empoderamento feminino

Sexy sem ser vulgar: porque você deve debater a objetificação do corpo da mulher?

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Ser mulher em nossa sociedade pode significar ter o corpo exposto a violências físicas e simbólicas  que partem do princípio da sua objetificação. Como refletir sobre e, mais importante, como lidar e lutar contra isso.

É notável a ascensão das articulações femininas em prol da liberdade e dos direitos das mulheres. São debates, rodas de conversas, iniciativas nas universidades, grupos online, pauta em programas televisivos,  manifestações artísticas e afins, como se viu em diversos países nas manifestações do Dia Mundial da Mulher ao redor do mundo em 2019. 

Entretanto, até hoje ainda há estereótipos que cerceiam a existência feminina provenientes também do machismo estrutural que ainda assola a sociedade. Mulheres ainda são desrespeitadas, têm seus corpos e direitos violados, são hiperssexualizadas, objetificadas e invizibilizadas em diversos níveis: desde as produções que vemos na mídia e indústria do  entretenimento às relações em seus lares.

Histórica e socialmente,  foi construída a ideia da mulher como alguém servil. Mas, a cada dia essas estruturas são questionadas. É importante que a sociedade, e sobretudo, as mulheres, conheçam os direitos femininos. Conhecimento é um dos pilares mais importantes para o empoderamento feminino.  Segundo dados do IBGE, em 2019, as mulheres são responsáveis por cerca de 14% a mais dos trabalhos domésticos em relação ao homem. Ou seja, além de muitas vezes, enfrentar uma jornada de trabalho regular, ao chegar em casa, essa mulher ainda é responsável pelas tarefas e manutenção do lar. Tal acúmulo de funções, e esse peso de servir o tempo todo e em diferentes contextos, ocasiona sobrecarga mental e física. Mesmo com todos os avanços sociais, ainda espera-se que a mulher esteja ali pra servir.

No Brasil, o corpo da mulher é fruto de uma construção histórica, e é considerado inferior. 

Historicamente, a  mulher é vista de maneira secundária na sociedade. Simone  Beauvoir, no primeiro capítulo do livro “O segundo Sexo”, no fim da década de 1940, já alertava que socialmente a mulher é o “Outro”, em relação aos homens. Ou seja, suas vontades são subjugadas, e suas vivências colocadas em segundo plano. 

Quando falamos de mulheres negras, segundo  a psicóloga, artista e teórica cultura, Grada Quilomba, a mulher negra é o “Outro do Outro”, pois além das questões sociais em torno do feminino, ela também encontra barreiras no quesito raça, já que o racismo ainda é forte e estrutural no Brasil. Além disso, para fortalecermos a luta feminina, é importante pensar o feminismo por uma “perspectiva de raça e classe”, segundo propõe a  filósofa Djamila Ribeiro. 

Portanto, repensar a forma como a mulher e o seu corpo foram construídos socialmente, é uma forma de olhar o passado, e reescrever o futuro, sem que se cometam os mesmos erros, a fim de  tornar a luta feminina ainda mais forte e inclusiva.

Conhecer os direitos das mulheres é fundamental para promover mudanças

Direito da mulher é todo aquele que a protege como indivíduo, é previsto e garantido por lei, pelos costumes e comportamentos, e são validados pela sociedade, que assume um compromisso em respeitá-los. 

Em 1995, na Conferência Mundial sobre a Mulher realizada em Pequim, foi constatada que a igualdade de gênero não é realidade em nenhum país do mundo. Para reverter esse cenário, firmou-se um compromisso, a Agenda 2030, com um Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) focado em diminuir as desigualdades contra mulheres e as meninas ao redor do mundo

Falar sobre o corpo da mulher brasileira é estimular a desconstrução

Dialogar sobre a mulher brasileira como indivíduo, e como agente na sociedade é, sobretudo, um processo de desconstrução dos estereótipos que permeiam o imaginário acerca do que é feminino, o que é relativo ao gênero, e do papel que foi construído para ela ao longo dos anos. 

A busca por informações sobre os direitos femininos é uma importante ferramenta na construção de um novo cenário em que a mulher pode ser aceita, em que seus direitos possam ser conhecidos e  respeitados, e cria um espaço de acolhimento, em que ela pode se sentir orgulho de ser quem é. Nesse ponto, reside a representatividade, no sentido de que essa mulher pode conseguir melhores condições para viver.  Muda a forma como a mulher se vê, pois ela deixa de ser ‘o outro do Outro’ para se tornar cada vez mais dona de si. Esse caminho pode ser feito por meio de autoconhecimento, e do conhecimento dos direitos da mulher,  que são capazes de embasar verdadeiras mudanças, e construir para essa mulher, novos espaços.  #ElaDecide.

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