Tirando de letra o cuidado com o corpo

O consultório ginecológico é um ambiente onde você se sente amparada e segura ou rola uma apreensão diante da dinâmica da consulta? Se a segunda opção está mais próxima do que você imagina ou do que já passou, se liga na troca de ideias que tivemos.

A ginecologista, obstetra e sexóloga Fátima Duarte acredita que é preciso entender o quanto cada corpo é único. Desde o tamanho de um seio em comparação ao outro, aos pêlos pelo corpo e até em relação ao ciclo menstrual: há um caminho que precisa passar por informação, por diálogo, pelo respeito aos direitos sexuais e reprodutivos. “Precisamos democratizar conhecimentos de maneira multidisciplinar. Isso deve envolver uma série de profissionais. Todas as pessoas precisam se abrir para essa construção, para enxergar a mulher como um todo”, diz a médica, que há sete anos está à frente do projeto Sábado Sem Barreiras, dedicado à saúde de mulheres com deficiência.

Nessa jornada de se conhecer e de fazer as próprias escolhas, a estudante de pedagogia Mileni Natalie conta como prefere ser atendida: “No meu caso, me sinto 100% confortável me consultando com uma médica mulher, não desmerecendo os médicos do gênero masculino, mas me sinto segura”. Outro ponto importante para ela é poder estabelecer um diálogo sobre sua própria sexualidade. “Sempre deixei claro que só me relacionava com mulheres. Acredito que as mulheres estão se sentindo mais confortáveis para falar da sua sexualidade.”

A obstetriz e ativista pela educação sexual Lucila Pougy realiza há dois anos a oficina sobre o tema Meu Corpo No Papel, voltada para jovens do ensino médio de escolas públicas de São Paulo, e concorda com Mileni. “Acho que é uma geração mais aberta, mais fluida, que se sente estimulada ao conhecimento e que interage bastante. Recentemente, dei uma atividade num grupo onde havia uma menina trans, que era curiosa, participativa e, principalmente super acolhida pelos colegas. O que sinto que ainda há muitas dúvidas, não apenas das jovens quanto das mulheres experientes. Por isso, é muito importante que a gente converse abertamente, reflita e pratique uma rotina de cuidados”, conta.

Desafios
“Acredito que é fundamental um olhar cuidadoso no atendimento clínico protetivo, seja ele de rotina ginecológica ou um pré-natal”, sugere Julieta Jacob, mestra em Direitos Humanos pela UFPE e autora do livro Tuca e Juba – Prevenção de Violência Sexual Para Adolescentes. Ela lembra que as diversas necessidades e particularidades das mulheres devem ser atendidas sem julgamentos.

Um ponto importante é visibilizar as pessoas trans que procuram ginecologistas tanto pela saúde quanto pela construção do universo simbólico em que estão inseridas. O profissional médico precisa saber como fazer perguntas de maneira que se estabeleça a confiança. “A abordagem heteronormativa e cisgênera é autoritária. Eu acho importantíssima a construção de uma ginecologia mais atenta, que olhe para pacientes como um todo”, acrescenta Fátima Duarte.

Tamo junta

Alyne Ewelyn Santos é bióloga, grafiteira e militante movimento LGBQTI

Há também uma série de ferramentas que podem ser acessadas para se chegar a um consultório médico sem tantas inseguranças: rodas de conversa, redes de apoio e aulas interdisciplinares sobre corpo e sexualidade. Alyne Ewelyn Santos é bióloga, grafiteira e militante movimento LGBQTI. Participa da Liga Brasileira de Lésbicas e Bissexuais, do grupo Bisibilidade e de coletivos negros no Rio de Janeiro. “Discutir os direitos sexuais e reprodutivos é essencial, especialmente para mulheres negras”, afirma.

Alyne ressalta que a combinação de um bom atendimento com informação e autonomia podem ajudar a mudar uma realidade no Brasil: a gravidez não intencional na adolescência. Ela pode ser evitada com a orientação de ginecologistas e de outros atores que fortalecem a rede de atendimento aos jovens.

Qual é a idade certa para perder a virgindade?

A hora certa para iniciar a vida sexual é quando você se sentir à vontade. E quando você conhecer o seu corpo!

A gente sabe que sempre bate um turbilhão de dúvidas quando o assunto é transar pela primeira vez. Mas a gente tá aqui pra ajudar! Se ligue nas dicas =)

#Dica 1: Consulte um ginecologista: esse é o profissional que vai te ajudar a entender melhor o seu corpo e certificar-se se está tudo bem. Inclusive, é importante consultá-lo antes da primeira vez!

#Dica 2: Converse com o/a parceira/o: seja um relacionamento estável ou não, é legal bater um papo sobre o que vocês dois ou duas esperam daquele momento.

#Dica 3: Conheça o seu corpo: entender sobre o funcionamento do seu corpo é super importante. Isso faz você ficar mais certa das suas escolhas e ajuda a aproveitar melhor a relação sexual. Vocês conhecem bem como o seu corpo funciona, como se prepara para ter filhos e tudo o mais?  A gente te conta como acontece. #ficadica

#Dica 4: Não tenha pressa: respeite seu tempo. Esteja à vontade para iniciar sua vida sexual! Não precisa ter pressa. É muito importante respeitar seu corpo e suas escolhas

E quando estou num relacionamento estável: o que fazer?

Converse com o/a parceiro/a sobre sexualidade. Mostre mesmo o que você quer (ou não) na hora de perder a virgindade, se já pensa em quando isso irá acontecer e o que você espera. Fale e escute! 

Quando rolar a vontade de transar, esteja certa do que quer e só deixe que aconteça o que você estiver pronta e com vontade para fazer. É muito importante saber sobre como estar segura no sexo, inclusive saber que, sim, na primeira vez você pode engravidar e, caso queira isso, deve estar com a saúde em cima para que tudo ocorra bem.

Leia também: Diálogo e informação, base para um desenvolvimento sexual saudável

Então dá para ficar grávida na primeira vez?

Sabe qual a primeira dica para saber quando o corpo já é capaz de gerar um filho? A menarca! Que nada mais é do que a primeira menstruação e indica que a menina chegou ao período fértil. Depois disso, a gravidez passa a ser possível.  Fique atenta!

É  importante lembrar que o sexo não é apenas para a reprodução. E para ter prazer e não correr riscos,  é legal conhecer seu corpo, saber como funciona o seu aparelho reprodutor.

Na primeira vez, além de poder engravidar, você corre risco de adquirir infecções sexualmente transmissíveis, as IST, como sífilis, gonorreia e HIV.  Usar a camisinha é tipo unir o útil ao agradável: protege contra IST e é um boa forma de não ter filhos. 

Casei virgem: como convidar o/a parceiro/a a conhecer o meu corpo?

Pergunte a ele/a o que curte fazer. Tente ficar tranquila para conhecer seu próprio corpo sozinha também. Ah, e nunca esqueça dos métodos preventivos e contraceptivos, hein  =)

A vontade de agradar o outro provavelmente será grande. E tudo bem! Mas também se não esqueça que é importante que você também se satisfaça: o corpo é seu!

Vale a leitura: Os mitos sobre métodos contraceptivos e como evitar uma gravidez

Virei mãe na primeira transa. E agora como fica o sexo?

Então você decidiu transar a primeira vez e…aconteceu que ficou grávida! Se foi algo que planejou, ótimo! Se não for, tudo pode ficar bem quando você encontra sua rede de apoio, conhece o próprio corpo e vontades. 

Uma mulher que vira mãe ainda é uma mulher, com vontades e desejos, inclusive os sexuais. Cuidar da própria saúde e sexualidade é um ato de autocuidado e prevenção.

Ir às consultas de rotina na ginecologista é muito importante: é aí que você vai verificar se tem algo errado com seu corpo. Ir até a ginecologista não deve acontecer só quando você sente algo de errado. Isso ajuda a ter uma vida mais saudável.

Isso vai ajudar, inclusive, na vida sexual, já que há uma mudança hormonal muito grande. A vontade sexual pode mudar e, se você não se conhecer o suficiente, pode ficar mais complicado de entender.

Vale aquela leitura esperta nessa entrevista com um monte de informações que contemplam desde a primeira menstruação até a fase da menopausa.

Continue conhecendo seu corpo: a ginecologista vai te ajudar. consultas de rotina durante a gravidez e fazer o pré-natal são cuidados básicos. Com esses cuidados e com consciência do seu próprio corpo fica tudo bem, você vai ver. Tem dúvidas? Siga a gente nas nossas redes sociais. #ElaDecide

Infecções Sexualmente Transmissíveis existem! Prevenção é o caminho

O autoconhecimento pode ajudar a prevenir além de identificar a presença de IST no corpo. A saúde da mulher pode ser protegida por meio de ações simples

Para algumas pessoas, as Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) podem parecer distantes e irreais. Mas não se engane: elas existem e, segundo os dados mais recentes, estão se espalhando com uma grande frequência. A proteção durante o ato sexual é uma medida simples que protege de diversas infecções. Além disso, é preciso se informar! Será que você sabe como identificar os sintomas de uma IST e, principalmente, como se prevenir?

As principais IST no Brasil

No nosso país, segundo a FEBRASGO (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia), casos como os de HIV, vírus que causa a aids, e do Papilomavírus, que causa o câncer do colo do útero, por exemplo, têm aumentado, e muito disso é por falta de prevenção e de diagnóstico.

Segundo dados do Governo Federal, algumas doenças têm aparecido de forma recorrente no Brasil, e muitas delas, por desinformação e falta de prevenção correta. Principalmente entre os jovens! São elas: 

HIV

O  HIV é o vírus que pode fazer com que a aids se desenvolva no organismo do seu portador. A aids é uma doença que por muito tempo foi considerada letal. 

Agora, ela tem tratamento, que deve ser iniciado imediatamente após a descoberta.

O fato de ser soropositivo – ou seja, ter contraído o vírus – não significa que a pessoa tenha aids. A doença pode ou não se desenvolver. O tratamento contribui para a redução da carga viral que, em alguns casos, pode ficar indetectável.

Nos casos em que a aids se desenvolve no organismo, a terapia retroviral é fundamental para lidar com suas consequências (como as infecções que aparecem porque o sistema imunológico está debilitado), mas ainda não existe cura! Mulheres grávidas têm 20% de chances de passar a doença para o feto, quando não tratadas. A porcentagem cai para 1% quando há tratamento.

O mais alarmante é que a IST está recorrente em pessoas jovens, por volta dos 19 anos.

HPV

O Papilomavírus Humano pode causar câncer, principalmente no colo do útero, sendo mais agressivo em pessoas com baixa imunidade e em gestantes. Verrugas, coceira e lesões no ânus, vagina, vulva, colo do útero, garganta e boca são alguns dos sintomas. Existem mais de 200 tipos de HPV.

Segundo relata o Estudo Epidemiológico sobre a Prevalência Nacional de Infecção pelo HPV, em teste feito com 7.856 pessoas, 54,6% foram identificadas com o vírus do HPV, e 38,4% estavam propensas a desenvolver câncer.

Sífilis

A sífilis é uma doença que pode se desenvolver silenciosamente. Um dos possíveis sintomas é o aparecimento de feridas ou pequenos caroços nos órgãos genitais, que podem sumir com o tempo. Isso não significa que a infecção chegou ao fim: ela pode continuar no organismo mesmo sem sintomas. Cegueira, paralisia, danos ao cérebro, e até morte podem ser causados por ela.

O tratamento, geralmente feito com antibióticos, também é fundamental quando falamos em gravidez. Quando não tratada adequadamente durante a gestação, a sífilis também pode ser transmitida ao feto, de forma que a criança pode nascer com sífilis congênita. Os sintomas podem aparecer nos primeiros meses de vida ou no segundo ano de vida. Por isso, é preciso buscar orientação médica. 

Gonorreia e Clamídia

A gonorreia, por exemplo, é a IST mais comum no mundo e tem se tornado cada vez mais difícil de ser curada. Isso porque, por ser uma bactéria, ela começou a ficar resistente a medicamentos. E um dos principais motivos é a falta de prevenção, a falta de uso de preservativos (camisinha masculina ou camisinha feminina).

Tanto a Gonorreia quanto a Sífilis atacam os órgãos genitais, tanto masculino quanto feminino, provocando dor durante o sexo, podendo comprometer, também, a possibilidade de ter filhos. As partes do corpo que podem ser afetadas pela Gonorreia são, principalmente, colo do útero, reto, garganta e olhos. No caso da Clamídia, mais comum entre jovens e adolescentes, os principais sintomas são ardor na hora de urinar e corrimento.

Como identificar sintomas de IST

Os sintomas das IST podem manifestar-se em momentos diferentes e de formas distintas em cada organismo, por isso, é importante que você possa reconhecer: 

Adotando esses hábitos em sua rotina, é possível ficar mais alerta e saber identificar possíveis alterações. Mas, é muito importante se prevenir com contraceptivos de barreira. A camisinha é o método mais eficaz para não contrair IST por meio de relações sexuais.

Para saber mais sobre IST e como agem no seu organismo, veja: Aparelho Reprodutor Feminino: como protegê-lo das ISTs

A campanha Ela Decide é sobre empoderar-se do próprio corpo, conhecer os seus direitos sexuais e reprodutivos e ter autonomia sobre o seu próprio prazer, o que envolve também o sexo seguro.

Prevenir-se é a maior prova de autoestima que você pode dar a si mesma. Compartilhe essas informações com suas amigas e familiares, elas podem ter as mesmas dúvidas que você. 

 

Linkgrafia

https://www.febrasgo.org.br/pt/noticias/item/565-numero-de-infeccoes-sexualmente-transmissiveis-ist-aumenta

https://www.bbc.com/portuguese/geral-47250839

https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/saude/infeccoes-sexualmente-transmissiveis-as-4-enfermidades-que-preocupam-os-especialistas,b1de26f5690defec1caf497066449349ko4nufaw.html

https://ponte.org/ginecologistas-nao-sabem-lidar-com-mulheres-lesbicas-e-bissexuais-aponta-livro/https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/ciencia-e-saude/2018/12/13/interna_ciencia_saude,725222/sifilis-volta-a-ser-uma-epidemia-no-brasil-e-preocupa-especialistas.shtml

Sexy sem ser vulgar: porque você deve debater a objetificação do corpo da mulher?

empoderamento feminino

Ser mulher em nossa sociedade pode significar ter o corpo exposto a violências físicas e simbólicas  que partem do princípio da sua objetificação. Como refletir sobre e, mais importante, como lidar e lutar contra isso.

É notável a ascensão das articulações femininas em prol da liberdade e dos direitos das mulheres. São debates, rodas de conversas, iniciativas nas universidades, grupos online, pauta em programas televisivos,  manifestações artísticas e afins, como se viu em diversos países nas manifestações do Dia Mundial da Mulher ao redor do mundo em 2019. 

Entretanto, até hoje ainda há estereótipos que cerceiam a existência feminina provenientes também do machismo estrutural que ainda assola a sociedade. Mulheres ainda são desrespeitadas, têm seus corpos e direitos violados, são hiperssexualizadas, objetificadas e invizibilizadas em diversos níveis: desde as produções que vemos na mídia e indústria do  entretenimento às relações em seus lares.

Histórica e socialmente,  foi construída a ideia da mulher como alguém servil. Mas, a cada dia essas estruturas são questionadas. É importante que a sociedade, e sobretudo, as mulheres, conheçam os direitos femininos. Conhecimento é um dos pilares mais importantes para o empoderamento feminino.  Segundo dados do IBGE, em 2019, as mulheres são responsáveis por cerca de 14% a mais dos trabalhos domésticos em relação ao homem. Ou seja, além de muitas vezes, enfrentar uma jornada de trabalho regular, ao chegar em casa, essa mulher ainda é responsável pelas tarefas e manutenção do lar. Tal acúmulo de funções, e esse peso de servir o tempo todo e em diferentes contextos, ocasiona sobrecarga mental e física. Mesmo com todos os avanços sociais, ainda espera-se que a mulher esteja ali pra servir.

No Brasil, o corpo da mulher é fruto de uma construção histórica, e é considerado inferior. 

Historicamente, a  mulher é vista de maneira secundária na sociedade. Simone  Beauvoir, no primeiro capítulo do livro “O segundo Sexo”, no fim da década de 1940, já alertava que socialmente a mulher é o “Outro”, em relação aos homens. Ou seja, suas vontades são subjugadas, e suas vivências colocadas em segundo plano. 

Quando falamos de mulheres negras, segundo  a psicóloga, artista e teórica cultura, Grada Quilomba, a mulher negra é o “Outro do Outro”, pois além das questões sociais em torno do feminino, ela também encontra barreiras no quesito raça, já que o racismo ainda é forte e estrutural no Brasil. Além disso, para fortalecermos a luta feminina, é importante pensar o feminismo por uma “perspectiva de raça e classe”, segundo propõe a  filósofa Djamila Ribeiro. 

Portanto, repensar a forma como a mulher e o seu corpo foram construídos socialmente, é uma forma de olhar o passado, e reescrever o futuro, sem que se cometam os mesmos erros, a fim de  tornar a luta feminina ainda mais forte e inclusiva.

Conhecer os direitos das mulheres é fundamental para promover mudanças

Direito da mulher é todo aquele que a protege como indivíduo, é previsto e garantido por lei, pelos costumes e comportamentos, e são validados pela sociedade, que assume um compromisso em respeitá-los. 

Em 1995, na Conferência Mundial sobre a Mulher realizada em Pequim, foi constatada que a igualdade de gênero não é realidade em nenhum país do mundo. Para reverter esse cenário, firmou-se um compromisso, a Agenda 2030, com um Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) focado em diminuir as desigualdades contra mulheres e as meninas ao redor do mundo

Falar sobre o corpo da mulher brasileira é estimular a desconstrução

Dialogar sobre a mulher brasileira como indivíduo, e como agente na sociedade é, sobretudo, um processo de desconstrução dos estereótipos que permeiam o imaginário acerca do que é feminino, o que é relativo ao gênero, e do papel que foi construído para ela ao longo dos anos. 

A busca por informações sobre os direitos femininos é uma importante ferramenta na construção de um novo cenário em que a mulher pode ser aceita, em que seus direitos possam ser conhecidos e  respeitados, e cria um espaço de acolhimento, em que ela pode se sentir orgulho de ser quem é. Nesse ponto, reside a representatividade, no sentido de que essa mulher pode conseguir melhores condições para viver.  Muda a forma como a mulher se vê, pois ela deixa de ser ‘o outro do Outro’ para se tornar cada vez mais dona de si. Esse caminho pode ser feito por meio de autoconhecimento, e do conhecimento dos direitos da mulher,  que são capazes de embasar verdadeiras mudanças, e construir para essa mulher, novos espaços.  #ElaDecide.

Leitura relacionada: Para você? O que é ser mulher nos dias de hoje?

Aparelho Reprodutor Feminino: como protegê-lo das Infecções Sexualmente Transmissíveis

A saúde íntima da mulher corre sérios riscos quando exposta a relações sexuais desprotegidas. Conheça mais sobre seu corpo e como evitar Infecções Sexualmente Transmissíveis.

Você sabe que tem que ser proteger em qualquer relação sexual, não sabe? Isso é importante tanto para prevenir uma gravidez não planejada como para evitar Infecções Sexualmente Transmissíveis. Vamos falar um pouco sobre elas.

As ISTs são causadas por vírus, bactérias ou outros microorganismos e podem ser transmitidas por meio do contato sexual (oral, vaginal, anal) com uma pessoa que esteja infectada, independente de gênero, sexo ou orientação sexual.

Alguns sintomas, como feridas, corrimentos ou verrugas genitais e anais, podem aparecer por causa das Infecções Sexualmente Transmissíveis, que são um perigo para a saúde íntima da mulher e, às vezes, um risco à vida. Conheça como evitar as ISTs por meio de métodos contraceptivos.

E primeiro lugar: é necessário entender o funcionamento do seu corpo

O aparelho reprodutor feminino é composto por útero, ovários, trompas de falópio e a vagina. Para que ele esteja em funcionamento perfeito, muitas reações hormonais ocorrem. O ciclo menstrual é coordenado por essas reações.

Leia mais sobre o aparelho reprodutor feminino e entenda como seu corpo funciona.

Quando você começa a observar mais de perto o seu corpo, toda reação diferente fica muito evidente. Por isso, observe-o sempre – um bom hábito é fazê-lo durante sua higiene pessoal.

Além da observação constante da anatomia do seu seu corpo, é muito importante que você seja acompanhada pelo(a) ginecologista, que você pode encontrar no Sistema Único de Saúde (SUS) ou também em clínicas particulares.  

Qualquer reação diferente deve ser comunicada a um ou uma profissional da área médica –  tanto em relação aos seus seios quanto na área visível da genitália, como vulva, grandes lábios, e a região entre a vagina e o ânus. Para a parte do aparelho reprodutor feminino interna, formada por canal vaginal, colo e paredes do útero, o mais indicado são os exames de rotina. Mais conhecido como ‘preventivo’, esse grupo de exames é necessário pelo menos uma vez ao ano.

ISTs e o mal que elas fazem à saúde da mulher

As ISTs podem causar um grande prejuízo ao aparelho reprodutor feminino e à saúde da mulher, de uma forma geral. Mal-estar, coceiras nas áreas íntimas, mau cheiro de corrimentos ou da menstruação, feridas, corrimentos, verrugas e qualquer ocorrência que esteja fora da normalidade – quanto antes forem percebidas, maior a probabilidade de tratamento e cura.

Fique atenta às principais ISTs e seus sintomas. Caso você tenha feito sexo sem o uso do preservativo e observar algumas reações no seu corpo, procure um ou uma profissional de saúde. Conheça algumas ISTs:

HIV: causada por vírus, que pode ficar incubado por anos antes do surgimento da doença propriamente dita. Por isso, fique atenta! Ter HIV não é a mesma coisa que ter AIDS. E isso é o mais importante de ressaltar: os sintomas da doença só aparecem quando a doença já está instalada. Algumas pessoas que estão infectadas pelo vírus podem mesmo nem saber, por não haver doença ainda. No entanto, saber sobre a infecção em um estágio inicial proporciona maiores possibilidades de tratamento. A única forma de saber é por meio de teste. A transmissão é via sexual (genital, anal e oral), uso compartilhado de seringa, transfusão de sangue contaminado, e da mãe para o filho.

HPV: existem mais de 200 tipos de HPV. Alguns podem causar câncer, especialmente no colo do útero. Pode ser transmitido sexualmente, tanto pelo contato genital-genital quanto genital-oral. Pessoas com baixa imunidade ou gestantes estão mais propensas a manifestar os sintomas, que aparecem no pênis, ânus, vagina, vulva, colo do útero, boca e garganta.

Alguns sintomas são:

  • Irritação ou coceira no local.
  • Verrugas não dolorosas, isoladas ou agrupadas, que aparecem nos órgãos genitais (o risco de transmissão é muito maior quando as verrugas são visíveis).
  • Lesões visíveis

Há registros, no Brasil, de mais de 2 milhões de casos de HPV por ano. Não há um grupo clinicamente mais suscetível a ter a infecção, mas, segundo a ginecologista Carolina Ambrogini, “no caso de mulheres sexualmente ativas, com mais parceiros, há mais risco”.

Sobre a vacinação, a especialista ainda lembra: “A vacina, que é a tetravalente, tem os quatro tipos de vírus, pode ser tomada até os 45 anos. E a vacina que é para congênitos, tem dois tipos de vírus, pode ser tomada em qualquer idade. Na rede pública, está disponível apenas para adolescentes, meninas e meninos” .

O Ministério da Saúde adotou a vacina quadrivalente, que protege contra dois tipos do HPV de baixo risco e de alto risco, que tem dois tipos do vírus que causam câncer de colo uterino. A população prioritária para receber a vacina HPV é a de meninas com idade entre 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos.

Fique ligada! O vírus pode ficar latente no corpo e a lesão aparece alguns dias ou anos após o contato.

Cancro Mole: Causado pela bactéria Haemophilus ducreyi, é transmitida por via sexual, quando não há uso do preservativo. Alguns sintomas são:

  • Feridas dolorosas e pequenas, com pus, geralmente aparecendo nos órgãos genitais (ex.: pênis, ânus e vulva).
  • Nódulos (caroços ou ínguas) na virilha.

Gonorreia e Infecção por Clamídia: Causadas por bactérias, geralmente as duas infecções estão associadas e os sintomas apresentam-se em órgãos genitais, garganta e olhos, mas a maioria das mulheres infectadas não apresenta sinais e sintomas. Alguns sintomas:

  • Dor ao urinar ou na parte de baixo da barriga;
  • Corrimento amarelado ou claro, fora da época da menstruação;
  • Dor ou sangramento durante a relação sexual;
  • Os homens podem apresentar ardor e esquentamento ao urinar, podendo haver corrimento ou pus, além de dor nos testículos.

DIP (Doença Inflamatória Pélvica): quando a gonorreia e a infecção por clamídia não são tratadas, ocorre a DIP. A infecção atinge os órgãos sexuais internos da mulher, como útero, trompas e ovários, causando inflamações.

Alguns sintomas:

  • Dor na parte baixa da barriga durante a relação sexual;
  • Dor nas costas;
  • Febre, fadiga e vômitos.

A infecção pode ser muito perigosa e em casos mais graves, precisa-se de internação hospitalar com uso de antibiótico.

Donovanose:

Causada pela bactéria Klebsiella granulomatis, é uma IST crônica progressiva. Não há dor, o que pode aumentar o tempo de observação dos sintomas Alguns sintomas:

  • Ferida ou caroço vermelho (progressão de uma lesão) nas regiões genitais, que sangra facilmente.
  • Atinge grandes áreas
  • Compromete a pele ao redor, facilitando a infecção por outras bactérias.

Até que os sinais e sintomas tenham desaparecido e o tratamento seja finalizado, não é recomendado o contato sexual.

LGV (Linfogranuloma Venéreo):

Popularmente conhecida como “mula”, é uma infecção crônica causada pela bactéria Chlamydia trachomatis. Alguns sintomas são:

  • Feridas nos órgãos genitais e outros (pênis, vagina, colo do útero, ânus e boca ).
  • Há uma ferida inicial. Depois de uma a seis semanas, surge um caroço na virilha, que, sem tratamento, pode romper-se com pus.
  • Dores nas articulações, febre e mal-estar.
  • Elefantíase genital: é o que ocorre quando a LGV não é tratada. A elefantíase genital é o acúmulo de linfa no pênis, escroto e vulva.

HTLV: causada por vírus, atinge as células de defesa do organismo (linfócitos). Os sintomas podem não surgir por toda a vida, mas 10% das pessoas infectadas, segundo o Ministério da Saúde, apresentarão doenças neurológicas, oftalmológicas, dermatológicas, urológicas e hematológicas, como leucemia associada ao HTLV.

Sífilis: causada por bactéria, é classificada como Sífilis primária, secundária e terciária, e é mais provável de ser transmitida nos estágios iniciais. Alguns sintomas:

Sífilis primária

  • Ferida – rica em bactérias -, que aparece entre 10 a 90 dias após o contágio. Normalmente sem dor, coceira, ardor ou pus, podendo estar acompanhada de caroços na virilha.

Sífilis secundária

  • De um a seis meses depois da primeira ferida cicatrizar, podem ocorrer manchas pelo corpo todo. Pode, ainda, ocorrer febre, mal-estar, dor de cabeça, ínguas pelo corpo.

Com menos de dois anos de infecção, há a Sífilis latente recente e, com mais de dois anos, a Sífilis latente tardia. Ambas sem sintomas evidentes.

Sífilis terciária

  • Até 40 anos depois do início da infecção, a Sífilis pode surgir, apresentando sinais e sintomas como lesões cutâneas, ósseas, cardiovasculares e neurológicas, podendo levar à morte.

A boa notícia é: TODAS as ISTs são prevenidas com o uso de preservativo.

Métodos contraceptivos que cuidam da saúde da mulher

É o(a) ginecologista que vai ajudar a escolher o melhor método contraceptivo para o seu organismo. Mas os métodos de barreira, seja ele preservativo masculino ou feminino, são os que protegem completamente do contato direto com as áreas de possível infecção.

Caso você decida complementar a utilização do preservativo com outro método anticoncepcional, deve visitar o ginecologista, pois ele deverá indicar os métodos adequados às suas necessidades e também a necessidade de exames.

Leia mais sobre os métodos contraceptivos disponíveis pra você.

Comece com o cuidado com o seu corpo e estenda cuidando também de quem está com você, conversando sobre a necessidade do uso do preservativo . Caso você descubra que tem alguma Infecção Sexualmente Transmissível, é muito importante alertar seu parceiro ou sua parceira, para saber se ele(a) apresenta os mesmos sintomas. Isso interrompe uma possível cadeia de transmissão.

O empoderamento feminino é sobre colocar a sua saúde em primeiro lugar. Portanto, conhecer bem o seu corpo, e o que pode atentar contra a saúde dele, é um cuidado com você mesma e com a pessoa que você mantém relações.

Aparelho reprodutor feminino: você conhece o seu?

Quando falamos em aparelho reprodutor feminino, as dúvidas são muitas. Então que tal começar a olhar para a sua saúde íntima de perto?

Na adolescência, você começa a reconhecer as reações do seu corpo: sabe por quem sente desejo, está descobrindo por quais transformações está passando, assim como tem o primeiro contato com o tema da sexualidade, conhecendo novas formas de se relacionar e como se proteger. E mais: quais são seus direitos sexuais e os seus direitos reprodutivos.

Mas o quanto você sabe sobre o funcionamento do seu corpo?  E do seu aparelho reprodutor? Entender como funciona o aparelho reprodutor feminino pode responder a vários questionamentos, ajudar a descobrir mais sobre você e, claro, empoderar mais ainda.

Aparelho reprodutor feminino, muito prazer!

O aparelho reprodutor feminino é um sistema de órgãos que envolve muita coisa que talvez você nunca tenha ouvido falar, ou apenas não lembre.Conhecer como ele funciona é vital para que você comece a pensar sobre os seus direitos sexuais  e seus direitos reprodutivos.

Se você nunca ouviu falar sobre direitos sexuais e direitos reprodutivos, saiba que:

Direitos Sexuais incluem:

  • direito à sexualidade plena em condições seguras e saudáveis;
  • direito de tomar decisões livres, informadas, voluntárias e responsáveis sobre a sexualidade;
  • o respeito à orientação sexual e à identidade de gênero, livre de coerção, discriminação e violência;
  • o direito à informação e aos meios necessários para a garantia da saúde sexual e reprodutiva.

Direitos Reprodutivos incluem:

  • direito de todos os indivíduos e casais de decidir livre e responsavelmente sobre se querem ter filhos, quando e quantos ter;
  • direito a desfrutar de uma vida afetivo-sexual satisfatória e segura, livre de doenças e infecções, exercida sem violência, com respeito mútuo, igualdade e o pleno consentimento entre os parceiros

São o útero e os ovários os órgãos mais conhecidos do aparelho reprodutor feminino. Mas, além deles, o sistema é composto das trompas de falópio, da vagina, da vulva. Muito do seu corpo está envolvido com o aparelho reprodutor. Na verdade, são glândulas e hormônios que comandam e tudo isso tem a ver com o ciclo menstrual. Muita informação, né? Vamos por partes.

Ovários: os ovários são glândulas – bem pequenas, do tamanho de nozes. Eles produzem os óvulos (que, antes de serem liberados, ficam dentro de folículos). Quando o óvulo é fecundado pelo espermatozóide, ocorre a gravidez .

Trompas de Falópio: é quem faz ligação entre seus ovários e seu útero. Quando os óvulos são liberados dos ovários, atravessam a trompa para chegar ao útero. Ela é responsável por “captar” esse óvulo e levá-lo ao útero. Caso tenha havido uma relação sexual sem contraceptivo de barreira, há a possibilidade de o espermatozóide (dos milhões que foram lançados no aparelho reprodutor feminino) fecundar o óvulo.

Útero: é um receptáculo onde o óvulo fecundado (caso aconteça) vai ficar “guardado”, protegido e nutrido. É também o órgão que tem uma camada que “recebe” o óvulo fecundado. Caso não haja fecundação, essa camada, chamada de endométrio, se regenera a cada mês e é liberada na menstruação.

Vagina: é o canal que liga o útero à parte externa do aparelho reprodutor feminino. É por ela que sai a menstruação, por onde sai o bebê (no parto vaginal) e é onde ocorre lubrificação durante o ato sexual.

Hímen: uma membrana que encontra-se na entrada da vagina, enquanto a mulher não mantém relações sexuais. Ele pode ser rompido na primeira relação sexual com penetração, o que às vezes provoca um pequeno sangramento. Alguns hímens se rompem com certa dificuldade, nem sempre na primeira relação sexual com penetração.

Vulva:  A parte visível do seu aparelho reprodutor é a vulva. Ela protege a vagina e é formada pela uretra, clitóris, orifício vaginal, pequenos lábios e grandes lábios. Existem cuidados específicos dessa área para que saúde íntima da mulher seja mantida.

Período fértil e ciclo menstrual

Agora que você conhece bem sobre o aparelho reprodutor feminino, saiba um pouco sobre o ciclo que ocorre relacionado a ele.

O ciclo menstrual é o tempo que vai do primeiro dia de uma menstruação até o dia que antecede o início da menstruação seguinte. Lembra da liberação do óvulo? Então, isso em geral acontece lá pelo 14º dia depois da menstruação. É a ovulação.

Nessa época em que o óvulo é liberado – e pode ser fecundado (caso ocorra ejaculação na vagina) – é o que chamamos período fértil. Como não se tem certeza do dia exato da ovulação, o período fértil são os dias próximos da ovulação (além do próprio dia da ovulação). É nessa época que você tem mais probabilidade de engravidar.

Calcular o risco de se engravidar por meio da contagem dos dias férteis é o método chamado de tabelinha. No entanto, é muito arriscado confiar na tabelinha, porque os ciclos menstruais são variáveis e dependem de vários fatores hormonais. Ou seja: o cálculo nunca vai ser cem por cento confiável e a mulher pode acabar engravidando.

O ideal é sempre ter uma conversa com um ou uma ginecologista para saber que anticoncepcional se adequa melhor ao seu organismo e estilo de vida. Se você decidir usar a pílula, por exemplo, deve, antes de qualquer coisa, conversar com um médico ou médica.

Agora, qual a melhor forma de proteger o seu aparelho reprodutor e o seu corpo de uma gravidez não planejada e das ISTs?

Proteja-se e proteja quem estiver com você

Tanto em relações heterossexuais quanto em relações homossexuais, o seu corpo está exposto.

No caso de relações heterossexuais, a proteção contra ISTs ainda deve somar à proteção contra gravidez não planejada. Portanto, mesmo que você use algum método contraceptivo, use sempre o preservativo masculino ou feminino.

Caso você se relacione com alguém do mesmo sexo, vale o mesmo: o preservativo é o método que vai proteger seu organismo de qualquer infecção sexualmente transmissível. Ele é um grande aliado da saúde feminina e dos cuidados com você e seu (sua) parceiro(a).

Empodere-se! Você é dona do seu corpo.

A decisão de cuidar-se, de descobrir seu corpo, de ter consigo mesma o compromisso de ir a  um ou uma ginecologista é sua. Indo ao ou à especialista, fica mais fácil conhecer seu organismo. Saiba que alguns exames preventivos devem ser feitos anualmente por todas as mulheres. Outros, como a mamografia, são recomendados rotineiramente para mulheres a partir dos 40 anos.

Visitas anuais são recomendadas por grande parte dos e das ginecologistas, mas elas podem ser mais ou menos frequentes a depender da situação da mulher. A frequência de exames que você deve fazer é ele ou ela quem irá indicar. Portanto, visite seu  médico ou sua médica para receber mais orientações.

Conhecer seu corpo é empoderar-se dele. Quando a mulher tem esse conhecimento,  “tem todo o caminho das pedras, ela consegue expressar o que gosta. É muito diferente deixar o outro adivinhar, quando você sabe que pode dar dicas e sabe o que fazer para aquela relação ser boa, é um empoderamento. Você tem poder sobre o seu corpo e a sua sexualidade”, garante a ginecologista Carolina Ambrogini.

Mais do que uma decisão do que é bom para você agora, ter certeza dos seus direitos sexuais e dos seus direitos reprodutivos é saber o que será bom para o seu futuro também.

A campanha Ela Decide é sobre empoderamento feminino: é sobre a sua decisão do que é melhor para o seu corpo, o seu presente e o seu futuro.

A melhor forma de lidar é falar sobre. E você não está sozinha. Compartilhe informação, fale com amigas, irmãs, mãe, tias, primas, com as mulheres de sua geração e também das outras. Fale com cada mulher da sua vida para que ela também saiba: Ela Decide Seu Presente Seu Futuro.

Chegou a hora da consulta ginecológica, e agora?

Não precisa ter medo ou vergonha. A consulta com ginecologista deixará você mais segura para decidir sobre saúde sexual.

Quando chega o momento em que o seu corpo começa a mudar, é muito natural que surjam questionamentos. Para muitas garotas, uma consulta ginecológica é sinônimo de vergonha e constrangimento. E por outro lado, muitas mães acreditam que levar as filhas a esse(a) especialista acabará sendo um incentivo para que elas iniciem a vida sexual precocemente. Nada disso! O ideal é que, desde jovens, as garotas possam entender o processo de transformação que estão vivenciando, conheçam seus corpos, tirem todas e quaisquer dúvidas que tenham sobre sexualidade  e aprendam sobre os cuidados a serem observados, inclusive com informações sobre métodos para evitar uma gravidez não planejada ou infecções sexualmente transmissíveis, como HIV/AIDS, tomando conhecimento de métodos modernos de contracepção para levar uma vida sexual saudável.

Mesmo com algumas mudanças físicas, geralmente é somente após a menarca, a primeira menstruação, que as meninas se vêem como mulheres. É neste momento que buscar a orientação profissional de um(a) ginecologista torna-se indispensável. Não é necessário abrir mão de uma conversa franca com a mãe ou mais íntima com as amigas, mas é um(a) profissional de saúde a pessoa mais indicada para dar as melhores orientações sobre ciclo menstrual, alterações hormonais, métodos anticoncepcionais e prevenção de doenças – ou seja, tudo o que vai envolver a saúde sexual da mulher dali em diante.

Na primeira consulta, se ainda não houve início da vida sexual, o(a) especialista falará sobre o corpo feminino, as mudanças que estão acontecendo, e responderá às dúvidas mais frequentes que as adolescentes têm. Se a menina já tiver tido a primeira relação sexual, ou estiver na iminência de tê-la, o médico ou médica também poderá esclarecer sobre métodos contraceptivos e de prevenção de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), poderá indicar o uso do método contraceptivo mais adequado à mulher de acordo com seu histórico de saúde, investigar doenças na família, e indicar o método mais adequado.

Do ponto de vista fisiológico, as mulheres podem se tornar mães desde quando ocorre a menarca até o momento da menopausa. Durante esse período reprodutivo, o corpo se prepara todos os meses para engravidar. Mas é graças ao entendimento de como se dá esse processo no corpo da mulher que tem sido possível agir por meio da informação para prevenir a gravidez não planejada.

Então o melhor a fazer é entender como o ciclo menstrual funciona.

Como funciona o ciclo menstrual?

Um ciclo se inicia no primeiro dia da menstruação e vai até o primeiro dia da próxima menstruação. Em geral, cada ciclo dura 28 dias, mas algumas mulheres têm ciclos de 21 ou até 35 dias (a ou o ginecologista é quem pode avaliar o período do seu ciclo). Nos dois anos após o início das menstruações, é comum que algumas adolescentes tenham ciclos irregulares. Porém, se a irregularidade se mantiver por um longo período de tempo ou ocorrer em outra fase da vida da mulher, as causas devem ser investigadas.

O ciclo menstrual é dividido em quatro fases: a fase da menstruação, a fase folicular, a fase ovulatória e a fase lútea.

A fase da menstruação é quando ocorre o sangramento, que em média dura quatro dias, mas pode chegar até sete dias, sem nenhum problema. Nesse período, o endométrio (camada de células internas do útero), que estava preparado para receber um embrião, descama e ocorre o sangramento, que é eliminado pelo canal vaginal.

Já a fase folicular é quando o corpo da mulher se prepara para engravidar. O organismo produz o hormônio folículo estimulante (FSH), responsável por estimular os folículos do ovário. Estes folículos começam a produzir estrogênio, o hormônio responsável pelo desenvolvimento do endométrio (mucosa que reveste a face interna do útero), que se torna mais espesso, e pronto para receber o óvulo fecundado.

Na fase ovulatória, é quando ocorre a ovulação, geralmente no 14º dia do ciclo. Aqui entra em cena um outro hormônio – o hormônio luteinizante, ou LH. É ele quem estimula a liberação do óvulo maduro, que se encaminha para o útero à espera da fecundação.

A fase lútea inicia-se após a ovulação. O folículo vazio se transforma em um corpo lúteo, e este corpo lúteo produz o hormônio progesterona, que por sua vez estimula a preparação da camada interna do útero para receber o óvulo fecundado. Duas coisas podem acontecer nesta fase: caso haja a fecundação, o óvulo se fixa na parede do útero, o que caracteriza a gravidez; agora, se não houver a fecundação, a camada do útero preparada para receber o óvulo fecundado (o endométrio) descama e é expelida, ou seja, ocorre a menstruação.

E assim, ao mesmo tempo que um ciclo se encerra, um novo se inicia. É importante ter em mente que os ciclos menstruais não são exatos, não sendo possível saber precisamente a data em que a mulher pode engravidar. Por esse motivo, o método contraceptivo da “tabelinha”, que se baseia apenas nas fases do ciclo menstrual, é bastante falho.

Conhecer e entender o que acontece com o próprio corpo é um ponto-chave para que  jovens e adolescentes tenham condições de escolher a hora que desejam iniciar a vida sexual, o método de contracepção mais conveniente, entender o período fértil e método de prevenção, e como evitar Infecções Sexualmente Transmissíveis, incluindo HIV/AIDS. Assim, fica mais fácil planejar o melhor momento para ter filhos (se assim a mulher desejar) e ao mesmo tempo cuidar de sua saúde sexual. Ir a um ou uma ginecologista com a mãe, amiga, ou com o parceiro(a), você escolhe. O importante é não deixar de ir, e dar a si mesma esse momento tão importante de cuidado.

Conheça e preserve o seu corpo. Ele faz parte da sua história. #eladecide

Leia também: Os mitos sobre métodos contraceptivos e como evitar uma gravidez

Seu corpo, suas escolhas

Toda mulher tem o direito de ser livre para decidir sobre sua vida sexual, com quem se relacionar, quando e se deseja engravidar.

Sabe aquela roupa que criticam por ser muito curta, aquela leve insistência quando você diz ‘não’ a uma cantada ou o olhar repressor ao dizer que não pensa em engravidar? São atos que parecem ingênuos e dignos de quem se preocupa com você, mas afetam a sua liberdade de escolha.

Passamos um bom tempo da nossa vida tentando entender as mudanças do corpo feminino e como ele funciona. Esse é um espaço que pertence apenas a nós mesmas, mulheres, e que não existe para ser avaliado, oprimido ou violado por outras pessoas. O seu corpo é apenas seu! Continuar lendo “Seu corpo, suas escolhas”