Ser mulher nos dias de hoje é…

Essa é a hora de pensar o papel da mulher na sociedade e mais uma vez conquistar os espaços que queremos ocupar

Para você, o que é ser mulher nos dias de hoje? Talvez não seja tão simples responder assim, de imediato, mas fica mais fácil se você refletir sobre seus principais desafios, lutas e conquistas diárias.

Durante anos se tentou definir o que seria um comportamento esperado de uma mulher: ser o sexo frágil, maternal, sensível? E se antes a mulher tida como moderna era aquela que dominava os eletrodomésticos como ninguém, hoje ainda há quem a aponte como a profissional antenada, que dá conta das tarefas domésticas, educa bem os filhos e está sempre disposta, bonita e com um sorriso no rosto. Afinal de contas, o que mudou?

Você está hoje onde gostaria?

Nem sempre o lugar destinado a uma mulher é o espaço que ela deseja ocupar. Conquistar um território, ainda mais se for predominantemente masculino, exige que esse espaço seja construído por ela.

Por exemplo, existe praticamente um senso comum de que mulheres não entendem de política, futebol ou tecnologia.

Mas esse é um quadro que é possível mudar a partir do momento que a mulher conhece seus direitos. A Copa do Mundo na Rússia está aí para mostrar isso: as protagonistas foram as jornalistas que não se calaram perante o assédio sexual e fizeram história na imprensa esportiva. Algumas emissoras escalaram mulheres para narrar e comentar os jogos de futebol no mundial.

Muito se fala em igualdade feminina no mercado de trabalho, por exemplo, mas isso só se torna realidade quando existem iniciativas para reduzir as desigualdades entre homens e mulheres. Hoje, grande parte das empresas brasileiras ainda ignora esse tema, sem perceber que adotar políticas internas de diversidade – sejam elas de gênero, raça ou qualquer outra – são fundamentais para empresas que queiram se manter atuais.

Para começar, é importante assegurar que as diretrizes voltadas para o empoderamento das mulheres passem de fato a integrar a cultura institucional da empresa. E algumas formas de fazer isso acontecer são por meio do:

  • Compromisso real da liderança da empresa com programas de diversidade de gênero, com o estímulo também à liderança feminina;
  • Entendimento da raiz do problema, isto é, assumir que a desigualdade entre homens e mulheres existe na empresa e trabalhar nisso, o que inclui programas de planejamento de carreira e também ações de prevenção ao assédio no ambiente de trabalho;
  • Estabelecimento de uma cadeia produtiva socialmente responsável, que implemente ou apoie financeiramente programas de inclusão e promoção dos direitos das mulheres nas empresas. Por exemplo, incentivar a atuação externa de mulheres em outros estados e países;
  • Equilíbrio entre trabalho e vida pessoal das colaboradoras mulheres. Hoje, por exemplo, o número de homens que têm mais de um filho e estão em cargos de liderança é maior do que o de mulheres com apenas um filho que ocupam cargos executivos. Muitas profissionais se tornam mães justamente no momento em que estão definindo suas carreiras e é aí que as empresas resolvem deixá-las para trás.

A diversidade de gênero só acontece na prática se existirem iniciativas transparentes e focadas em resultados. Esse compromisso deve existir por uma razão ética e pelo reconhecimento de que as mulheres merecem oportunidades iguais.

Cada mulher responderá de forma diferente, de acordo com suas lutas diárias, histórias e vivências sobre o que é ser mulher. O que é importante saber é que lugar de mulher é onde ela quiser, inclusive se ela decidir ficar em casa e ser mãe em tempo integral. Nenhuma profissão ou atividade é exclusiva de um gênero, e o papel que uma mulher representa na sociedade é definido por ela durante o seu desenvolvimento pessoal e profissional. Reflita sobre o seu espaço, e não esqueça: você não está sozinha. #Eladecide

 

Intolerâncias de um universo desigual

Machismo, sexismo e misoginia, é preciso entender para poder mudar.

A fama do Brasil é de ser um país que tem um povo hospitaleiro e cordial, tolerante às diferenças de cor, religião, nacionalidade, gênero, orientação sexual, idade e ideologia. Mas será que somos mesmo tolerantes?

Basta assistirmos aos noticiários ou observamos ao redor para constatarmos que, de fato, o nosso país não está livre de preconceitos. E é no ambiente virtual que muitas pessoas aproveitam para apoiar, referendar e dar voz às opiniões de xenofobia, racismo, homofobia, sexismo, misoginia e machismo, dentre muitas outras carregadas de intolerância e não aceitação das outras pessoas.

Se por um lado o debate público envolve as questões dos direitos e conquistas das mulheres, por outro há uma cultura que reforça os estereótipos do comportamento masculino, tendo o homem como dominante, um ser viril e provedor.

Embora os termos sexismo, misoginia e machismo, sobretudo este último, tenham ganhado grande popularidade, eles ainda geram algumas confusões sobre seus conceitos e significados. Por isso,  precisamos explicar cada um deles e suas influências sociais.

O que é sexismo?

Sexismo é a discriminação e objetificação de cunho sexual baseadas no sexo/gênero/orientação sexual. Na maioria das vezes, as ações sexistas são contra mulheres, homossexuais e transgêneros, o que não significa que as mulheres, homossexuais e transgêneros não ajam também de maneira sexista, em alguns casos.

Além disso, o sexismo está presente nas definições de comportamentos padrões por gênero. Por exemplo, quando se pensa em piloto de avião, a imagem associada é de um homem, e imaginar uma mulher exercendo a mesma função causa estranhamento. Isto é uma ação sexista, mesmo que inconsciente, seja ela vinda de um homem ou de uma mulher. Se buscarmos a perspectiva oposta, podemos tentar imaginar com naturalidade homens à frente de uma empresa de cosméticos. Toda essa conceituação estereotipada é sexista, e em maior ou menor gravidade se eternizam no (in)consciente coletivo da sociedade.

Quando se trata do sexismo no ambiente virtual, vemos maiores proporções. Em 2013, Kate Middleton deu à luz o primeiro filho, George, e, ao sair da maternidade, a Duquesa de Cambridge usou uma roupa que não escondia a barriga pós-parto. Nas redes sociais, recebeu uma enxurrada de críticas e comentários negativos a respeito do “descuido”.

Esperavam de Kate um ideal de perfeição inexistente no mundo real.

O que é misoginia?

Essa palavra tem tido popularidade, principalmente nas redes sociais, mas o que ela quer dizer?

Misoginia é aversão, repulsa, antipatia às mulheres e tudo aquilo tido como feminino.

Dito isso, vamos esclarecer um fato: misoginia não está diretamente relacionada à orientação sexual. Um homem misógino não é necessariamente gay, afinal o homem gay apenas não tem desejo, não se atrai por mulheres.

O comportamento do misógino é voltado para a inferiorização, depreciação, ridicularização e humilhação das mulheres, assim como aos sentimentos e características que a elas possam ser remetidos (sensibilidade, compreensão, etc). Vejamos: se uma mulher age de maneira ilícita e desvia dinheiro da empresa na qual trabalha, o misógino a xingará de vagabunda, vadia, cachorra e entre outros adjetivos que atingem apenas as mulheres. Ele não a chamará de ladra, falsa ou desonesta. Para ele, o que a desqualifica, antes de mais nada, é a condição de mulher.

Lembra, quando em 2013 o apresentador Danilo Gentili fez uma “piada” sobre Michelle Maximino, a mulher que doou mais de 300 litros de leite materno em Pernambuco? Em uma única frase ele ridicularizou a mãe, a amamentação e a doação de leite – atributos específicos das mulheres. O que o humorista considerou engraçado não passou de uma atitude completamente misógina e pouco solidária (depois do episódio, Michele passou a ser chamada de vaca em sua cidade). O que se viu ali foi o reforço de um preconceito e uma significação pejorativa de um gesto feminino e, sobretudo, humano.

E o machismo?

Literalmente, o machismo é a qualidade, o comportamento natural de macho (homem). Em sentido mais amplo, contextualizando o termo aos dias de hoje, o machismo é a ideologia da supremacia masculina, na qual se baseiam os pensamentos, as atitudes, os valores e costumes daqueles que acreditam ser superiores às mulheres e ao que elas representam.

Crescemos em um sistema patriarcal que privilegia o masculino e não valoriza o feminino. Por isso, não é de se estranhar que grande parte dos homens (e mulheres também) não aceite e/ou entenda os malefícios gerados pela cultura machista.

Muitos casos de violência, assédio morals e sexual, situações vexatórias e constrangedoras começam a partir da legitimidade social de um comportamento machista. No ambiente de trabalho, por exemplo, são inúmeros os relatos de mulheres que já vivenciaram “brincadeiras” constrangedoras de cunho sexual feitas por chefes e colegas com os quais não possuíam intimidade para tanto. No episódio recente do grupo de brasileiros que assediou a mulher russa, quantas pessoas não viram o fato apenas como uma diversão e consideraram a repercussão exagerada?

Essas pequenas atitudes machistas no dia-a-dia – como as piadas, as aproximações inadequadas etc – criam um caldo de cultura permissivo que favorece outras ações machistas de maior gravidade, como o assédio sexual, o estupro e outras formas de violência contra a mulher.

Agente transformador

O debate sobre sexismo, misoginia e machismo é necessário, não é modinha. Ele é fundamental para que se alcance a igualdade de gêneros e desconstrução de estereótipos. Homens e mulheres tendem a ganhar profissionalmente, pessoalmente e emocionalmente.

Ações educativas podem ajudar os homens a aceitarem e respeitarem a presença feminina, assim como ajudar mulheres a ter o controle total sobre as próprias decisões, sobre aquilo que consideram melhor para elas, seja qual for o aspecto da vida.

Vamos fazer a mudança acontecer. Você não está sozinha! #ElaDecide

Empoderamento, feminismo e sororidade: elementos fundamentais da integração feminina

No universo das mulheres, conceitos novos e aqueles já conhecidos são a base de uma conectividade capaz de fortalecer e redefinir, sem julgamentos ou pré-conceitos, as relações femininas interpessoais.

 

Ela já teve o status de modinha, coisa passageira e até sinônimo de “mimimi”, mas a verdade é que sua significância vai muito além do próprio significado. A palavra empoderamento é nova, foi incorporada ao nosso vocabulário, está nos dicionários e traz com ela não apenas a ideia de “dar poder a uma minoria”. Carrega o desejo de mudança, de redução da vulnerabilidade, a força de quem acredita nas próprias habilidades, e, sobretudo, carrega a determinação para alcançar um desenvolvimento humano que prime pela equidade e alcance a capacidade de exercitar plenamente os direitos individuais.

Quando levada ao universo feminino, o termo ganha ainda mais poder, pois a luta das mulheres por representatividade, igualdade e liberdade não é algo novo. Historicamente, a participação feminina no clamor por mudanças e equiparação nasceu de um viés trabalhista em meados dos anos 1900, mas que ao longo das conquistas foram se estendendo para os demais segmentos, como político, social e familiar. E com o passar do tempo, ganhou muito mais representatividade.

Atualmente, muitas mulheres e grupos feministas têm feito uso do espaço social (físico e virtual) para abordar, debater, informar, esclarecer temas como discriminações de gênero, liberdade sexual, alertar e denunciar sobre violências e abusos psicológicos, físicos e sexuais, que atingem mulheres de todas as idades e classes sociais.

É diante de um contexto complexo e desfavorável para as mulheres que se destaca a importância da sociedade refletir e discutir feminismo, empoderamento e sororidade.

Nem sempre a relação entre estes três aspectos é bem compreendida. Há quem acredite que se trata de vitimismo feminino, não reconhece – existem ainda aqueles que fazem questão de não reconhecer – as disparidades entre direitos, privilégios e notoriedade dos universos masculino e feminino. Pois bem, afirma-se, sem medo de errar, que os três vieses caminham juntos em busca de uma sociedade mais inclusiva e igualitária.

O feminismo não tem a intenção de se colocar em supremacia em detrimento do homem, as suas causas e lutas buscam promover o acesso às mesmas oportunidades sociais, políticas e profissionais, sem que para isso seja preciso a mulher vivenciar algum tipo de opressão.

Agora, para falar sobre sororidade, antes de mais nada é preciso entender o significado e o valor que esta palavra, ainda estranha e desconhecida para muitas pessoas, possui. Sororidade vem de “soror”, que significa “irmã” em Latim. A ideia está ligada ao apoio, acolhimento, companheirismo, empatia e união entre as mulheres.

O que esperar de mulheres que praticam a sororidade?

Empoderamento feminino e sororidade se completam. Ou melhor, eles coexistem, não há como desvincular um do outro, pois uma mulher que luta por direitos iguais também acolhe, apoia e dá forças àquela em situação de opressão, medo, abuso e discriminação.

Quem pratica a sororidade não vê outra mulher como inimiga. Não se trata aqui de ser a melhor amiga de toda e qualquer mulher, mas de transpor um conceito de que mulheres estão sempre disputando o mesmo espaço, de que precisa ser melhor e superar a outra.

A sororidade e o empoderamento feminino têm um caráter transformador. Por meio deles, onde há a troca de experiências e uma mulher se vê na outra, é possível desenvolver mais rapidamente a capacidade de dizer não a situações abusivas, denunciar comportamentos indesejados, reconhecer relacionamentos tóxicos e destrutivos, além de se permitir conhecer o próprio corpo sem vergonha ou sentimento de culpa, conquistar o autoconhecimento, a liberdade e o poder de decisão sobre si mesma.

Outra (boa e importante) consequência da sororidade é poder servir como uma ponte para que mais mulheres possam ter acesso a informações sobre vida sexual saudável; tenham também a oportunidade e o entendimento do que é um planejamento reprodutivo, para decidirem se querem ou não vivenciar a maternidade, e se quiserem, escolher qual o momento ideal para que isso aconteça; conhecer e optar por métodos contraceptivos que forem mais convenientes, de acordo com o ritmo e estilo de vida que levam.

Ainda há muito juízo de valor, ideias e preconceitos a serem desenraizados da sociedade e da própria opinião feminina. A prática da sororidade pode contribuir para que isso aconteça.

Você não está sozinha. Juntas somos mais fortes! #ElaDecide

Como ser mãe e estudar ao mesmo tempo

Muitas meninas e mulheres conseguem enfrentar o preconceito e outros obstáculos para não abandonar os sonhos de estudo depois da maternidade

Toda mulher tem direito à educação, qualquer que seja a sua idade ou classe social. E isso inclui poder  decidir sobre a sua escolaridade também quando ela se torna mãe.

No nosso país, grande parte das mulheres engravida sem a intenção de ficar grávida naquele momento – cerca de 30%, segundo a pesquisa Nascer no Brasil, da Fiocruz. E, segundo o Ministério da Saúde, 18% de todos os bebês que nascem no país são filhos e filhas de mães com 19 anos ou menos.

Além dos jovens iniciarem a vida sexual cada vez mais cedo – entre 13 e 17 anos -, as adolescentes têm mais chances de engravidar na primeira vez, por ainda terem pouca informação sobre os métodos contraceptivos, como usá-los e como lidar com as mudanças do próprio corpo.

Segundo o IBGE, hoje uma das principais causas da evasão escolar no Brasil é a gravidez na adolescência. Por não conseguirem conciliar os estudos e a criação do filho, ou terem que lidar com o preconceito de colegas e professores, muitas meninas acabam adiando a formatura.

O que poucas dessas jovens sabem é que a lei 6.202, de 17 de abril de 1975, permite que as mães adolescentes possam estudar em casa, com direito a material didático, do 8º mês de gravidez até o 3º mês do bebê.

A chegada de um filho não deve ser o término de um sonho. Estando bem informada sobre as suas possibilidades e direitos, é possível buscar soluções para equilibrar os estudos e a maternidade.

Dicas para voltar a estudar após a gravidez

Não há dúvidas de que tanto a escola como a universidade exigem esforço e dedicação, principalmente quando você precisa dividir a atenção com a chegada de um bebê. Mas, planejando bem, muitas meninas e mulheres conseguem conciliar a vida de estudante e de mãe. Você não está sozinha! Confira algumas dicas para se programar:

  • Muitas mães adolescentes e jovens não recebem qualquer apoio de suas famílias, amigos e do próprio pai do bebê. Vulneráveis às diversas expressões de preconceito – que vão desde a expulsão de casa até as mensagens subliminares do dia a dia, essas mulheres frequentemente se sentem diminuídas, culpadas e impotentes. Lembre-se que você é uma pessoa única, cheia de potencialidades e talentos. Procure a ajuda de todas as suas possíveis redes de apoio, como familiares, amigas(os), comunidade e outras jovens passando pela mesma situação para se fortalecer emocionalmente.
  • Antes de voltar aos estudos, converse com o diretor(a) da sua escola ou coordenador(a) do curso para entender como a instituição de ensino pode te apoiar a dar continuidade aos estudos. Combine com os professores também os horários que precisará amamentar, as idas a consultas e reposições de aulas. Se a escola não estiver aberta a se adaptar às suas necessidades de mãe, lembre os(as) gestores(as) sobre a legislação que lhe garante o direito de estudar e busque o apoio de outras instâncias da escola, como as associações de pais e mestres, ou mesmo de um(a) professor(a) que compreenda melhor a sua situação. Se esses esforços tampouco surtirem efeito, busque a Defensoria Pública para fazer valer o seu direito à educação.
  • Procure alguém que possa ficar com o seu filho ou filha no horário das aulas ou levá-lo até você. Esta opção muitas vezes pode ser difícil ou custosa. Acione todas as redes com a qual você puder contar e lembre-se que o pai da criança também tem a obrigação de prover por ela.
  • Um dos papéis do pai da criança durante e após a gravidez é dar o apoio necessário à mãe para que ela consiga retomar à sua rotina. Não hesite em pedir que te apoie nesse momento. Lembre-se que, se ele recusar lhe apoiar financeiramente, você pode pedir que a Justiça o obrigue. Procure a Defensoria Pública para conhecer e fazer valer os seus direitos.

A educação também é uma forma de empoderamento feminino e buscar a realização dos seus sonhos é importante para manter a sua autoestima e os planos que traçou para si mesma. Ainda que você tenha se tornado mãe antes do momento que desejava, é seu direito ter acesso ao conhecimento que lhe permita decidir se deseja ou não engravidar novamente, quando e quantos filhos ter, refletir desde cedo sobre planejamento reprodutivo, e qual o melhor método contraceptivo para você.

Campanha Ela Decide incentiva a mulher a conhecer o corpo e seus direitos sexuais e reprodutivos

Lançada em abril, a campanha Ela Decide aproxima jovens mulheres de informação de qualidade sobre direitos e saúde sexual e reprodutiva, para que elas entendam sobre si mesmas, o próprio corpo, e como lidar com os desafios da vida sexual.

No Brasil, de cada cinco bebês, um nasce de uma mãe com até 19 anos de idade. E, de acordo com a pesquisa Nascer no Brasil, da Fiocruz, cerca de 30% das gestações não são desejadas.

Neste cenário, é necessário engajar jovens e mulheres, desde o início da vida sexual, a conhecerem a si mesmas e a viverem  sua sexualidade com acesso a informação sobre métodos contraceptivos e planejamento da vida reprodutiva.

Aparelho Reprodutor Feminino: Você conhece o seu?

Mulheres com direitos sexuais e reprodutivos garantidos

Informação real e espaço para o diálogo: a Campanha Ela Decide Seu Presente e Seu Futuro usa diversos meios de comunicação e ferramentas para chegar até mulheres que precisam saber que não estão sozinhas e que têm direitos sexuais e reprodutivos que devem ser garantidos.

A campanha é uma iniciativa da Aliança pela Saúde e pelos Direitos Sexuais e Reprodutivos no Brasil, liderada por empresas privadas e instituições filantrópicas, com o apoio do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) no Brasil e a Embaixada dos Países Baixos.

Em maio, a campanha guiou o Programa Panorama, da TV Cultura, que teve como tema “O protagonismo da mulher em relação ao seu corpo”. O programa contou com a participação da ginecologista Rossana Pulcineli, presidente da Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo, Anna Cunha, oficial de programa na UNFPA no Brasil, e a youtuber Jout Jout.

As convidadas falaram sobre dados de pesquisas e como as mulheres jovens precisam ampliar sua visão sobre seus corpos, reconhecendo seus direitos e como isso impacta não só na vida pessoal de cada uma, mas no futuro da juventude do Brasil. Assista o vídeo completo abaixo:

Nas redes sociais, é possível ver mesmo como a iniciativa tem incentivado mulheres, que trocam histórias, dúvidas e experiências. A Ela Decide Seu Presente Seu Futuro está aqui:

Facebook

Twitter

Instagram

Youtube

Quem está na campanha e acredita na ideia

Para conversar de igual pra igual com jovens e mulheres que buscam conhecer seu corpo e acreditam no empoderamento feminino, quatro mulheres fortes fazem parte da Ela Decide Seu Presente e Seu Futuro. Para saber o que elas falam, basta clicar na imagem:

Jout Jout: youtuber

Bella Pierro: atriz

Gabi Oliveira: youtuber

Juliana Alves: atriz

Além de todo esse apoio, é muito importante que você também se engaje. Você não está sozinha. Explore nossos canais, esteja perto para conhecer e se apropriar de seus direitos e saiba que o seu corpo tem uma história que é só sua. #Eladecide

Como falar com ele ou ela sobre sexo seguro?

Quando você pensa sobre o respeito ao seu corpo, deve pensar também nos desafios que pode enfrentar quando vai se relacionar sexualmente com alguém. E convencê-lo(a) a fazer sexo seguro pode ser um desses desafios.

Infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) são simples de prevenir – o uso de preservativo evita a gravidez não planejada e as ISTs. Mas ainda parece difícil conversar sobre isso com seu parceiro ou parceira, né? E, mais ainda: às vezes é difícil convencer a usar o preservativo. Só que você pode fazer isso de várias formas, sabia?

Como escolher o método contraceptivo?

Primeiramente, vamos conhecer formas de prevenção. Quando se fala de popularidade e de formas mais baratas de prevenção, chegamos aos métodos mais conhecidos, como os preservativos masculino e feminino. No entanto, existem no mercado e nas unidades de saúde uma variedade de outros métodos, que você pode conhecer em visita a um ou uma ginecologista, em clínicas particulares ou na rede pública de saúde (SUS). É fundamental ter ajuda de um ou uma profissional de saúde para decidir qual deles é o mais adequado para o seu corpo. Leia mais mais sobre mitos e verdades dos métodos contraceptivos.

Preservativo Masculino: de vários formatos, tamanhos, materiais, é o mais popular. Vem com um pequeno reservatório na ponta – para receber o esperma – e evita o contato entre o pênis e a vagina. Usá-lo é fácil: 1) Verifique a validade do preservativo. 2) Retire o ar da ponta do preservativo. 3) Com o pênis ereto, deve-se desenrolar o preservativo até a base do membro. Lembre-se que o preservativo deve ser usado uma vez apenas e, depois, descartado.

Preservativo Feminino: A camisinha feminina é fabricada em borracha nitrílica, material antialérgico, inodoro e atóxico. É composta de uma bolsa de 17 cm de comprimento, com um anel flexível em cada extremidade. O anel interno, de 5 cm de diâmetro, é feito em poliuretano, usado para auxiliar na colocação da camisinha dentro da vagina e mantê-la no lugar. O anel externo, de 7 cm de diâmetro, permanece fora da vagina durante a relação sexual e oferece proteção adicional ao cobrir os lábios vaginais. A camisinha feminina vem pré-lubrificada com lubrificante à base de silicone para facilitar a colocação e aumentar a sensação de conforto. É uma excelente opção para mulheres e homens que têm alergia ao látex, e não causa efeitos colaterais. Além de prevenir a gravidez e proteger de doenças sexualmente transmissíveis.

O preservativo feminino evita infecções sexualmente transmissíveis, já que faz uma barreira e impossibilita o contato e trocas em relações anal-genital, genital-genital e oral-genital. Em alguns casos de HPV, a possibilidade de transmissão é muito maior caso as lesões (verrugas, por exemplo) estejam visíveis.

Para colocá-lo, primeiro verifique a data de validade. Aperte o anel menor e introduza-o profundamente dentro da vagina, assegurando-se que o preservativo não ficou torcido. O anel maior deve ficar do lado de fora, para proteção dos grandes lábios. Para retirá-lo, deve-se rodar com cuidado para que ele fique torcido e assim não se derrame o esperma.

Converse com seu parceiro ou parceira

A conversa sobre usar a camisinha pode começar muito antes do momento sexual. Ainda quando vocês estiverem se conhecendo, devem surgir oportunidades de falar sobre sexo.

É muito importante que você tenha um alinhamento com quem você vai se relacionar. Isso faz com que vocês se entendam e possam entrar nessa conversa mais facilmente. Além de trazer conforto, esse papo tranquilo permite que você tenha mais facilidade de lidar com seu corpo, falar de suas preferências e constrói intimidade e confiança entre o casal.

Então, vocês já têm um nível de intimidade que você considera aceitável, certo? Agora, é importante que você esteja segura para ir adiante. E se, mesmo estando assim, ele ou ela não tiver tocado no assunto do método contraceptivo, talvez seja hora de você começar a falar.

Como pedir ao parceiro ou parceira para usar o preservativo?

Antes de tudo, tenha sempre um preservativo em mãos. Você nunca sabe até onde aquele encontro que você tanto esperava vai chegar, né? A missão agora é ficar confortável para aproveitar o momento e, claro, isso envolve propor sexo seguro sem quebrar o clima. Essas dicas aqui são bem legais:

Converse mais, converse sempre: você tem o preservativo e ele(a) se nega a usar? Então, converse sobre como essa é uma proteção para os dois, mostre que se preocupa com ele(a), e quando está propondo sexo seguro. Afinal, cuidar da saúde do corpo é um ato de amor.

Brinque: comece perguntando qual preservativo vocês irão usar. No momento de colocá-lo, faça coisas que ele(a) gosta, esquente a brincadeira até que o preservativo esteja no lugar. Depois, é só aproveitar!

Se ele (a) falar que não gosta: bom, aí você pode partir para a seguinte reflexão: – “será que é melhor sexo seguro com camisinha ou sexo nenhum?”. E se posicione a favor da saúde do seu corpo.

Se ele(a) insistir: se alguém insistir pra você fazer algo que você já disse que não vai fazer, caia fora! Essa pessoa não está respeitando seu corpo, sua vontade e seu espaço.

Saiba mais sobre saúde feminina

Agora que você já sabe como usar o preservativo certo, como convencer seu (sua) parceiro(a) a usá-lo para que vocês façam sexo seguro, e com muito prazer, compartilhe com as amigas e outras mulheres que você conhece.

Vá atrás de informações sobre saúde feminina, aprofunde seu conhecimento sobre as necessidades do seu corpo, observe-se, vá sempre a um ou uma ginecologista, e procure profissionais de saúde que possam ajudar você sobre os métodos contraceptivos.

Lembre-se: você não está sozinha e também pode ajudar outras mulheres que têm dificuldades nesse tema. Compartilhe!

Autoestima para superar e empoderar

Reconhecer a própria individualidade, capacidade e força constrói a base para superar momentos difíceis, dá força para conquistar a autonomia feminina e conscientiza sobre o poder de decisão sobre si mesma.

A autoestima reflete a maneira como nos sentimos em relação a nós mesmas. Ela é resultado do nível de autoconhecimento e percepção acerca de nossas qualidades, habilidades e capacidades, de nosso modo de agir e lidar com as emoções.

Determinamos quem somos, o que valorizamos e o que queremos dependendo da forma como enfrentamos o nosso cotidiano e as situações vividas. Traumas e experiências marcantes podem nos influenciar de modo inconsciente, mas é nos amando, tomando consciência sobre nós mesmas, sobre nossas conquistas e vitórias que podemos identificar o que nos faz bem ou não, o que nos é conveniente ou não, o que permitimos ou não em nossas vidas. Continuar lendo “Autoestima para superar e empoderar”