Chegou a hora da consulta ginecológica, e agora?

Não precisa ter medo ou vergonha. A consulta com ginecologista deixará você mais segura para decidir sobre saúde sexual.

Quando chega o momento em que o seu corpo começa a mudar, é muito natural que surjam questionamentos. Para muitas garotas, uma consulta ginecológica é sinônimo de vergonha e constrangimento. E por outro lado, muitas mães acreditam que levar as filhas a esse(a) especialista acabará sendo um incentivo para que elas iniciem a vida sexual precocemente. Nada disso! O ideal é que, desde jovens, as garotas possam entender o processo de transformação que estão vivenciando, conheçam seus corpos, tirem todas e quaisquer dúvidas que tenham sobre sexualidade  e aprendam sobre os cuidados a serem observados, inclusive com informações sobre métodos para evitar uma gravidez não planejada ou infecções sexualmente transmissíveis, como HIV/AIDS, tomando conhecimento de métodos modernos de contracepção para levar uma vida sexual saudável.

Mesmo com algumas mudanças físicas, geralmente é somente após a menarca, a primeira menstruação, que as meninas se vêem como mulheres. É neste momento que buscar a orientação profissional de um(a) ginecologista torna-se indispensável. Não é necessário abrir mão de uma conversa franca com a mãe ou mais íntima com as amigas, mas é um(a) profissional de saúde a pessoa mais indicada para dar as melhores orientações sobre ciclo menstrual, alterações hormonais, métodos anticoncepcionais e prevenção de doenças – ou seja, tudo o que vai envolver a saúde sexual da mulher dali em diante.

Na primeira consulta, se ainda não houve início da vida sexual, o(a) especialista falará sobre o corpo feminino, as mudanças que estão acontecendo, e responderá às dúvidas mais frequentes que as adolescentes têm. Se a menina já tiver tido a primeira relação sexual, ou estiver na iminência de tê-la, o médico ou médica também poderá esclarecer sobre métodos contraceptivos e de prevenção de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), poderá indicar o uso do método contraceptivo mais adequado à mulher de acordo com seu histórico de saúde, investigar doenças na família, e indicar o método mais adequado.

Do ponto de vista fisiológico, as mulheres podem se tornar mães desde quando ocorre a menarca até o momento da menopausa. Durante esse período reprodutivo, o corpo se prepara todos os meses para engravidar. Mas é graças ao entendimento de como se dá esse processo no corpo da mulher que tem sido possível agir por meio da informação para prevenir a gravidez não planejada.

Então o melhor a fazer é entender como o ciclo menstrual funciona.

Como funciona o ciclo menstrual?

Um ciclo se inicia no primeiro dia da menstruação e vai até o primeiro dia da próxima menstruação. Em geral, cada ciclo dura 28 dias, mas algumas mulheres têm ciclos de 21 ou até 35 dias (a ou o ginecologista é quem pode avaliar o período do seu ciclo). Nos dois anos após o início das menstruações, é comum que algumas adolescentes tenham ciclos irregulares. Porém, se a irregularidade se mantiver por um longo período de tempo ou ocorrer em outra fase da vida da mulher, as causas devem ser investigadas.

O ciclo menstrual é dividido em quatro fases: a fase da menstruação, a fase folicular, a fase ovulatória e a fase lútea.

A fase da menstruação é quando ocorre o sangramento, que em média dura quatro dias, mas pode chegar até sete dias, sem nenhum problema. Nesse período, o endométrio (camada de células internas do útero), que estava preparado para receber um embrião, descama e ocorre o sangramento, que é eliminado pelo canal vaginal.

Já a fase folicular é quando o corpo da mulher se prepara para engravidar. O organismo produz o hormônio folículo estimulante (FSH), responsável por estimular os folículos do ovário. Estes folículos começam a produzir estrogênio, o hormônio responsável pelo desenvolvimento do endométrio (mucosa que reveste a face interna do útero), que se torna mais espesso, e pronto para receber o óvulo fecundado.

Na fase ovulatória, é quando ocorre a ovulação, geralmente no 14º dia do ciclo. Aqui entra em cena um outro hormônio – o hormônio luteinizante, ou LH. É ele quem estimula a liberação do óvulo maduro, que se encaminha para o útero à espera da fecundação.

A fase lútea inicia-se após a ovulação. O folículo vazio se transforma em um corpo lúteo, e este corpo lúteo produz o hormônio progesterona, que por sua vez estimula a preparação da camada interna do útero para receber o óvulo fecundado. Duas coisas podem acontecer nesta fase: caso haja a fecundação, o óvulo se fixa na parede do útero, o que caracteriza a gravidez; agora, se não houver a fecundação, a camada do útero preparada para receber o óvulo fecundado (o endométrio) descama e é expelida, ou seja, ocorre a menstruação.

E assim, ao mesmo tempo que um ciclo se encerra, um novo se inicia. É importante ter em mente que os ciclos menstruais não são exatos, não sendo possível saber precisamente a data em que a mulher pode engravidar. Por esse motivo, o método contraceptivo da “tabelinha”, que se baseia apenas nas fases do ciclo menstrual, é bastante falho.

Conhecer e entender o que acontece com o próprio corpo é um ponto-chave para que  jovens e adolescentes tenham condições de escolher a hora que desejam iniciar a vida sexual, o método de contracepção mais conveniente, entender o período fértil e método de prevenção, e como evitar Infecções Sexualmente Transmissíveis, incluindo HIV/AIDS. Assim, fica mais fácil planejar o melhor momento para ter filhos (se assim a mulher desejar) e ao mesmo tempo cuidar de sua saúde sexual. Ir a um ou uma ginecologista com a mãe, amiga, ou com o parceiro(a), você escolhe. O importante é não deixar de ir, e dar a si mesma esse momento tão importante de cuidado.

Conheça e preserve o seu corpo. Ele faz parte da sua história. #eladecide

Leia também: Os mitos sobre métodos contraceptivos e como evitar uma gravidez

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