? São mitos sobre anticoncepcionais que acabam impedindo que tenhamos informações adequadas e uma vida sexual segura.

As mulheres adolescentes são as que mais têm chances de engravidar nas primeiras relações, seja pela falta de familiaridade com as formas de contracepção, seja pela falta de acesso a métodos contraceptivos, por medo que descubram que elas têm vida sexual ativa, entre outros inúmeros motivos.

Por isso, é direito de toda mulher ter acesso a informações, serviços, insumos e outras condições que lhe permita decidir de forma livre e informada quando engravidar. Também é seu direito poder escolher o melhor método contraceptivo para ela de forma saudável, consciente e sem achismos. Continuar lendo “Os mitos sobre métodos contraceptivos e como evitar uma gravidez”