Infecções Sexualmente Transmissíveis existem! Prevenção é o caminho

O autoconhecimento pode ajudar a prevenir além de identificar a presença de IST no corpo. A saúde da mulher pode ser protegida por meio de ações simples

Para algumas pessoas, as Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) podem parecer distantes e irreais. Mas não se engane: elas existem e, segundo os dados mais recentes, estão se espalhando com uma grande frequência. A proteção durante o ato sexual é uma medida simples que protege de diversas infecções. Além disso, é preciso se informar! Será que você sabe como identificar os sintomas de uma IST e, principalmente, como se prevenir?

As principais IST no Brasil

No nosso país, segundo a FEBRASGO (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia), casos como os de HIV, vírus que causa a aids, e do Papilomavírus, que causa o câncer do colo do útero, por exemplo, têm aumentado, e muito disso é por falta de prevenção e de diagnóstico.

Segundo dados do Governo Federal, algumas doenças têm aparecido de forma recorrente no Brasil, e muitas delas, por desinformação e falta de prevenção correta. Principalmente entre os jovens! São elas: 

HIV

O  HIV é o vírus que pode fazer com que a aids se desenvolva no organismo do seu portador. A aids é uma doença que por muito tempo foi considerada letal. 

Agora, ela tem tratamento, que deve ser iniciado imediatamente após a descoberta.

O fato de ser soropositivo – ou seja, ter contraído o vírus – não significa que a pessoa tenha aids. A doença pode ou não se desenvolver. O tratamento contribui para a redução da carga viral que, em alguns casos, pode ficar indetectável.

Nos casos em que a aids se desenvolve no organismo, a terapia retroviral é fundamental para lidar com suas consequências (como as infecções que aparecem porque o sistema imunológico está debilitado), mas ainda não existe cura! Mulheres grávidas têm 20% de chances de passar a doença para o feto, quando não tratadas. A porcentagem cai para 1% quando há tratamento.

O mais alarmante é que a IST está recorrente em pessoas jovens, por volta dos 19 anos.

HPV

O Papilomavírus Humano pode causar câncer, principalmente no colo do útero, sendo mais agressivo em pessoas com baixa imunidade e em gestantes. Verrugas, coceira e lesões no ânus, vagina, vulva, colo do útero, garganta e boca são alguns dos sintomas. Existem mais de 200 tipos de HPV.

Segundo relata o Estudo Epidemiológico sobre a Prevalência Nacional de Infecção pelo HPV, em teste feito com 7.856 pessoas, 54,6% foram identificadas com o vírus do HPV, e 38,4% estavam propensas a desenvolver câncer.

Sífilis

A sífilis é uma doença que pode se desenvolver silenciosamente. Um dos possíveis sintomas é o aparecimento de feridas ou pequenos caroços nos órgãos genitais, que podem sumir com o tempo. Isso não significa que a infecção chegou ao fim: ela pode continuar no organismo mesmo sem sintomas. Cegueira, paralisia, danos ao cérebro, e até morte podem ser causados por ela.

O tratamento, geralmente feito com antibióticos, também é fundamental quando falamos em gravidez. Quando não tratada adequadamente durante a gestação, a sífilis também pode ser transmitida ao feto, de forma que a criança pode nascer com sífilis congênita. Os sintomas podem aparecer nos primeiros meses de vida ou no segundo ano de vida. Por isso, é preciso buscar orientação médica. 

Gonorreia e Clamídia

A gonorreia, por exemplo, é a IST mais comum no mundo e tem se tornado cada vez mais difícil de ser curada. Isso porque, por ser uma bactéria, ela começou a ficar resistente a medicamentos. E um dos principais motivos é a falta de prevenção, a falta de uso de preservativos (camisinha masculina ou camisinha feminina).

Tanto a Gonorreia quanto a Sífilis atacam os órgãos genitais, tanto masculino quanto feminino, provocando dor durante o sexo, podendo comprometer, também, a possibilidade de ter filhos. As partes do corpo que podem ser afetadas pela Gonorreia são, principalmente, colo do útero, reto, garganta e olhos. No caso da Clamídia, mais comum entre jovens e adolescentes, os principais sintomas são ardor na hora de urinar e corrimento.

Como identificar sintomas de IST

Os sintomas das IST podem manifestar-se em momentos diferentes e de formas distintas em cada organismo, por isso, é importante que você possa reconhecer: 

Adotando esses hábitos em sua rotina, é possível ficar mais alerta e saber identificar possíveis alterações. Mas, é muito importante se prevenir com contraceptivos de barreira. A camisinha é o método mais eficaz para não contrair IST por meio de relações sexuais.

Para saber mais sobre IST e como agem no seu organismo, veja: Aparelho Reprodutor Feminino: como protegê-lo das ISTs

A campanha Ela Decide é sobre empoderar-se do próprio corpo, conhecer os seus direitos sexuais e reprodutivos e ter autonomia sobre o seu próprio prazer, o que envolve também o sexo seguro.

Prevenir-se é a maior prova de autoestima que você pode dar a si mesma. Compartilhe essas informações com suas amigas e familiares, elas podem ter as mesmas dúvidas que você. 

 

Linkgrafia

https://www.febrasgo.org.br/pt/noticias/item/565-numero-de-infeccoes-sexualmente-transmissiveis-ist-aumenta

https://www.bbc.com/portuguese/geral-47250839

https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/saude/infeccoes-sexualmente-transmissiveis-as-4-enfermidades-que-preocupam-os-especialistas,b1de26f5690defec1caf497066449349ko4nufaw.html

https://ponte.org/ginecologistas-nao-sabem-lidar-com-mulheres-lesbicas-e-bissexuais-aponta-livro/https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/ciencia-e-saude/2018/12/13/interna_ciencia_saude,725222/sifilis-volta-a-ser-uma-epidemia-no-brasil-e-preocupa-especialistas.shtml

Sexo e relações de poder: você decide pela sua proteção na hora H?

Sexo desprotegido e o aumento das infecções sexualmente transmissíveis no Brasil colocam em debate a autonomia da mulher na relação sexual 

Respeito, cuidado mútuo e prazer. No início da vida sexual de uma jovem ou adolescente, há muitos aspectos que fogem à educação sexual integral, pois, no Brasil, este ainda não é um assunto discutido em profundidade em casa ou nas escolas. A dificuldade de acesso à informação sobre formas de contracepção e de prevenção cria tabus no momento em que a jovem mais precisa munir-se de métodos para a prática do sexo saudável. E cria tabus que são repercutidos na geração atual e nas gerações futuras. 

Segundo pesquisa da Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia de São Paulo, apresentada no Programa Panorama, com cerca de 846 profissionais ginecologistas, apenas 45% das adolescentes usam camisinha na primeira relação sexual, e 46% dos respondentes afirmam que menos da metade das jovens continua usando nas demais relações íntimas. Esse quadro aponta para outro mais grave: com menos jovens protegidas, o risco da proliferação de infecções sexualmente transmissíveis no Brasil aumenta: elas crescem à medida em que a saúde da mulher é deixada de lado.

Infecções sexualmente transmissíveis e a saúde da mulher brasileira 

O Brasil se vê diante de um novo avanço de infecções sexualmente transmissíveis, muitas delas já eram consideradas controladas no território nacional, como a AIDS, e a sífilis. 

As doenças relacionadas à AIDS continuam sendo algumas das principais causas de mortalidade entre mulheres de 15 a 49 anos no mundo, segundo boletim da UNAIDS. A sífilis, por sua vez, é uma infecção sexualmente transmissível cujo número de casos saltou de 1.549 para 87.993 em apenas 6 anos (de 2010 e 2016), de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS). 

Tanto a AIDS quanto a sífilis são doenças silenciosas, que ficam em estado latente, e só se manifestam no indivíduo depois de muito tempo, geralmente em casos já avançados. Por isso, uma rotina de exames preventivos, é o que pode fazer a diferença no momento de cuidar da saúde sexual feminina. 

Ler mais sobre as doenças que afetam a saúde da mulher e como preveni-las é fundamental para conhecer o seu corpo, entender os sintomas que podem aparecer nele em qualquer fase da vida e escolher métodos de prevenção que possam acompanhá-las durante a vida sexual.

Cuidados essenciais com a saúde do corpo da mulher 

Dar início à vida sexual não é nada fácil. Existem inseguranças relacionadas ao corpo, aos parceiros(as), e à própria saúde. No entanto, o que previne a mulher de qualquer risco é o acesso à informação e aos exames de rotina. 

Como tornar o sexo uma fonte de informação e realização?

    • Cuidar do seu corpo em primeiro lugar: cada corpo funciona de uma maneira, e um profissional de saúde é o mais indicado para responder às principais dúvidas das jovens e adolescentes sobre as mudanças que estão ocorrendo em seu corpo, sobre métodos contraceptivos, e sobre sexo seguro.

 

  • Negociar com o parceiro(a) é fundamental: uma relação é um momento de intimidade e cuidado a dois. Por isso, entrar em consenso com o parceiro(a) sobre o uso de um método capaz de prevenir a gravidez não planejada e infecções sexualmente transmissíveis é a melhor maneira de aproveitar o momento do sexo, sem neuroses. 
  • Para prevenir doenças silenciosas, exames de rotina: quem vê cara não vê o histórico de saúde. Tendo isso em vista, cuidar de si mesma, e do parceiro(a), prevenindo-se contra doenças que não dão sinais de que estão ali, é um ato de autocuidado e autoamor. Por isso, pela menos 1 vez ao ano, vá ao ginecologista fazer o preventivo. 

A campanha Ela Decide é um momento em que todas podem trocar experiências e adquirir informações. Falar sobre o seu corpo e entender mais sobre ele faz com que você se empodere e saiba como lidar melhor em situações diversas, além de saber sobre seus direitos sexuais e direitos reprodutivos. Compartilhe e converse com as mulheres que você conhece. #eladecide #saudedamulher 

Síndrome do Ovário Policístico: o que é, como identificar e tratar

Sobrepeso, acne, excesso de pelos, atraso ou falta de ovulação, infertilidade. Essas são algumas das características que podem indicar a SOP – Síndrome de Ovários Policísticos. No entanto, esses sintomas não significam obrigatoriamente que a mulher esteja com a síndrome. Aqui, você vai saber mais sobre ela e sobre como tratá-la.

Falar sobre direitos sexuais e direitos reprodutivos é falar, antes de tudo, sobre conhecer o próprio corpo e empoderar-se dele. Isso porque, quando você entende como funciona cada parte é mais fácil entender reações, como se relacionar melhor consigo e cuidar melhor de si mesma.

Quando se fala sobre Aparelho Reprodutor Feminino é imprescindível ter conhecimento das doenças, infecções e síndromes que podem acometê-lo. A Síndrome de Ovários Policísticos (SOP), por exemplo, atinge uma parcela importante das mulheres.

Confira, a seguir, mais informações sobre a SOP, a diferença entre ter a síndrome e ter ovários policísticos e como proteger o seu aparelho reprodutor.

Os ovários e seu funcionamento

Os ovários são glândulas onde são produzidos os óvulos. As mulheres já nascem com todos os óvulos que vão ser liberados ao longo da vida, mas eles só são liberados depois de amadurecidos. Antes de serem liberados, ficam dentro de folículos.  

Para ocorrer a liberação dos óvulos, alguns hormônios entram em ação. Isso vai fazer com que o óvulo maduro seja liberado, percorra a tuba uterina e, em caso de relação sexual no período fértil, pode haver a sua fecundação – e a gravidez.

Qual a diferença entre ovários policísticos e a Síndrome dos Ovários Policísticos?

Os cistos no ovários ocorrem quando óvulos liberados não amadureceram de forma correta, pois sofreram a influência excessiva de andrógenos (hormônios masculinos, mas que as mulheres também têm).

Resultado: os óvulos ficam enrijecidos e viram cistos. Quando vários deles instalam-se no órgão, ele se torna um ovário policístico. Mas ter um ovário policístico é diferente de ter a Síndrome dos Ovários Policísticos.

A SOP é caracterizada por pelo menos 2 desses 3 fatores:

  • Disfunção na ovulação: a ovulação fica diminuída ou a mulher não ovula
  • Aumento do nível de hormônios masculinos
  • Aparência policística nos ovários (visível mediante ultrassonografia)

Em alguns casos, pode ser que a mulher não apresente cistos nos ovários, mas esteja com a Síndrome. O cuidado deve ser redobrado.

Por que a Síndrome do Ovário Policístico ocorre?

As primeiras manifestações da Síndrome podem ocorrer na adolescência, cerca de 2 anos depois da menarca (primeira menstruação). As causas da SOP ainda estão em discussão, mas alguns estudos e pesquisas apontam que a origem pode ser genética e que haja uma ligação com resistência à insulina, hormônio responsável pelo controle de açúcar no sangue. O excesso de glicose influencia a produção dos hormônios masculinos, resultando na Síndrome.

E se eu tiver SOP? Quais as consequências?

Mulheres com a Síndrome têm dificuldade para engravidar (pela diminuição da ovulação), podem apresentar excesso de pelos no corpo (características masculinas), acne e sobrepeso . Se você tiver essas características não significa necessariamente que tem SOP – vale a pena consultar um(a) médico(a).

Portanto, se você planeja ter filhos, deve redobrar o cuidado para diagnosticar o quanto antes, pois a SOP pode prejudicar esse planejamento. Em alguns casos, a obesidade também pode estar relacionada à Síndrome.

Para acompanhar o que acontece com o seu aparelho reprodutivo, é essencial que você visite um ou um(a) médico(a) com regularidade. Ele ou ela é o profissional mais indicado para diagnosticar se existe algo fora do normal com sua produção de hormônios  e com seus ovários.

Essas visitas devem ser preventivas e rotineiras (constantes), para evitar a SOP, e também com foco em tratamento, caso seja identificado algum problema. Isso porque o diagnóstico precoce da Síndrome de Ovários Policísticos pode ajudar na redução de riscos de infertilidade no futuro.

Conheça seu corpo e como ele funciona. Converse com seu médico sobre isso e previna-se. A campanha Ela Decide é um ambiente de trocas. Converse com outras mulheres também. Lembre-se: você não está sozinha. #ElaDecide.

Leia mais sobre Aparelho Reprodutor e saúde feminina.

 

As doenças que afetam as mulheres e como preveni-las

Quando se fala de saúde feminina, a lista de doenças que acometem as mulheres não é curta. Por falta de informação ou baixa frequência a(o) médica(o), elas são acometidas por enfermidades que podem ser facilmente prevenidas. Veja como evitar.

Desde a primeira vez que você foi ao ou à ginecologista, quantas doenças conheceu, quantos alterações no seu corpo conseguiu identificar e quantos problemas conseguiu solucionar pelo simples conhecimento do seu corpo e prevenção?

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), doenças ligadas à saúde reprodutiva e à maternidade encabeçam a lista de enfermidades que acometem mulheres no mundo. Enquanto câncer de mama e do colo do útero, além de ISTs, são motivo de alarme, é fundamental termos em mente que a prevenção é a chave para evitar que o corpo adoeça e, caso isso ocorra, que quadros mais graves não se instalem.

A campanha Ela Decide Seu Presente e Seu Futuro é uma iniciativa para que mulheres conheçam mais sobre seu corpo e também passem a reconhecer nele mudanças  e reações que possam indicar o seu adoecimento. Vamos conhecer alguns inimigos do organismo da mulher.

ISTs

As Infecções Sexualmente Transmissíveis são motivo de adoecimento de muitas mulheres no Brasil, por falta de prevenção. A simples utilização da camisinha masculina ou feminina evita as chamadas “doenças do sexo”, como Sífilis, Gonorreia, HPV, Câncer do Colo de Útero, HIV/AIDS entre outras.

Em nosso país, a vida sexual começa, em média, entre os 13 e os 17 anos. Portanto, meninas e jovens mulheres devem se manter informadas tanto sobre seus corpos quanto sobre formas de protegê-lo. Ir regularmente ao(à) ginecologista – você pode optar por um(a) médico(a) de outra especialidade – é primordial , não só para receber informações sobre métodos contraceptivos e maneiras de evitar ISTs, como também para realizar exames preventivos.

Saiba mais sobre como proteger seu aparelho reprodutor das ISTs

Câncer

Segundo o INCA (Instituto Nacional do Câncer) e o Ministério da Saúde, o câncer é o maior fator de mortalidade para pessoas entre 15 e 29 anos, retirando mortes por causas externas. Ainda segundo o relato, o carcinoma é o tipo mais encontrado de câncer, aparecendo na mama e no colo do útero.

Câncer do Colo do Útero – o câncer do colo do útero geralmente está ligado diretamente ao HPV, um vírus que pode ser evitado com o uso de camisinha  e de vacina disponível no SUS. O HPV pode, inclusive, gerar outras complicações além do câncer no colo do útero.

O exame Papanicolau ou Preventivo deve ser feito periodicamente por mulheres sexualmente ativas. Caso a mulher ainda não tenha iniciado a vida sexual, um exame preventivo adequado pode ser feito. O Papanicolau é feito clinicamente por médicos e até mesmo por enfermeiros(as) e a amostra é analisada em laboratório. Se feito regularmente, ajuda a prevenir o câncer do colo do útero e a diagnosticar outras possíveis complicações no órgão. Caso você já tenha iniciado sua vida sexual e nunca tenha feito um procedimento do tipo, procure uma unidade de saúde ou seu seu médico e peça o exame.

Câncer de Mama – o câncer de mama é o segundo tipo de câncer mais comum entre as mulheres no Brasil. Em 2015, a estimativa era registrar cerca de 57.120 novos casos. A forma de prevenir esse tipo de câncer é examinando-se com cuidado: com o exame de toque, que você mesma pode fazer, o exame clínico com médico, e por meio da mamografia.

É fundamental conhecer o próprio corpo e evitar preconceitos – como, por exemplo, o de que meninas não devem se vacinar contra HPV, por serem jovens demais (meninas a partir de 9 anos já podem ser vacinadas).

Saiba mais sobre o aparelho reprodutor feminino e como cuidar do seu.

Outros cânceres –  menos falados, porém não menos perigosos, o câncer dos ovários e o câncer do endométrio também são doenças que acometem o aparelho reprodutor feminino.  Eles possuem diagnósticos específicos, feitos por um ou uma ginecologista.

Doenças ligadas à saúde reprodutiva e à maternidade

Por fatores exclusivos do organismo feminino, como menstruação menopausa, gravidez, assim como órgãos e glândulas,como ovários, útero e mamas desenvolvidas, as mulheres podem desenvolver doenças específicas, que homens não desenvolvem – ou apresentam em menor escala.

Depressão pós-parto – segundo a OMS, os casos de depressão pós-parto em países de baixa renda chegam a quase 20% da população de grávidas. Assim, cuidados como acompanhamento psicológico da futura mãe no pré-parto e pós-parto são muito importantes.

Diabetes durante a maternidade – uma dieta especial pode prevenir essa doença que acomete tanto diabéticas quanto grávidas que nunca tiveram o problema. A mulher pode desenvolver a diabetes durante a gravidez e, depois, continuar ou não com a enfermidade.

Hipertensão durante a maternidade – a pré-eclampsia, como é conhecida, pode ocorrer tanto em grávidas hipertensas quanto em gestantes que apresentam pressão normal antes da gravidez.  A hipertensão resultar na diminuição de oxigenação do feto, mas o problema pode ser facilmente diagnosticado no pré-natal. Esta e várias outras condições que podem ser identificadas no pré-natal são fundamentais pois, se não são adequadamente tratadas, há riscos bastante graves para a saúde e até para a vida da gestante.

Informação é a melhor forma de prevenção

O pleno desenvolvimento das jovens e mulheres se dá quando elas têm acesso à informação e acesso à saúde integral. A detecção precoce de um problema aumenta muito as chances de tratamento e cura.

Lembre-se sempre que você não está sozinha e que problemas relacionados à saúde da mulher podem ser prevenidos e tratados.

Conhecer o seu corpo, tirar todas as dúvidas com seu médico ou com um(a) enfermeiro(a) e cuidar da sua saúde  antes, durante e depois da relação sexual é um direito seu. #ElaDecide

Gerando vida, construindo parcerias e famílias

Uma gravidez pode transformar a vida da mulher e de quem estiver ao seu lado. Se o homem assumir o seu papel de pai, pode ser criada uma parceria estreita e enriquecedora para todos.

A gestação é um momento único na vida de grande parte das mulheres. As mudanças emocionais e físicas são marcantes, e variam conforme a fase da gravidez. Neste período, sentimentos de ansiedade, medo, insegurança e tristeza competem com alegria, felicidade e amor. A mulher vive em uma “gangorra emocional” e o apoio e a compreensão do(a) companheiro(a), familiares e amigos(as) são fundamentais para a gestação evoluir de maneira saudável, tanto para o bebê quanto para a mãe. E, em relação à saúde física, os cuidados devem ser acompanhados pelo ou pela obstetra no decorrer das consultas do pré-natal.

É durante o pré-natal que as dúvidas das mães, e dos pais, sobre alterações hormonais, transformações do corpo materno, crescimento e desenvolvimento do bebê são esclarecidas. Esta fase também é fundamental para diagnosticar doenças congênitas ou malformações.

O envolvimento do homem durante o pré-natal reflete uma conscientização da importância de acompanhar e dar suporte à mulher neste período, além de estabelecer e/ou fortalecer a relação entre pai e filho.

De acordo com o Guia do Pré-Natal do Parceiro para Profissionais de Saúde do Ministério da Saúde, lançado em 2016, “historicamente, tanto o planejamento reprodutivo quanto as ações em saúde voltadas ao momento da gestação, parto e puerpério (pós-parto) foram pensadas e direcionadas às mulheres e às gestantes”, o que acabava por não incentivar a participação do homem durante o período gestacional da mulher. Neste contexto, a responsabilidade sobre a saúde e desenvolvimento do bebê já recaía de forma unilateral sobre a mãe, estendendo-se também à criação e educação das crianças.

Hoje, na busca por diminuir essa desigualdade, incentiva-se que o pai seja presente e participativo desde o planejamento reprodutivo, uma vez que isso pode levar a uma paternidade mais interativa e cuidadora.

Em que consiste o pré-natal do parceiro?

Quando a mulher pretende engravidar, ou assim que confirma a gravidez, ela começa a realizar o pré-natal, que é a rotina de consultas e exames para as gestantes e futuras gestantes. Da mesma maneira, o Ministério da Saúde tem implementado o pré-natal do parceiro, que busca estimular a presença do pai nas consultas do pré-natal, bem como solicita ao homem a realização alguns exames já feitos pelas mulheres normalmente, como sorologia para hepatite B e C, HIV e sífilis, além de exames de sangue para detectar presença ou não de diabetes, verificar níveis de colesterol e medição da pressão arterial.

É importante ter a noção de que gravidez não é exclusividade do universo feminino. Homens e mulheres podem mudar este paradigma, envolvendo e qualificando os homens na prevenção de transmissão de doenças durante a gestação, na atenção e cuidados com a saúde da mulher durante a  gravidez, no pós-parto, e na dedicação e responsabilidades para com o recém-nascido (o que só tende a aumentar os laços familiares).

Vale destacar ainda, que, segundo o Guia, o Ministério da Saúde também tem o propósito de fazer do pré-natal do parceiro “uma das principais ‘portas de entrada’ aos serviços ofertados pela Atenção Básica em saúde a esta população, ao enfatizar ações orientadas à prevenção, à promoção, ao autocuidado e à adoção de estilos de vida mais saudáveis. ”

Trabalho de parto e pós-parto

O momento do parto é um dos momentos mais críticos na vida das mulheres que decidem ser mães. Independentemente do tipo de parto que será realizado, cesárea ou vaginal, o momento é delicado e oferece alguns riscos. Contudo, desde 2005, está em vigor no Brasil a Lei do Acompanhante. Por meio desta lei é garantida à parturiente a presença de alguém conhecido e de confiança para acompanhar o parto, bem como o pós-parto imediato (período por até 10 dias).

Tanto os hospitais da rede pública quanto os da rede privada devem permitir que a gestante escolha uma pessoa, parente ou não, homem ou mulher, para ser acompanhante.  A presença de uma pessoa conhecida e de confiança da gestante estimula que os pais possam estar cada vez mais envolvidos.

Você não está sozinha. Estimule seu parceiro a vivenciar a gestação compartilhada e a paternidade participativa. Faz bem para você, para ele, para o bebê. Faz bem para a família. #ElaDecide

Papo aberto: respondendo a dúvidas sobre métodos contraceptivos, ISTs e mais

Perguntas, conversas e um diálogo próximo fazem da campanha Ela Decide um espaço para jovens entenderem melhor sobre seus corpos, seus direitos e a eficácia de métodos contraceptivos. Confira respostas para algumas das dúvidas que recebemos

Desde que teve início a campanha Ela Decide Seu Presente e Seu Futuro, muitas mulheres jovens tiveram a possibilidade de se informar sobre seus corpos, seus direitos sexuais e seus direitos reprodutivos. Mais ainda: a iniciativa abriu espaço para que muitas dúvidas fossem trazidas à tona.

Separamos perguntas  feitas por mulheres que entraram na conversa e querem saber como reagem seus corpos, quais são os seus direitos e como usar melhor os métodos contraceptivos.

A pílula: um método contraceptivo popular, mas cercado de perguntas

Algumas mulheres se questionam sobre como começar a tomar a pílula, se precisam ir mesmo à ginecologista. Veja as respostas esclarecedoras que a ginecologista e obstetra Albertina Duarte Takiuti concedeu à Ela Decide.  

Pergunta: Posso começar a usar pílula por conta própria?

Dra Albertina:O ideal é que uma consulta seja feita. Porque se a adolescente tiver pressão alta, diabetes ou até anemia, é recomendado um outro tipo de anticoncepcional. Mas tomar uma dosagem baixa de método anticoncepcional é melhor do que ela tomar pílula do dia seguinte. O ideal é que ela tenha uma consulta, que ela veja como está sua pressão, seu coração, se ela não tem anemia, não é diabética e se não há nenhum problema de circulação. Assim ela garante o melhor uso do anticoncepcional. Receitar ou usar a receita da amiga é uma furada.

Pergunta: Quando a pílula começa a fazer efeito?

Dra Albertina: Sempre depois do primeiro mês. Mas se você se atrapalhar, precisa ser o finzinho da cartela. Se tiver faltando 3 ou 4 dias, já fez efeito. Mas, o ideal mesmo é após o primeiro mês da pílula.

Pergunta: Quais são os remédios que podem prejudicar o efeito da pilula?

Dra Albertina: Antibióticos, calmantes, remédios para epilepsia e até remédios para hipertensão.

Pergunta: Esqueci de tomar a pílula um dia. Posso engravidar?

Dra Albertina: Se você esquecer um dia, você pode menstruar e pode engravidar. Então, se você deixar um dia, no dia seguinte, de manhã, já tome uma. E continue tomando. Mas é bom que use preservativo sempre. Quando você esquecer de tomar pílula, fique esperta! Use preservativo até o fim da cartela.

Pergunta: Qual a diferença da micro pílula pra pílula normal?

Dra Albertina: A micro pílula é uma dose só de progesterona. Não é que ela seja micro, é que ela é feita só de um hormônio, a progesterona. Geralmente, a gente usa em alguns casos após a amamentação, ou quando adolescentes não podem tomar o estrógeno, por exemplo, em casos de problemas cardíacos ou diabetes. Tem anticoncepcional que é um combinado de estrógeno e progesterona, e há outro tipo que é feito só de progesterona, essa é a principal diferença entre elas.

Pergunta: Usar um contraceptivo por muito tempo pode levar à infertilidade?

Dra Albertina: Não, não vai levar à infertilidade. Hoje as dosagens das pílulas que estão no mercado são muito boas, então a adolescente pode usar por 10, 15 anos. E quando parar, cuidado, ela pode engravidar, sim. Então esse mito da infertilidade não é verdade, porque a maioria das pílulas vendidas, parando um mês, a mulher pode engravidar no mês seguinte.

E os métodos contraceptivos modernos como DIU e implantes?

Algumas dúvidas sobre DIU de cobre, DIU hormonal, a influência do(a) parceiro(a) na decisão do uso desses métodos contraceptivos apareceram em nossas redes sociais também. Sobre esses temas, procuramos a docente da Escola de Enfermagem da USP Ana Luiza Vilela Borges.

Pergunta: Há idade mínima pra colocar o DIU?

Ana Luiza: Tanto a Organização Mundial de Saúde (OMS) quanto o próprio Ministério da Saúde definem que a idade mínima para colocar o DIU de cobre é a partir da menarca (primeira menstruação). Então, não há uma idade mínima estabelecida. As duas instituições deixam bem claro que é a partir da menarca. Se for o sistema intrauterino, chamado DIU hormonal de levonogestrel, aí ele entra nos critérios para o uso de métodos hormonais. Se for a base de estrogênio, pode comprometer a densidade óssea na adolescência, então depende da dosagem, e passa a ter um critério mais específico.

Pergunta: Posso usar DIU e pílula ao mesmo tempo?

Ana Luiza: A eficácia do DIU é maior que a da pílula. A do DIU hormonal e do implante, que são hormonais, chegam a se equiparar à dos métodos irreversíveis (ou dos métodos permanentes) que são a vasectomia e a laqueadura. Então, na verdade, quando você coloca o DIU, você não precisa usar nenhum outro método para proteger da gravidez. Você pode usar camisinha para se proteger das Infecções Sexualmente Transmissíveis.

Pergunta: Há contraindicação para o uso do DIU de cobre?

Ana Luiza: O DIU de cobre pode provocar muito mais sangramento durante a menstruação e muito mais cólica menstrual. Então, por exemplo, para as mulheres que já têm esse relato de cólica, é necessário se perguntar: “você está disposta a usar um método que pode aumentar sua cólica, pode aumentar seu sangramento menstrual?”. Então, ele tem a contra indicação, por exemplo, em casos de mulheres com anemias graves, você não vai colocar o DIU de cobre porque ele pode aumentar os sangramentos.

Pergunta: É verdade que o DIU pode levar a um câncer do útero ou à infertilidade?

Ana Luiza: Não tem nenhuma evidência de que o DIU dá câncer, nem outros tipos de DIU, nem provoca infertilidade. Não tem nenhuma evidência científica.

Pergunta: Posso colocar um implante subdérmico ou DIU de hormônio pelo SUS?

Ana Luiza: Algumas prefeituras disponibilizaram para populações muito específicas, por exemplo, mulheres que são usuárias de drogas, ou adolescentes que estão ali na segunda ou terceira gravidez, para evitar essa repetição da gravidez na adolescência. Mas são algumas prefeituras que investiram nisso para populações muito específicas. Em uma unidade básica normal, tradicional, eles não estão disponíveis.

Pergunta: Preciso de autorização do parceiro para usar um método contraceptivo?

Ana Luiza: Para laqueadura e vasectomia, existem especificações que são da Lei do Planejamento Familiar, de 1996,  e o principal deles é ter, no mínimo, 25 anos ou 2 filhos. E aí a lei coloca que precisa da autorização do parceiro. Isso também é bastante controverso, mas a lei diz que sim.

Na questão do DIU,  existe um termo de consentimento em que a mulher é informada de como é o procedimento e que pode haver falhas. Como todos os demais métodos contraceptivos, é um método muito eficaz, mas também tem falha. Para por o DIU, ela não necessita de autorização do parceiro, não tem idade mínima nem máxima e não há nada previsto quanto ao número mínimo de filhos: uma nulípara pode colocar o DIU, sim.

Tirando dúvidas adicionais: ida à ginecologista, como usar camisinha e falha nos métodos contraceptivos

Tanto a Dra Albertina quanto a docente Ana Luiza responderam a outras perguntas que não eram exatamente sobre a pílula ou o DIU. Elas falaram sobre a ida à ginecologista pela primeira vez, sobre laqueadura e sobre a taxa de falha de métodos contraceptivos.

Pergunta: Tenho menos de 18 anos. Posso ir sozinha a uma consulta ginecológica?

Dra Albertina: Pode. Existe uma legislação que permite que a adolescente possa ir. E que o sigilo só vai ser rompido se houver risco de morte e, mesmo assim, avisado à adolescente.

Pergunta: Posso fazer laqueadura mesmo sem ter filhos?

Dra Albertina: Essa é uma grande discussão. Em alguns casos, quando há problemas de saúde, problemas de doenças, ainda assim é uma grande discussão. A mulher tem o direito de planejar o seu número de filhos, de ter os filhos que quiser, ou de não ter nenhum. Então, essa é uma discussão que precisa ser cada vez mais feita. Por enquanto, é muito difícil que uma mulher sem estar doente, só por decisão de não querer ter filhos, possa fazer uma laqueadura.

Pergunta: Posso engravidar usando métodos contraceptivos?

Ana Luiza: Não existe nenhum método contraceptivo que seja 100% eficaz. Sempre tem uma taxa de falha. As menores taxas de falha estão justamente no DIU, no implante subdérmico e nos métodos permanentes (vasectomia para os homens e laqueadura para as mulheres).

Pergunta: Quando usar a camisinha feminina, devo usar a masculina também?

Ana Luiza: Não. Não deve usar, de forma alguma. Nem pode nem deve, porque o látex (da camisinha masculina) não suporta o poliuretano, que é o material que é usado na camisinha feminina. Então, nessa fricção pode haver a ruptura da borracha da camisinha.Não pode, não deve e nemé necessário: se for bem usado, basta um deles.

Você já se fez alguma dessas perguntas? Algumas das mulheres que você conhece têm esses ou outros questionamentos sobre qualquer tema relacionado aos direitos sexuais e reprodutivos da mulher e a relação com o próprio corpo? Lembre-se sempre: esse espaço para esclarecer dúvidas é seu. Você não está sozinha. Compartilhe. #Ela Decide

 

Pronta para iniciar sua vida sexual?

Sem preconceitos ou tabus. Na hora H, o que vale é estar segura para decidir: quando, onde, com quem e como se proteger. As escolhas são suas.

Você lembra como deu início à sua vida sexual?

Muitas dúvidas e expectativas permeiam esse primeiro momento, por isso, a iniciação sexual deve ser tratada com clareza, livre de preconceitos ou tabus.

Embora não existam regras, para a primeira transa é fundamental que a pessoa se sinta  preparada, tenha certeza de que é isso que quer e sinta que pode confiar no parceiro ou parceira. Aqui, vale a espera pelo momento ideal e o respeito ao próprio tempo. A decisão de quando, onde e com quem vai rolar a primeira vez é de cada garota, de cada mulher. Iniciar a vida sexual deve ser uma escolha. Continuar lendo “Pronta para iniciar sua vida sexual?”