Políticas públicas para mulheres: grande eleitorado e pouca representatividade

A maior parte do eleitorado brasileiro é de mulheres, mas a maior parte da classe política é de homens. É fundamental incentivar e promover a participação política e fortalecer as lideranças femininas para garantir políticas públicas mais igualitárias

Ainda não faz 100 anos que, no Brasil, as mulheres podem exercer plenamente a cidadania. Em 1932, apenas as mulheres casadas, autorizadas pelos maridos, as viúvas e as solteiras que tivessem renda própria passaram a ter direito ao voto e de serem votadas. Em 1934, o Código Eleitoral excluiu tais limitações e o direito à cidadania foi estendido à todas as mulheres maiores de 18 anos.

Hoje, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), as mulheres são maioria do eleitorado brasileiro: 52% do total. Contudo, a representatividade feminina nos cargos executivos e no parlamento não reflete este fato. Para se ter uma ideia, dentre os 27 governadores, há somente 2 governadoras; no Congresso Nacional, atualmente em exercício, são 528 homens e 66 mulheres.

Com o intuito de equiparar a representação política entre homens e mulheres, a legislação eleitoral (Lei das Eleições – 9.504/1997), desde 2009, determina que “cada partido ou coligação preencherá o mínimo de 30% e o máximo de 70% para candidaturas de cada sexo”. Na prática, porém, poucas são as candidatas que recebem investimento e apoio real dos partidos e coligações.

É claro que não se pode ignorar as conquistas das mulheres, tanto no aspecto político como no sociocultural, entretanto, as consequências da baixa representatividade política feminina está no cotidiano da sociedade. As demandas das mulheres vêm sendo discutidas e planejadas, principalmente, por aqueles que desconhecem a realidade em que as mulheres vivem pelo simples fato de serem mulheres.

As políticas públicas para as mulheres existem, mas ainda precisam ser aperfeiçoadas.

No âmbito da saúde, a saúde da mulher mereceria maior atenção. Em 2004, o Ministério da Saúde desenvolveu a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher (PNAISM), uma evolução do Programa de Assistência Integral à Saúde da Mulher (PAISM), criado em 1983.

O PNAISM priorizava a humanização do tratamento de saúde às mulheres, considerando a diversidade econômica e de desenvolvimento das regiões brasileiras. Esta política amplia o atendimento a questões que tangem a prevenção de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), planejamento familiar, acompanhamento da saúde física e psicológica, a atenção às mulheres e adolescentes em situação de violência doméstica e sexual, promove a atenção à saúde das idosas, negras, presidiárias e rurais.

É necessário saber quais lideranças estão dispostas a defender a temática e agir em favor da igualdade de gênero, assegurando às mulheres maior participação nas atividades políticas, culturais e econômicas do Brasil.

A cada cidadão, a cada homem, a cada garoto cabe a conscientização da importância de uma sociedade justa e igualitária. A cada cidadã, a cada mulher, a cada garota cabe o empoderamento para ser autora de sua própria história. #ElaDecide

Papo aberto: respondendo a dúvidas sobre métodos contraceptivos, ISTs e mais

Perguntas, conversas e um diálogo próximo fazem da campanha Ela Decide um espaço para jovens entenderem melhor sobre seus corpos, seus direitos e a eficácia de métodos contraceptivos. Confira respostas para algumas das dúvidas que recebemos

Desde que teve início a campanha Ela Decide Seu Presente e Seu Futuro, muitas mulheres jovens tiveram a possibilidade de se informar sobre seus corpos, seus direitos sexuais e seus direitos reprodutivos. Mais ainda: a iniciativa abriu espaço para que muitas dúvidas fossem trazidas à tona.

Separamos perguntas  feitas por mulheres que entraram na conversa e querem saber como reagem seus corpos, quais são os seus direitos e como usar melhor os métodos contraceptivos.

A pílula: um método contraceptivo popular, mas cercado de perguntas

Algumas mulheres se questionam sobre como começar a tomar a pílula, se precisam ir mesmo à ginecologista. Veja as respostas esclarecedoras que a ginecologista e obstetra Albertina Duarte Takiuti concedeu à Ela Decide.  

Pergunta: Posso começar a usar pílula por conta própria?

Dra Albertina:O ideal é que uma consulta seja feita. Porque se a adolescente tiver pressão alta, diabetes ou até anemia, é recomendado um outro tipo de anticoncepcional. Mas tomar uma dosagem baixa de método anticoncepcional é melhor do que ela tomar pílula do dia seguinte. O ideal é que ela tenha uma consulta, que ela veja como está sua pressão, seu coração, se ela não tem anemia, não é diabética e se não há nenhum problema de circulação. Assim ela garante o melhor uso do anticoncepcional. Receitar ou usar a receita da amiga é uma furada.

Pergunta: Quando a pílula começa a fazer efeito?

Dra Albertina: Sempre depois do primeiro mês. Mas se você se atrapalhar, precisa ser o finzinho da cartela. Se tiver faltando 3 ou 4 dias, já fez efeito. Mas, o ideal mesmo é após o primeiro mês da pílula.

Pergunta: Quais são os remédios que podem prejudicar o efeito da pilula?

Dra Albertina: Antibióticos, calmantes, remédios para epilepsia e até remédios para hipertensão.

Pergunta: Esqueci de tomar a pílula um dia. Posso engravidar?

Dra Albertina: Se você esquecer um dia, você pode menstruar e pode engravidar. Então, se você deixar um dia, no dia seguinte, de manhã, já tome uma. E continue tomando. Mas é bom que use preservativo sempre. Quando você esquecer de tomar pílula, fique esperta! Use preservativo até o fim da cartela.

Pergunta: Qual a diferença da micro pílula pra pílula normal?

Dra Albertina: A micro pílula é uma dose só de progesterona. Não é que ela seja micro, é que ela é feita só de um hormônio, a progesterona. Geralmente, a gente usa em alguns casos após a amamentação, ou quando adolescentes não podem tomar o estrógeno, por exemplo, em casos de problemas cardíacos ou diabetes. Tem anticoncepcional que é um combinado de estrógeno e progesterona, e há outro tipo que é feito só de progesterona, essa é a principal diferença entre elas.

Pergunta: Usar um contraceptivo por muito tempo pode levar à infertilidade?

Dra Albertina: Não, não vai levar à infertilidade. Hoje as dosagens das pílulas que estão no mercado são muito boas, então a adolescente pode usar por 10, 15 anos. E quando parar, cuidado, ela pode engravidar, sim. Então esse mito da infertilidade não é verdade, porque a maioria das pílulas vendidas, parando um mês, a mulher pode engravidar no mês seguinte.

E os métodos contraceptivos modernos como DIU e implantes?

Algumas dúvidas sobre DIU de cobre, DIU hormonal, a influência do(a) parceiro(a) na decisão do uso desses métodos contraceptivos apareceram em nossas redes sociais também. Sobre esses temas, procuramos a docente da Escola de Enfermagem da USP Ana Luiza Vilela Borges.

Pergunta: Há idade mínima pra colocar o DIU?

Ana Luiza: Tanto a Organização Mundial de Saúde (OMS) quanto o próprio Ministério da Saúde definem que a idade mínima para colocar o DIU de cobre é a partir da menarca (primeira menstruação). Então, não há uma idade mínima estabelecida. As duas instituições deixam bem claro que é a partir da menarca. Se for o sistema intrauterino, chamado DIU hormonal de levonogestrel, aí ele entra nos critérios para o uso de métodos hormonais. Se for a base de estrogênio, pode comprometer a densidade óssea na adolescência, então depende da dosagem, e passa a ter um critério mais específico.

Pergunta: Posso usar DIU e pílula ao mesmo tempo?

Ana Luiza: A eficácia do DIU é maior que a da pílula. A do DIU hormonal e do implante, que são hormonais, chegam a se equiparar à dos métodos irreversíveis (ou dos métodos permanentes) que são a vasectomia e a laqueadura. Então, na verdade, quando você coloca o DIU, você não precisa usar nenhum outro método para proteger da gravidez. Você pode usar camisinha para se proteger das Infecções Sexualmente Transmissíveis.

Pergunta: Há contraindicação para o uso do DIU de cobre?

Ana Luiza: O DIU de cobre pode provocar muito mais sangramento durante a menstruação e muito mais cólica menstrual. Então, por exemplo, para as mulheres que já têm esse relato de cólica, é necessário se perguntar: “você está disposta a usar um método que pode aumentar sua cólica, pode aumentar seu sangramento menstrual?”. Então, ele tem a contra indicação, por exemplo, em casos de mulheres com anemias graves, você não vai colocar o DIU de cobre porque ele pode aumentar os sangramentos.

Pergunta: É verdade que o DIU pode levar a um câncer do útero ou à infertilidade?

Ana Luiza: Não tem nenhuma evidência de que o DIU dá câncer, nem outros tipos de DIU, nem provoca infertilidade. Não tem nenhuma evidência científica.

Pergunta: Posso colocar um implante subdérmico ou DIU de hormônio pelo SUS?

Ana Luiza: Algumas prefeituras disponibilizaram para populações muito específicas, por exemplo, mulheres que são usuárias de drogas, ou adolescentes que estão ali na segunda ou terceira gravidez, para evitar essa repetição da gravidez na adolescência. Mas são algumas prefeituras que investiram nisso para populações muito específicas. Em uma unidade básica normal, tradicional, eles não estão disponíveis.

Pergunta: Preciso de autorização do parceiro para usar um método contraceptivo?

Ana Luiza: Para laqueadura e vasectomia, existem especificações que são da Lei do Planejamento Familiar, de 1996,  e o principal deles é ter, no mínimo, 25 anos ou 2 filhos. E aí a lei coloca que precisa da autorização do parceiro. Isso também é bastante controverso, mas a lei diz que sim.

Na questão do DIU,  existe um termo de consentimento em que a mulher é informada de como é o procedimento e que pode haver falhas. Como todos os demais métodos contraceptivos, é um método muito eficaz, mas também tem falha. Para por o DIU, ela não necessita de autorização do parceiro, não tem idade mínima nem máxima e não há nada previsto quanto ao número mínimo de filhos: uma nulípara pode colocar o DIU, sim.

Tirando dúvidas adicionais: ida à ginecologista, como usar camisinha e falha nos métodos contraceptivos

Tanto a Dra Albertina quanto a docente Ana Luiza responderam a outras perguntas que não eram exatamente sobre a pílula ou o DIU. Elas falaram sobre a ida à ginecologista pela primeira vez, sobre laqueadura e sobre a taxa de falha de métodos contraceptivos.

Pergunta: Tenho menos de 18 anos. Posso ir sozinha a uma consulta ginecológica?

Dra Albertina: Pode. Existe uma legislação que permite que a adolescente possa ir. E que o sigilo só vai ser rompido se houver risco de morte e, mesmo assim, avisado à adolescente.

Pergunta: Posso fazer laqueadura mesmo sem ter filhos?

Dra Albertina: Essa é uma grande discussão. Em alguns casos, quando há problemas de saúde, problemas de doenças, ainda assim é uma grande discussão. A mulher tem o direito de planejar o seu número de filhos, de ter os filhos que quiser, ou de não ter nenhum. Então, essa é uma discussão que precisa ser cada vez mais feita. Por enquanto, é muito difícil que uma mulher sem estar doente, só por decisão de não querer ter filhos, possa fazer uma laqueadura.

Pergunta: Posso engravidar usando métodos contraceptivos?

Ana Luiza: Não existe nenhum método contraceptivo que seja 100% eficaz. Sempre tem uma taxa de falha. As menores taxas de falha estão justamente no DIU, no implante subdérmico e nos métodos permanentes (vasectomia para os homens e laqueadura para as mulheres).

Pergunta: Quando usar a camisinha feminina, devo usar a masculina também?

Ana Luiza: Não. Não deve usar, de forma alguma. Nem pode nem deve, porque o látex (da camisinha masculina) não suporta o poliuretano, que é o material que é usado na camisinha feminina. Então, nessa fricção pode haver a ruptura da borracha da camisinha.Não pode, não deve e nemé necessário: se for bem usado, basta um deles.

Você já se fez alguma dessas perguntas? Algumas das mulheres que você conhece têm esses ou outros questionamentos sobre qualquer tema relacionado aos direitos sexuais e reprodutivos da mulher e a relação com o próprio corpo? Lembre-se sempre: esse espaço para esclarecer dúvidas é seu. Você não está sozinha. Compartilhe. #Ela Decide

 

Lugar de mãe também pode ser no mercado de trabalho

É direito da mulher grávida decidir sobre sua carreira e trabalhar em um ambiente saudável para ela e o bebê

Você descobre que está grávida e, além das preocupações normais da chegada de um bebê, vem outra dúvida comum: como ficará o meu emprego quando eu anunciar a gravidez? Apesar do mercado de trabalho estar cada vez mais feminino, ainda é comum o medo de ser demitida ou perder promoções na carreira pelo fato de ser mãe.

Mesmo os direitos trabalhistas da gestante estando assegurados pela CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), não são raras as empresas que desrespeitam a legislação. É garantido à mulher que ela trabalhe em condições saudáveis, tenha flexibilidade para ir a consultas e exames médicos, além de cumprir corretamente o período de licença-maternidade.

Conhecer os seus direitos como mulher e mãe é o primeiro passo para fugir de relações de trabalho abusivas que possam prejudicar a sua qualidade de vida e do bebê. Além disso, ter um pré-natal tranquilo é fundamental para uma gravidez saudável e, consequentemente, para o bem-estar da mãe e da criança após o parto. São seus direitos:

  • Faltar ao trabalho para ir a consultas e exames: por lei, você pode se ausentar do trabalho por seis vezes para realizar exames de rotina, sem precisar de justificativa. Além disso, tem liberdade para ir a consultas médicas quantas vezes forem necessárias, principalmente nos casos de gestação de risco. Mesmo que ultrapasse a quantidade de faltas previstas, ninguém pode te impedir de ir ao médico. Basta avisar à empresa e apresentar um atestado.
  • Pedir para mudar de função ou setor: se a atividade que você desempenha for considerada insalubre (isto é, oferecer riscos a sua saúde ou a do bebê), é seu direito pedir para mudar de cargo ou setor a qualquer momento. Isso é importante para casos de gestantes e lactantes que trabalham em ambientes com ruído excessivo, poeira, radiação, vibração, entre outros.
  • Licença-maternidade: todas as mulheres brasileiras que contribuem para o INSS têm direito à licença, sendo o afastamento de pelo menos 120 dias nas empresas privadas e 180 dias nos órgãos públicos federais. O auxílio também é garantido às mães adotivas e mulheres que sofrem abortos espontâneos ou dão à luz a bebês natimortos. Nos casos em que a gravidez gera risco à vida, a licença pode ser prorrogada por mais 15 dias com atestado médico.
  • Férias: o fato de estar grávida e entrar em licença-maternidade não acaba com o seu direito de tirar os dias de férias que lhe são devidos. Se por um acaso você der à luz enquanto estiver usufruindo esses dias, por exemplo, automaticamente suas férias são suspensas para que você entre em licença-maternidade. Após a licença, você volta a utilizar os dias de férias restantes.
  • Estabilidade no emprego: nenhuma mulher grávida pode ser demitida, sem justa causa, desde a data em que ficou grávida até cinco meses após o parto. Mesmo que você descubra a gestação depois de ser desligada da empresa, se comprovar que a fecundação aconteceu enquanto ainda era funcionária, você tem o direito de ser admitida novamente. O mesmo acontece nos casos de aviso prévio, pois apesar de ter sido demitida, a funcionária ainda não foi desligada oficialmente da empresa.
  • Intervalos para amamentação: após voltar de licença-maternidade, a lactante tem o direito de amamentar seu bebê durante o trabalho. Se você tem uma jornada de trabalho de oito horas, por exemplo, pode dedicar até dois períodos de 30 minutos todo dia para a amamentação. É importante lembrar que é um direito seu amamentar o bebê sem passar por constrangimentos, dentro do trabalho ou fora dele. Essa medida vai além das leis trabalhistas e pode gerar multas de até R$ 1 mil em alguns estados brasileiros, como Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina e Mato Grosso.

Como ficam meus direitos como mãe e gestante na Reforma Trabalhista?

A Reforma Trabalhista, aprovada em 2017, introduziu novas regras que afetam as mulheres gestantes e as que acabaram de ter filhos. Muitas dessas regras ainda podem ser questionadas judicialmente, mas salientamos aqui o que mudou na legislação.

Apesar de nada mudar em relação às regras da licença-maternidade, uma das principais preocupações com a nova legislação é com o afastamento por insalubridade. Se antes, em qualquer condição de trabalho que representasse risco para a gestante e o bebê, a mulher já teria direito de pedir transferência, com a reforma trabalhista o afastamento da função só acontece em casos de insalubridade máxima, com um atestado médico em mãos.

Além disso, as funcionárias devem avisar à empresa sobre a gravidez em até 30 dias, o que antes não era necessário. O período para amamentação também deverá ser negociado com o empregador, o que já acontecia de forma informal.

Se você está sendo afetada negativamente por essas novas regras, talvez deva considerar uma consulta à Defensoria Pública para examinar possibilidades judiciais de lidar com essa situação.

Por outro lado, o trabalho em casa, que não era previsto pela CLT, será permitido com a reforma trabalhista. O que pode ser uma alternativa para as trabalhadoras mães, que estão sujeitas a jornadas duplas de trabalho – no emprego e em casa.

Lugar de mulher é no mercado de trabalho, se ela quiser

Os direitos trabalhistas são garantidos a todas as mulheres em emprego formal, qualquer que seja a sua função e mesmo que ainda esteja em período de experiência. Esteja ciente de seus direitos e procure a área de Recursos Humanos da empresa para tirar todas as dúvidas sobre como ela procede com os casos de gravidez. Se os seus direitos estiverem sido desrespeitados, procure um advogado, uma advogada ou a Defensoria Pública.

Há casos de profissionais que foram demitidas na licença-maternidade, por exemplo, e não processaram a empresa para se manterem no mercado. Caso se sinta desrespeitada ou perceba abusos por parte do empregador, não tenha medo. Procure orientação no Ministério Público do Trabalho da sua cidade. As denúncias podem ser anônimas e também realizadas pela internet ou telefone.

Lembre-se que você não está sozinha e quanto menos casos como esses existirem, mais os seus direitos e de todas as mulheres serão respeitados. #Eladecide

Diálogo e informação, base para um desenvolvimento sexual saudável

Falar com filhos e filhas sobre sexo e sexualidade não estimula o sexo prematuro. Pelo contrário: a educação sexual ajuda no desenvolvimento sexual saudável de adolescentes

Ela se apresenta de maneira diferente para meninos e meninas, mas, para a maioria dos pais e mães, a chegada da puberdade vem igualmente cercada de algumas dúvidas e uma certa insegurança. Será que devo puxar uma conversa a respeito de sexo com minha filha ou espero que ela me pergunte alguma coisa? Se eu começar a falar sobre sexo com meu filho, estou estimulando uma prática sexual precoce? Essas e outras dúvidas refletem a apreensão e a dificuldade de muitos pais em lidar com o assunto.

Seja por meio da internet, televisão ou entre amigos e amigas, o fato é que adolescentes têm cada vez mais acesso a conteúdos sobre sexualidade e sexo e, independentemente da vontade da família, irão procurar informações que satisfaçam as próprias dúvidas e curiosidades. Portanto, o ideal é que mães e pais sejam a primeira fonte confiável a quem filhos e filhas recorram. Para isso, é necessário que estejam preparados para responder perguntas e tratem o tema com naturalidade.

A tarefa não é fácil. Dialogar com adolescentes exige habilidade e paciência, afinal, nesta fase da vida, eles e elas se fecham e deixam de compartilhar com os pais e as mães as experiências do dia a dia. Já não falam espontaneamente sobre o que aconteceu na escola ou quem são os novos amigos e amigas, por exemplo. Por isso, é muito importante que mães e pais busquem, desde a primeira infância, estabelecer uma relação de confiança com seus filhos, inclusive sobre a questão da sexualidade.

É claro que não existe um momento exato para familiarizar a criança com o assunto da sexualidade, cada um tem seu tempo. Mas sabe quando a criança de 3 ou 4 anos pergunta de onde ela veio, como um bebê é feito ou porque o corpo dela é diferente do corpo de um adulto? Eis aí uma oportunidade para acostumar a criança ao tema, sem que ela sinta que esteja falando de algo errado, sujo ou feio. Usar os nomes próprios dos órgãos genitais é um importante começo, pois do mesmo modo que é ensinado que o nome da cabeça é cabeça e que o do braço é braço, também pode-se ensinar o que é pênis ou vagina. Não é uma sugestão para que se introduza no universo da criança mais do que ela possa compreender; é uma maneira de habituar os filhos aos termos adequados, o que pode facilitar o diálogo a respeito de sexo quando for chegada a hora.

Por mais que alguns pais queiram retardar o momento de falar sobre sexo, é essencial transmitir aos jovens informações relativas a proteção, cuidado, higiene e intimidade. Explicar que o sexo é um ato humano e comum, que só deverá acontecer quando se sentirem preparados e preparadas, com a pessoa em quem confiem, de maneira segura e se prevenindo desde a primeira transa. Esclarecer que o corpo pertence a elas e a eles, e, portanto, suas vontades devem ser respeitadas e deve-se respeitar as vontades do parceiro ou parceira.

E tão importante quanto falar de sexo, é explicar sobre métodos contraceptivos, preservativos e relacionamentos abusivos. É se colocar como porto seguro para os filhos contarem se alguém cometeu algum tipo de violência contra eles. Sem uma comunicação honesta e respeitosa com seus filhos e filhas, eles não se sentirão seguros em falar com vocês quando estiverem passando por uma situação de abuso e violência. É por meio da informação que se pode colaborar para que adolescentes fiquem menos vulneráveis às gravidezes não planejadas, infecções sexualmente transmissíveis e violências sexuais, por exemplo.

Conversar sobre sexo e sexualidade não leva meninos e meninas à prática sexual. Uma vez que sintam que chegou o momento da primeira relação, elas e eles vão fazê-la, independente da vontade do pai ou da mãe. Deste modo, se estiverem bem informados e orientados, iniciarão a vida sexual de maneira saudável.

Dialogue com seus filhos e filhas. Vá além das suas próprias experiências.  Leia. Informe-se.

Você não está sozinha.

Empoderamento, feminismo e sororidade: elementos fundamentais da integração feminina

No universo das mulheres, conceitos novos e aqueles já conhecidos são a base de uma conectividade capaz de fortalecer e redefinir, sem julgamentos ou pré-conceitos, as relações femininas interpessoais.

 

Ela já teve o status de modinha, coisa passageira e até sinônimo de “mimimi”, mas a verdade é que sua significância vai muito além do próprio significado. A palavra empoderamento é nova, foi incorporada ao nosso vocabulário, está nos dicionários e traz com ela não apenas a ideia de “dar poder a uma minoria”. Carrega o desejo de mudança, de redução da vulnerabilidade, a força de quem acredita nas próprias habilidades, e, sobretudo, carrega a determinação para alcançar um desenvolvimento humano que prime pela equidade e alcance a capacidade de exercitar plenamente os direitos individuais.

Quando levada ao universo feminino, o termo ganha ainda mais poder, pois a luta das mulheres por representatividade, igualdade e liberdade não é algo novo. Historicamente, a participação feminina no clamor por mudanças e equiparação nasceu de um viés trabalhista em meados dos anos 1900, mas que ao longo das conquistas foram se estendendo para os demais segmentos, como político, social e familiar. E com o passar do tempo, ganhou muito mais representatividade.

Atualmente, muitas mulheres e grupos feministas têm feito uso do espaço social (físico e virtual) para abordar, debater, informar, esclarecer temas como discriminações de gênero, liberdade sexual, alertar e denunciar sobre violências e abusos psicológicos, físicos e sexuais, que atingem mulheres de todas as idades e classes sociais.

É diante de um contexto complexo e desfavorável para as mulheres que se destaca a importância da sociedade refletir e discutir feminismo, empoderamento e sororidade.

Nem sempre a relação entre estes três aspectos é bem compreendida. Há quem acredite que se trata de vitimismo feminino, não reconhece – existem ainda aqueles que fazem questão de não reconhecer – as disparidades entre direitos, privilégios e notoriedade dos universos masculino e feminino. Pois bem, afirma-se, sem medo de errar, que os três vieses caminham juntos em busca de uma sociedade mais inclusiva e igualitária.

O feminismo não tem a intenção de se colocar em supremacia em detrimento do homem, as suas causas e lutas buscam promover o acesso às mesmas oportunidades sociais, políticas e profissionais, sem que para isso seja preciso a mulher vivenciar algum tipo de opressão.

Agora, para falar sobre sororidade, antes de mais nada é preciso entender o significado e o valor que esta palavra, ainda estranha e desconhecida para muitas pessoas, possui. Sororidade vem de “soror”, que significa “irmã” em Latim. A ideia está ligada ao apoio, acolhimento, companheirismo, empatia e união entre as mulheres.

O que esperar de mulheres que praticam a sororidade?

Empoderamento feminino e sororidade se completam. Ou melhor, eles coexistem, não há como desvincular um do outro, pois uma mulher que luta por direitos iguais também acolhe, apoia e dá forças àquela em situação de opressão, medo, abuso e discriminação.

Quem pratica a sororidade não vê outra mulher como inimiga. Não se trata aqui de ser a melhor amiga de toda e qualquer mulher, mas de transpor um conceito de que mulheres estão sempre disputando o mesmo espaço, de que precisa ser melhor e superar a outra.

A sororidade e o empoderamento feminino têm um caráter transformador. Por meio deles, onde há a troca de experiências e uma mulher se vê na outra, é possível desenvolver mais rapidamente a capacidade de dizer não a situações abusivas, denunciar comportamentos indesejados, reconhecer relacionamentos tóxicos e destrutivos, além de se permitir conhecer o próprio corpo sem vergonha ou sentimento de culpa, conquistar o autoconhecimento, a liberdade e o poder de decisão sobre si mesma.

Outra (boa e importante) consequência da sororidade é poder servir como uma ponte para que mais mulheres possam ter acesso a informações sobre vida sexual saudável; tenham também a oportunidade e o entendimento do que é um planejamento reprodutivo, para decidirem se querem ou não vivenciar a maternidade, e se quiserem, escolher qual o momento ideal para que isso aconteça; conhecer e optar por métodos contraceptivos que forem mais convenientes, de acordo com o ritmo e estilo de vida que levam.

Ainda há muito juízo de valor, ideias e preconceitos a serem desenraizados da sociedade e da própria opinião feminina. A prática da sororidade pode contribuir para que isso aconteça.

Você não está sozinha. Juntas somos mais fortes! #ElaDecide

Como ser mãe e estudar ao mesmo tempo

Muitas meninas e mulheres conseguem enfrentar o preconceito e outros obstáculos para não abandonar os sonhos de estudo depois da maternidade

Toda mulher tem direito à educação, qualquer que seja a sua idade ou classe social. E isso inclui poder  decidir sobre a sua escolaridade também quando ela se torna mãe.

No nosso país, grande parte das mulheres engravida sem a intenção de ficar grávida naquele momento – cerca de 30%, segundo a pesquisa Nascer no Brasil, da Fiocruz. E, segundo o Ministério da Saúde, 18% de todos os bebês que nascem no país são filhos e filhas de mães com 19 anos ou menos.

Além dos jovens iniciarem a vida sexual cada vez mais cedo – entre 13 e 17 anos -, as adolescentes têm mais chances de engravidar na primeira vez, por ainda terem pouca informação sobre os métodos contraceptivos, como usá-los e como lidar com as mudanças do próprio corpo.

Segundo o IBGE, hoje uma das principais causas da evasão escolar no Brasil é a gravidez na adolescência. Por não conseguirem conciliar os estudos e a criação do filho, ou terem que lidar com o preconceito de colegas e professores, muitas meninas acabam adiando a formatura.

O que poucas dessas jovens sabem é que a lei 6.202, de 17 de abril de 1975, permite que as mães adolescentes possam estudar em casa, com direito a material didático, do 8º mês de gravidez até o 3º mês do bebê.

A chegada de um filho não deve ser o término de um sonho. Estando bem informada sobre as suas possibilidades e direitos, é possível buscar soluções para equilibrar os estudos e a maternidade.

Dicas para voltar a estudar após a gravidez

Não há dúvidas de que tanto a escola como a universidade exigem esforço e dedicação, principalmente quando você precisa dividir a atenção com a chegada de um bebê. Mas, planejando bem, muitas meninas e mulheres conseguem conciliar a vida de estudante e de mãe. Você não está sozinha! Confira algumas dicas para se programar:

  • Muitas mães adolescentes e jovens não recebem qualquer apoio de suas famílias, amigos e do próprio pai do bebê. Vulneráveis às diversas expressões de preconceito – que vão desde a expulsão de casa até as mensagens subliminares do dia a dia, essas mulheres frequentemente se sentem diminuídas, culpadas e impotentes. Lembre-se que você é uma pessoa única, cheia de potencialidades e talentos. Procure a ajuda de todas as suas possíveis redes de apoio, como familiares, amigas(os), comunidade e outras jovens passando pela mesma situação para se fortalecer emocionalmente.
  • Antes de voltar aos estudos, converse com o diretor(a) da sua escola ou coordenador(a) do curso para entender como a instituição de ensino pode te apoiar a dar continuidade aos estudos. Combine com os professores também os horários que precisará amamentar, as idas a consultas e reposições de aulas. Se a escola não estiver aberta a se adaptar às suas necessidades de mãe, lembre os(as) gestores(as) sobre a legislação que lhe garante o direito de estudar e busque o apoio de outras instâncias da escola, como as associações de pais e mestres, ou mesmo de um(a) professor(a) que compreenda melhor a sua situação. Se esses esforços tampouco surtirem efeito, busque a Defensoria Pública para fazer valer o seu direito à educação.
  • Procure alguém que possa ficar com o seu filho ou filha no horário das aulas ou levá-lo até você. Esta opção muitas vezes pode ser difícil ou custosa. Acione todas as redes com a qual você puder contar e lembre-se que o pai da criança também tem a obrigação de prover por ela.
  • Um dos papéis do pai da criança durante e após a gravidez é dar o apoio necessário à mãe para que ela consiga retomar à sua rotina. Não hesite em pedir que te apoie nesse momento. Lembre-se que, se ele recusar lhe apoiar financeiramente, você pode pedir que a Justiça o obrigue. Procure a Defensoria Pública para conhecer e fazer valer os seus direitos.

A educação também é uma forma de empoderamento feminino e buscar a realização dos seus sonhos é importante para manter a sua autoestima e os planos que traçou para si mesma. Ainda que você tenha se tornado mãe antes do momento que desejava, é seu direito ter acesso ao conhecimento que lhe permita decidir se deseja ou não engravidar novamente, quando e quantos filhos ter, refletir desde cedo sobre planejamento reprodutivo, e qual o melhor método contraceptivo para você.

Campanha Ela Decide incentiva a mulher a conhecer o corpo e seus direitos sexuais e reprodutivos

Lançada em abril, a campanha Ela Decide aproxima jovens mulheres de informação de qualidade sobre direitos e saúde sexual e reprodutiva, para que elas entendam sobre si mesmas, o próprio corpo, e como lidar com os desafios da vida sexual.

No Brasil, de cada cinco bebês, um nasce de uma mãe com até 19 anos de idade. E, de acordo com a pesquisa Nascer no Brasil, da Fiocruz, cerca de 30% das gestações não são desejadas.

Neste cenário, é necessário engajar jovens e mulheres, desde o início da vida sexual, a conhecerem a si mesmas e a viverem  sua sexualidade com acesso a informação sobre métodos contraceptivos e planejamento da vida reprodutiva.

Aparelho Reprodutor Feminino: Você conhece o seu?

Mulheres com direitos sexuais e reprodutivos garantidos

Informação real e espaço para o diálogo: a Campanha Ela Decide Seu Presente e Seu Futuro usa diversos meios de comunicação e ferramentas para chegar até mulheres que precisam saber que não estão sozinhas e que têm direitos sexuais e reprodutivos que devem ser garantidos.

A campanha é uma iniciativa da Aliança pela Saúde e pelos Direitos Sexuais e Reprodutivos no Brasil, liderada por empresas privadas e instituições filantrópicas, com o apoio do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) no Brasil e a Embaixada dos Países Baixos.

Em maio, a campanha guiou o Programa Panorama, da TV Cultura, que teve como tema “O protagonismo da mulher em relação ao seu corpo”. O programa contou com a participação da ginecologista Rossana Pulcineli, presidente da Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo, Anna Cunha, oficial de programa na UNFPA no Brasil, e a youtuber Jout Jout.

As convidadas falaram sobre dados de pesquisas e como as mulheres jovens precisam ampliar sua visão sobre seus corpos, reconhecendo seus direitos e como isso impacta não só na vida pessoal de cada uma, mas no futuro da juventude do Brasil. Assista o vídeo completo abaixo:

Nas redes sociais, é possível ver mesmo como a iniciativa tem incentivado mulheres, que trocam histórias, dúvidas e experiências. A Ela Decide Seu Presente Seu Futuro está aqui:

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Quem está na campanha e acredita na ideia

Para conversar de igual pra igual com jovens e mulheres que buscam conhecer seu corpo e acreditam no empoderamento feminino, quatro mulheres fortes fazem parte da Ela Decide Seu Presente e Seu Futuro. Para saber o que elas falam, basta clicar na imagem:

Jout Jout: youtuber

Bella Pierro: atriz

Gabi Oliveira: youtuber

Juliana Alves: atriz

Além de todo esse apoio, é muito importante que você também se engaje. Você não está sozinha. Explore nossos canais, esteja perto para conhecer e se apropriar de seus direitos e saiba que o seu corpo tem uma história que é só sua. #Eladecide

Assédio no trabalho: uma realidade na rotina de muitas mulheres

Na jornada de trabalho das mulheres, tão importante quanto desempenhar as funções é saber se impor e denunciar condutas sexuais abusivas

Em todas as áreas de trabalho não há quem não conheça uma história de assédio, seja vivenciada por si mesma ou por alguma amiga. Histórias que vão desde cantadas, convites para sair, piadas misóginas, presentes inoportunos e até contatos físicos forçados, como beijos, abraços ou atitudes mais íntimas. Muitas das vezes, o assédio vem acompanhado de ameaças de demissão ou promessas de promoção.

No ambiente de trabalho, assédio sexual é o comportamento de característica sexual imposto, no qual não há o consentimento por parte da mulher, causando constrangimentos, situações vexatórias, humilhantes e de subordinação. É importante destacar que o assédio sexual é por vezes confundido com assédio moral, mas se diferencia pelo tipo de relação, que em geral são de força e/ou poder, não necessariamente de hierarquia.

Os assédios sexuais são classificados em dois tipos: por chantagem e por intimidação. No primeiro, há uma coação, uma conduta sexual em troca de benefícios, ascensão ou afim de evitar prejuízos na carreira; enquanto no segundo, pode até não haver ameaça, mas há atitudes impertinentes como brincadeiras de mau gosto, cantadas e “elogios” que podem prejudicar o desempenho profissional e gerar intimidação ou humilhação.

Desde 2001, o assédio sexual é crime no Brasil, com pena de um a dois anos de prisão para quem praticá-lo, e está tipificado no artigo 216-A do Código Penal: “constranger alguém com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual, prevalecendo-se o agente da sua condição se superior hierárquico ou ascendência inerentes ao exercício, emprego, cargo ou função”.

O número de denúncias em órgãos oficiais é crescente, mas não reflete a realidade. Para se ter uma ideia, segundo o Ministério Público do Trabalho, em 2012, foram denunciados 165 casos de assédios sexuais em ambientes de trabalho, e em 2017, esse número saltou para 340 ocorrências, mas a quantidade é sem dúvida muito maior pois a maioria das mulheres não denuncia sequer dentro da empresa quanto mais ao MPT.

Muitos assediadores aproveitam-se de uma cultura machista, que não repreende a conduta, culpabiliza a vítima e inibe a denúncia, para continuarem a agir com a certeza de que suas atitudes “não são nada”, apenas “elogios”, ou no máximo “ações mal interpretadas”.

A ginecologista Carolina Ambrogini fala que isso ocorre “porque a gente ainda respira um ambiente muito patriarcal, onde o homem tem domínio sobre a mulher, em que o homem é base da sociedade. Então ele se acha poderoso ao subjugar a mulher.”

Diante das situações constrangedoras, a maioria das vítimas não denuncia por ter vergonha, medo de sofrer represálias, ser julgadas, desacreditadas, ter algum prejuízo na carreira ou perder o emprego, por exemplo.

Ainda são minoria, mas já estão ganhando voz, as mulheres que não se calam, denunciam os assediadores, expõem as próprias histórias e cobram da sociedade uma mudança de postura.

A mudança sociocultural não é imediata, mas acontece à medida que se discute sobre sexismo, preconceito e intolerância, que valores como igualdade de gêneros são promovidos, que as mulheres conseguem dizer não!, que se criam mecanismos para protegê-las de retaliações e punir os assediadores, que o mercado se posiciona como agente transformador, sobretudo quando existe um cenário desfavorável para o crescimento e desenvolvimento profissional das mulheres.

É animador ver que empresas de grande porte, influenciadoras, estão preocupadas em não tolerar casos de assédio sexual. Porém estas ações de repreensão não devem ser pontuais, alcançando apenas casos com grande visibilidade. Espera-se uma nova cultura organizacional, um ambiente de trabalho no qual as mulheres sintam-se seguras, sem ameaças e que sejam tratadas com respeito e profissionalismo.

O processo ainda é lento, mas é contínuo e progressivo.

Se você conhece uma vítima, apoie e encoraje a denúncia, sempre respeitando a decisão dela já que é ela quem terá de enfrentar as consequências. Se você for vítima, não se cale. Denuncie!

Para violência contra mulher, use o Disque-denúncia: 180. Você não está sozinha! #Eladecide

Aparelho Reprodutor Feminino: como protegê-lo das Infecções Sexualmente Transmissíveis

A saúde íntima da mulher corre sérios riscos quando exposta a relações sexuais desprotegidas. Conheça mais sobre seu corpo e como evitar Infecções Sexualmente Transmissíveis.

Você sabe que tem que ser proteger em qualquer relação sexual, não sabe? Isso é importante tanto para prevenir uma gravidez não planejada como para evitar Infecções Sexualmente Transmissíveis. Vamos falar um pouco sobre elas.

As ISTs são causadas por vírus, bactérias ou outros microorganismos e podem ser transmitidas por meio do contato sexual (oral, vaginal, anal) com uma pessoa que esteja infectada, independente de gênero, sexo ou orientação sexual.

Alguns sintomas, como feridas, corrimentos ou verrugas genitais e anais, podem aparecer por causa das Infecções Sexualmente Transmissíveis, que são um perigo para a saúde íntima da mulher e, às vezes, um risco à vida. Conheça como evitar as ISTs por meio de métodos contraceptivos.

E primeiro lugar: é necessário entender o funcionamento do seu corpo

O aparelho reprodutor feminino é composto por útero, ovários, trompas de falópio e a vagina. Para que ele esteja em funcionamento perfeito, muitas reações hormonais ocorrem. O ciclo menstrual é coordenado por essas reações.

Leia mais sobre o aparelho reprodutor feminino e entenda como seu corpo funciona.

Quando você começa a observar mais de perto o seu corpo, toda reação diferente fica muito evidente. Por isso, observe-o sempre – um bom hábito é fazê-lo durante sua higiene pessoal.

Além da observação constante da anatomia do seu seu corpo, é muito importante que você seja acompanhada pelo(a) ginecologista, que você pode encontrar no Sistema Único de Saúde (SUS) ou também em clínicas particulares.  

Qualquer reação diferente deve ser comunicada a um ou uma profissional da área médica –  tanto em relação aos seus seios quanto na área visível da genitália, como vulva, grandes lábios, e a região entre a vagina e o ânus. Para a parte do aparelho reprodutor feminino interna, formada por canal vaginal, colo e paredes do útero, o mais indicado são os exames de rotina. Mais conhecido como ‘preventivo’, esse grupo de exames é necessário pelo menos uma vez ao ano.

ISTs e o mal que elas fazem à saúde da mulher

As ISTs podem causar um grande prejuízo ao aparelho reprodutor feminino e à saúde da mulher, de uma forma geral. Mal-estar, coceiras nas áreas íntimas, mau cheiro de corrimentos ou da menstruação, feridas, corrimentos, verrugas e qualquer ocorrência que esteja fora da normalidade – quanto antes forem percebidas, maior a probabilidade de tratamento e cura.

Fique atenta às principais ISTs e seus sintomas. Caso você tenha feito sexo sem o uso do preservativo e observar algumas reações no seu corpo, procure um ou uma profissional de saúde. Conheça algumas ISTs:

HIV: causada por vírus, que pode ficar incubado por anos antes do surgimento da doença propriamente dita. Por isso, fique atenta! Ter HIV não é a mesma coisa que ter AIDS. E isso é o mais importante de ressaltar: os sintomas da doença só aparecem quando a doença já está instalada. Algumas pessoas que estão infectadas pelo vírus podem mesmo nem saber, por não haver doença ainda. No entanto, saber sobre a infecção em um estágio inicial proporciona maiores possibilidades de tratamento. A única forma de saber é por meio de teste. A transmissão é via sexual (genital, anal e oral), uso compartilhado de seringa, transfusão de sangue contaminado, e da mãe para o filho.

HPV: existem mais de 200 tipos de HPV. Alguns podem causar câncer, especialmente no colo do útero. Pode ser transmitido sexualmente, tanto pelo contato genital-genital quanto genital-oral. Pessoas com baixa imunidade ou gestantes estão mais propensas a manifestar os sintomas, que aparecem no pênis, ânus, vagina, vulva, colo do útero, boca e garganta.

Alguns sintomas são:

  • Irritação ou coceira no local.
  • Verrugas não dolorosas, isoladas ou agrupadas, que aparecem nos órgãos genitais (o risco de transmissão é muito maior quando as verrugas são visíveis).
  • Lesões visíveis

Há registros, no Brasil, de mais de 2 milhões de casos de HPV por ano. Não há um grupo clinicamente mais suscetível a ter a infecção, mas, segundo a ginecologista Carolina Ambrogini, “no caso de mulheres sexualmente ativas, com mais parceiros, há mais risco”.

Sobre a vacinação, a especialista ainda lembra: “A vacina, que é a tetravalente, tem os quatro tipos de vírus, pode ser tomada até os 45 anos. E a vacina que é para congênitos, tem dois tipos de vírus, pode ser tomada em qualquer idade. Na rede pública, está disponível apenas para adolescentes, meninas e meninos” .

O Ministério da Saúde adotou a vacina quadrivalente, que protege contra dois tipos do HPV de baixo risco e de alto risco, que tem dois tipos do vírus que causam câncer de colo uterino. A população prioritária para receber a vacina HPV é a de meninas com idade entre 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos.

Fique ligada! O vírus pode ficar latente no corpo e a lesão aparece alguns dias ou anos após o contato.

Cancro Mole: Causado pela bactéria Haemophilus ducreyi, é transmitida por via sexual, quando não há uso do preservativo. Alguns sintomas são:

  • Feridas dolorosas e pequenas, com pus, geralmente aparecendo nos órgãos genitais (ex.: pênis, ânus e vulva).
  • Nódulos (caroços ou ínguas) na virilha.

Gonorreia e Infecção por Clamídia: Causadas por bactérias, geralmente as duas infecções estão associadas e os sintomas apresentam-se em órgãos genitais, garganta e olhos, mas a maioria das mulheres infectadas não apresenta sinais e sintomas. Alguns sintomas:

  • Dor ao urinar ou na parte de baixo da barriga;
  • Corrimento amarelado ou claro, fora da época da menstruação;
  • Dor ou sangramento durante a relação sexual;
  • Os homens podem apresentar ardor e esquentamento ao urinar, podendo haver corrimento ou pus, além de dor nos testículos.

DIP (Doença Inflamatória Pélvica): quando a gonorreia e a infecção por clamídia não são tratadas, ocorre a DIP. A infecção atinge os órgãos sexuais internos da mulher, como útero, trompas e ovários, causando inflamações.

Alguns sintomas:

  • Dor na parte baixa da barriga durante a relação sexual;
  • Dor nas costas;
  • Febre, fadiga e vômitos.

A infecção pode ser muito perigosa e em casos mais graves, precisa-se de internação hospitalar com uso de antibiótico.

Donovanose:

Causada pela bactéria Klebsiella granulomatis, é uma IST crônica progressiva. Não há dor, o que pode aumentar o tempo de observação dos sintomas Alguns sintomas:

  • Ferida ou caroço vermelho (progressão de uma lesão) nas regiões genitais, que sangra facilmente.
  • Atinge grandes áreas
  • Compromete a pele ao redor, facilitando a infecção por outras bactérias.

Até que os sinais e sintomas tenham desaparecido e o tratamento seja finalizado, não é recomendado o contato sexual.

LGV (Linfogranuloma Venéreo):

Popularmente conhecida como “mula”, é uma infecção crônica causada pela bactéria Chlamydia trachomatis. Alguns sintomas são:

  • Feridas nos órgãos genitais e outros (pênis, vagina, colo do útero, ânus e boca ).
  • Há uma ferida inicial. Depois de uma a seis semanas, surge um caroço na virilha, que, sem tratamento, pode romper-se com pus.
  • Dores nas articulações, febre e mal-estar.
  • Elefantíase genital: é o que ocorre quando a LGV não é tratada. A elefantíase genital é o acúmulo de linfa no pênis, escroto e vulva.

HTLV: causada por vírus, atinge as células de defesa do organismo (linfócitos). Os sintomas podem não surgir por toda a vida, mas 10% das pessoas infectadas, segundo o Ministério da Saúde, apresentarão doenças neurológicas, oftalmológicas, dermatológicas, urológicas e hematológicas, como leucemia associada ao HTLV.

Sífilis: causada por bactéria, é classificada como Sífilis primária, secundária e terciária, e é mais provável de ser transmitida nos estágios iniciais. Alguns sintomas:

Sífilis primária

  • Ferida – rica em bactérias -, que aparece entre 10 a 90 dias após o contágio. Normalmente sem dor, coceira, ardor ou pus, podendo estar acompanhada de caroços na virilha.

Sífilis secundária

  • De um a seis meses depois da primeira ferida cicatrizar, podem ocorrer manchas pelo corpo todo. Pode, ainda, ocorrer febre, mal-estar, dor de cabeça, ínguas pelo corpo.

Com menos de dois anos de infecção, há a Sífilis latente recente e, com mais de dois anos, a Sífilis latente tardia. Ambas sem sintomas evidentes.

Sífilis terciária

  • Até 40 anos depois do início da infecção, a Sífilis pode surgir, apresentando sinais e sintomas como lesões cutâneas, ósseas, cardiovasculares e neurológicas, podendo levar à morte.

A boa notícia é: TODAS as ISTs são prevenidas com o uso de preservativo.

Métodos contraceptivos que cuidam da saúde da mulher

É o(a) ginecologista que vai ajudar a escolher o melhor método contraceptivo para o seu organismo. Mas os métodos de barreira, seja ele preservativo masculino ou feminino, são os que protegem completamente do contato direto com as áreas de possível infecção.

Caso você decida complementar a utilização do preservativo com outro método anticoncepcional, deve visitar o ginecologista, pois ele deverá indicar os métodos adequados às suas necessidades e também a necessidade de exames.

Leia mais sobre os métodos contraceptivos disponíveis pra você.

Comece com o cuidado com o seu corpo e estenda cuidando também de quem está com você, conversando sobre a necessidade do uso do preservativo . Caso você descubra que tem alguma Infecção Sexualmente Transmissível, é muito importante alertar seu parceiro ou sua parceira, para saber se ele(a) apresenta os mesmos sintomas. Isso interrompe uma possível cadeia de transmissão.

O empoderamento feminino é sobre colocar a sua saúde em primeiro lugar. Portanto, conhecer bem o seu corpo, e o que pode atentar contra a saúde dele, é um cuidado com você mesma e com a pessoa que você mantém relações.

Aparelho reprodutor feminino: você conhece o seu?

Quando falamos em aparelho reprodutor feminino, as dúvidas são muitas. Então que tal começar a olhar para a sua saúde íntima de perto?

Na adolescência, você começa a reconhecer as reações do seu corpo: sabe por quem sente desejo, está descobrindo por quais transformações está passando, assim como tem o primeiro contato com o tema da sexualidade, conhecendo novas formas de se relacionar e como se proteger. E mais: quais são seus direitos sexuais e os seus direitos reprodutivos.

Mas o quanto você sabe sobre o funcionamento do seu corpo?  E do seu aparelho reprodutor? Entender como funciona o aparelho reprodutor feminino pode responder a vários questionamentos, ajudar a descobrir mais sobre você e, claro, empoderar mais ainda.

Aparelho reprodutor feminino, muito prazer!

O aparelho reprodutor feminino é um sistema de órgãos que envolve muita coisa que talvez você nunca tenha ouvido falar, ou apenas não lembre.Conhecer como ele funciona é vital para que você comece a pensar sobre os seus direitos sexuais  e seus direitos reprodutivos.

Se você nunca ouviu falar sobre direitos sexuais e direitos reprodutivos, saiba que:

Direitos Sexuais incluem:

  • direito à sexualidade plena em condições seguras e saudáveis;
  • direito de tomar decisões livres, informadas, voluntárias e responsáveis sobre a sexualidade;
  • o respeito à orientação sexual e à identidade de gênero, livre de coerção, discriminação e violência;
  • o direito à informação e aos meios necessários para a garantia da saúde sexual e reprodutiva.

Direitos Reprodutivos incluem:

  • direito de todos os indivíduos e casais de decidir livre e responsavelmente sobre se querem ter filhos, quando e quantos ter;
  • direito a desfrutar de uma vida afetivo-sexual satisfatória e segura, livre de doenças e infecções, exercida sem violência, com respeito mútuo, igualdade e o pleno consentimento entre os parceiros

São o útero e os ovários os órgãos mais conhecidos do aparelho reprodutor feminino. Mas, além deles, o sistema é composto das trompas de falópio, da vagina, da vulva. Muito do seu corpo está envolvido com o aparelho reprodutor. Na verdade, são glândulas e hormônios que comandam e tudo isso tem a ver com o ciclo menstrual. Muita informação, né? Vamos por partes.

Ovários: os ovários são glândulas – bem pequenas, do tamanho de nozes. Eles produzem os óvulos (que, antes de serem liberados, ficam dentro de folículos). Quando o óvulo é fecundado pelo espermatozóide, ocorre a gravidez .

Trompas de Falópio: é quem faz ligação entre seus ovários e seu útero. Quando os óvulos são liberados dos ovários, atravessam a trompa para chegar ao útero. Ela é responsável por “captar” esse óvulo e levá-lo ao útero. Caso tenha havido uma relação sexual sem contraceptivo de barreira, há a possibilidade de o espermatozóide (dos milhões que foram lançados no aparelho reprodutor feminino) fecundar o óvulo.

Útero: é um receptáculo onde o óvulo fecundado (caso aconteça) vai ficar “guardado”, protegido e nutrido. É também o órgão que tem uma camada que “recebe” o óvulo fecundado. Caso não haja fecundação, essa camada, chamada de endométrio, se regenera a cada mês e é liberada na menstruação.

Vagina: é o canal que liga o útero à parte externa do aparelho reprodutor feminino. É por ela que sai a menstruação, por onde sai o bebê (no parto vaginal) e é onde ocorre lubrificação durante o ato sexual.

Hímen: uma membrana que encontra-se na entrada da vagina, enquanto a mulher não mantém relações sexuais. Ele pode ser rompido na primeira relação sexual com penetração, o que às vezes provoca um pequeno sangramento. Alguns hímens se rompem com certa dificuldade, nem sempre na primeira relação sexual com penetração.

Vulva:  A parte visível do seu aparelho reprodutor é a vulva. Ela protege a vagina e é formada pela uretra, clitóris, orifício vaginal, pequenos lábios e grandes lábios. Existem cuidados específicos dessa área para que saúde íntima da mulher seja mantida.

Período fértil e ciclo menstrual

Agora que você conhece bem sobre o aparelho reprodutor feminino, saiba um pouco sobre o ciclo que ocorre relacionado a ele.

O ciclo menstrual é o tempo que vai do primeiro dia de uma menstruação até o dia que antecede o início da menstruação seguinte. Lembra da liberação do óvulo? Então, isso em geral acontece lá pelo 14º dia depois da menstruação. É a ovulação.

Nessa época em que o óvulo é liberado – e pode ser fecundado (caso ocorra ejaculação na vagina) – é o que chamamos período fértil. Como não se tem certeza do dia exato da ovulação, o período fértil são os dias próximos da ovulação (além do próprio dia da ovulação). É nessa época que você tem mais probabilidade de engravidar.

Calcular o risco de se engravidar por meio da contagem dos dias férteis é o método chamado de tabelinha. No entanto, é muito arriscado confiar na tabelinha, porque os ciclos menstruais são variáveis e dependem de vários fatores hormonais. Ou seja: o cálculo nunca vai ser cem por cento confiável e a mulher pode acabar engravidando.

O ideal é sempre ter uma conversa com um ou uma ginecologista para saber que anticoncepcional se adequa melhor ao seu organismo e estilo de vida. Se você decidir usar a pílula, por exemplo, deve, antes de qualquer coisa, conversar com um médico ou médica.

Agora, qual a melhor forma de proteger o seu aparelho reprodutor e o seu corpo de uma gravidez não planejada e das ISTs?

Proteja-se e proteja quem estiver com você

Tanto em relações heterossexuais quanto em relações homossexuais, o seu corpo está exposto.

No caso de relações heterossexuais, a proteção contra ISTs ainda deve somar à proteção contra gravidez não planejada. Portanto, mesmo que você use algum método contraceptivo, use sempre o preservativo masculino ou feminino.

Caso você se relacione com alguém do mesmo sexo, vale o mesmo: o preservativo é o método que vai proteger seu organismo de qualquer infecção sexualmente transmissível. Ele é um grande aliado da saúde feminina e dos cuidados com você e seu (sua) parceiro(a).

Empodere-se! Você é dona do seu corpo.

A decisão de cuidar-se, de descobrir seu corpo, de ter consigo mesma o compromisso de ir a  um ou uma ginecologista é sua. Indo ao ou à especialista, fica mais fácil conhecer seu organismo. Saiba que alguns exames preventivos devem ser feitos anualmente por todas as mulheres. Outros, como a mamografia, são recomendados rotineiramente para mulheres a partir dos 40 anos.

Visitas anuais são recomendadas por grande parte dos e das ginecologistas, mas elas podem ser mais ou menos frequentes a depender da situação da mulher. A frequência de exames que você deve fazer é ele ou ela quem irá indicar. Portanto, visite seu  médico ou sua médica para receber mais orientações.

Conhecer seu corpo é empoderar-se dele. Quando a mulher tem esse conhecimento,  “tem todo o caminho das pedras, ela consegue expressar o que gosta. É muito diferente deixar o outro adivinhar, quando você sabe que pode dar dicas e sabe o que fazer para aquela relação ser boa, é um empoderamento. Você tem poder sobre o seu corpo e a sua sexualidade”, garante a ginecologista Carolina Ambrogini.

Mais do que uma decisão do que é bom para você agora, ter certeza dos seus direitos sexuais e dos seus direitos reprodutivos é saber o que será bom para o seu futuro também.

A campanha Ela Decide é sobre empoderamento feminino: é sobre a sua decisão do que é melhor para o seu corpo, o seu presente e o seu futuro.

A melhor forma de lidar é falar sobre. E você não está sozinha. Compartilhe informação, fale com amigas, irmãs, mãe, tias, primas, com as mulheres de sua geração e também das outras. Fale com cada mulher da sua vida para que ela também saiba: Ela Decide Seu Presente Seu Futuro.