Aparelho Reprodutor Feminino: como protegê-lo das Infecções Sexualmente Transmissíveis

A saúde íntima da mulher corre sérios riscos quando exposta a relações sexuais desprotegidas. Conheça mais sobre seu corpo e como evitar Infecções Sexualmente Transmissíveis.

Você sabe que tem que ser proteger em qualquer relação sexual, não sabe? Isso é importante tanto para prevenir uma gravidez não planejada como para evitar Infecções Sexualmente Transmissíveis. Vamos falar um pouco sobre elas.

As ISTs são causadas por vírus, bactérias ou outros microorganismos e podem ser transmitidas por meio do contato sexual (oral, vaginal, anal) com uma pessoa que esteja infectada, independente de gênero, sexo ou orientação sexual.

Alguns sintomas, como feridas, corrimentos ou verrugas genitais e anais, podem aparecer por causa das Infecções Sexualmente Transmissíveis, que são um perigo para a saúde íntima da mulher e, às vezes, um risco à vida. Conheça como evitar as ISTs por meio de métodos contraceptivos.

E primeiro lugar: é necessário entender o funcionamento do seu corpo

O aparelho reprodutor feminino é composto por útero, ovários, trompas de falópio e a vagina. Para que ele esteja em funcionamento perfeito, muitas reações hormonais ocorrem. O ciclo menstrual é coordenado por essas reações.

Leia mais sobre o aparelho reprodutor feminino e entenda como seu corpo funciona.

Quando você começa a observar mais de perto o seu corpo, toda reação diferente fica muito evidente. Por isso, observe-o sempre – um bom hábito é fazê-lo durante sua higiene pessoal.

Além da observação constante da anatomia do seu seu corpo, é muito importante que você seja acompanhada pelo(a) ginecologista, que você pode encontrar no Sistema Único de Saúde (SUS) ou também em clínicas particulares.  

Qualquer reação diferente deve ser comunicada a um ou uma profissional da área médica –  tanto em relação aos seus seios quanto na área visível da genitália, como vulva, grandes lábios, e a região entre a vagina e o ânus. Para a parte do aparelho reprodutor feminino interna, formada por canal vaginal, colo e paredes do útero, o mais indicado são os exames de rotina. Mais conhecido como ‘preventivo’, esse grupo de exames é necessário pelo menos uma vez ao ano.

ISTs e o mal que elas fazem à saúde da mulher

As ISTs podem causar um grande prejuízo ao aparelho reprodutor feminino e à saúde da mulher, de uma forma geral. Mal-estar, coceiras nas áreas íntimas, mau cheiro de corrimentos ou da menstruação, feridas, corrimentos, verrugas e qualquer ocorrência que esteja fora da normalidade – quanto antes forem percebidas, maior a probabilidade de tratamento e cura.

Fique atenta às principais ISTs e seus sintomas. Caso você tenha feito sexo sem o uso do preservativo e observar algumas reações no seu corpo, procure um ou uma profissional de saúde. Conheça algumas ISTs:

HIV: causada por vírus, que pode ficar incubado por anos antes do surgimento da doença propriamente dita. Por isso, fique atenta! Ter HIV não é a mesma coisa que ter AIDS. E isso é o mais importante de ressaltar: os sintomas da doença só aparecem quando a doença já está instalada. Algumas pessoas que estão infectadas pelo vírus podem mesmo nem saber, por não haver doença ainda. No entanto, saber sobre a infecção em um estágio inicial proporciona maiores possibilidades de tratamento. A única forma de saber é por meio de teste. A transmissão é via sexual (genital, anal e oral), uso compartilhado de seringa, transfusão de sangue contaminado, e da mãe para o filho.

HPV: existem mais de 200 tipos de HPV. Alguns podem causar câncer, especialmente no colo do útero. Pode ser transmitido sexualmente, tanto pelo contato genital-genital quanto genital-oral. Pessoas com baixa imunidade ou gestantes estão mais propensas a manifestar os sintomas, que aparecem no pênis, ânus, vagina, vulva, colo do útero, boca e garganta.

Alguns sintomas são:

  • Irritação ou coceira no local.
  • Verrugas não dolorosas, isoladas ou agrupadas, que aparecem nos órgãos genitais (o risco de transmissão é muito maior quando as verrugas são visíveis).
  • Lesões visíveis

Há registros, no Brasil, de mais de 2 milhões de casos de HPV por ano. Não há um grupo clinicamente mais suscetível a ter a infecção, mas, segundo a ginecologista Carolina Ambrogini, “no caso de mulheres sexualmente ativas, com mais parceiros, há mais risco”.

Sobre a vacinação, a especialista ainda lembra: “A vacina, que é a tetravalente, tem os quatro tipos de vírus, pode ser tomada até os 45 anos. E a vacina que é para congênitos, tem dois tipos de vírus, pode ser tomada em qualquer idade. Na rede pública, está disponível apenas para adolescentes, meninas e meninos” .

O Ministério da Saúde adotou a vacina quadrivalente, que protege contra dois tipos do HPV de baixo risco e de alto risco, que tem dois tipos do vírus que causam câncer de colo uterino. A população prioritária para receber a vacina HPV é a de meninas com idade entre 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos.

Fique ligada! O vírus pode ficar latente no corpo e a lesão aparece alguns dias ou anos após o contato.

Cancro Mole: Causado pela bactéria Haemophilus ducreyi, é transmitida por via sexual, quando não há uso do preservativo. Alguns sintomas são:

  • Feridas dolorosas e pequenas, com pus, geralmente aparecendo nos órgãos genitais (ex.: pênis, ânus e vulva).
  • Nódulos (caroços ou ínguas) na virilha.

Gonorreia e Infecção por Clamídia: Causadas por bactérias, geralmente as duas infecções estão associadas e os sintomas apresentam-se em órgãos genitais, garganta e olhos, mas a maioria das mulheres infectadas não apresenta sinais e sintomas. Alguns sintomas:

  • Dor ao urinar ou na parte de baixo da barriga;
  • Corrimento amarelado ou claro, fora da época da menstruação;
  • Dor ou sangramento durante a relação sexual;
  • Os homens podem apresentar ardor e esquentamento ao urinar, podendo haver corrimento ou pus, além de dor nos testículos.

DIP (Doença Inflamatória Pélvica): quando a gonorreia e a infecção por clamídia não são tratadas, ocorre a DIP. A infecção atinge os órgãos sexuais internos da mulher, como útero, trompas e ovários, causando inflamações.

Alguns sintomas:

  • Dor na parte baixa da barriga durante a relação sexual;
  • Dor nas costas;
  • Febre, fadiga e vômitos.

A infecção pode ser muito perigosa e em casos mais graves, precisa-se de internação hospitalar com uso de antibiótico.

Donovanose:

Causada pela bactéria Klebsiella granulomatis, é uma IST crônica progressiva. Não há dor, o que pode aumentar o tempo de observação dos sintomas Alguns sintomas:

  • Ferida ou caroço vermelho (progressão de uma lesão) nas regiões genitais, que sangra facilmente.
  • Atinge grandes áreas
  • Compromete a pele ao redor, facilitando a infecção por outras bactérias.

Até que os sinais e sintomas tenham desaparecido e o tratamento seja finalizado, não é recomendado o contato sexual.

LGV (Linfogranuloma Venéreo):

Popularmente conhecida como “mula”, é uma infecção crônica causada pela bactéria Chlamydia trachomatis. Alguns sintomas são:

  • Feridas nos órgãos genitais e outros (pênis, vagina, colo do útero, ânus e boca ).
  • Há uma ferida inicial. Depois de uma a seis semanas, surge um caroço na virilha, que, sem tratamento, pode romper-se com pus.
  • Dores nas articulações, febre e mal-estar.
  • Elefantíase genital: é o que ocorre quando a LGV não é tratada. A elefantíase genital é o acúmulo de linfa no pênis, escroto e vulva.

HTLV: causada por vírus, atinge as células de defesa do organismo (linfócitos). Os sintomas podem não surgir por toda a vida, mas 10% das pessoas infectadas, segundo o Ministério da Saúde, apresentarão doenças neurológicas, oftalmológicas, dermatológicas, urológicas e hematológicas, como leucemia associada ao HTLV.

Sífilis: causada por bactéria, é classificada como Sífilis primária, secundária e terciária, e é mais provável de ser transmitida nos estágios iniciais. Alguns sintomas:

Sífilis primária

  • Ferida – rica em bactérias -, que aparece entre 10 a 90 dias após o contágio. Normalmente sem dor, coceira, ardor ou pus, podendo estar acompanhada de caroços na virilha.

Sífilis secundária

  • De um a seis meses depois da primeira ferida cicatrizar, podem ocorrer manchas pelo corpo todo. Pode, ainda, ocorrer febre, mal-estar, dor de cabeça, ínguas pelo corpo.

Com menos de dois anos de infecção, há a Sífilis latente recente e, com mais de dois anos, a Sífilis latente tardia. Ambas sem sintomas evidentes.

Sífilis terciária

  • Até 40 anos depois do início da infecção, a Sífilis pode surgir, apresentando sinais e sintomas como lesões cutâneas, ósseas, cardiovasculares e neurológicas, podendo levar à morte.

A boa notícia é: TODAS as ISTs são prevenidas com o uso de preservativo.

Métodos contraceptivos que cuidam da saúde da mulher

É o(a) ginecologista que vai ajudar a escolher o melhor método contraceptivo para o seu organismo. Mas os métodos de barreira, seja ele preservativo masculino ou feminino, são os que protegem completamente do contato direto com as áreas de possível infecção.

Caso você decida complementar a utilização do preservativo com outro método anticoncepcional, deve visitar o ginecologista, pois ele deverá indicar os métodos adequados às suas necessidades e também a necessidade de exames.

Leia mais sobre os métodos contraceptivos disponíveis pra você.

Comece com o cuidado com o seu corpo e estenda cuidando também de quem está com você, conversando sobre a necessidade do uso do preservativo . Caso você descubra que tem alguma Infecção Sexualmente Transmissível, é muito importante alertar seu parceiro ou sua parceira, para saber se ele(a) apresenta os mesmos sintomas. Isso interrompe uma possível cadeia de transmissão.

O empoderamento feminino é sobre colocar a sua saúde em primeiro lugar. Portanto, conhecer bem o seu corpo, e o que pode atentar contra a saúde dele, é um cuidado com você mesma e com a pessoa que você mantém relações.

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