Ser mulher nos dias de hoje é…

Essa é a hora de pensar o papel da mulher na sociedade e mais uma vez conquistar os espaços que queremos ocupar

Para você, o que é ser mulher nos dias de hoje? Talvez não seja tão simples responder assim, de imediato, mas fica mais fácil se você refletir sobre seus principais desafios, lutas e conquistas diárias.

Durante anos se tentou definir o que seria um comportamento esperado de uma mulher: ser o sexo frágil, maternal, sensível? E se antes a mulher tida como moderna era aquela que dominava os eletrodomésticos como ninguém, hoje ainda há quem a aponte como a profissional antenada, que dá conta das tarefas domésticas, educa bem os filhos e está sempre disposta, bonita e com um sorriso no rosto. Afinal de contas, o que mudou?

Você está hoje onde gostaria?

Nem sempre o lugar destinado a uma mulher é o espaço que ela deseja ocupar. Conquistar um território, ainda mais se for predominantemente masculino, exige que esse espaço seja construído por ela.

Por exemplo, existe praticamente um senso comum de que mulheres não entendem de política, futebol ou tecnologia.

Mas esse é um quadro que é possível mudar a partir do momento que a mulher conhece seus direitos. A Copa do Mundo na Rússia está aí para mostrar isso: as protagonistas foram as jornalistas que não se calaram perante o assédio sexual e fizeram história na imprensa esportiva. Algumas emissoras escalaram mulheres para narrar e comentar os jogos de futebol no mundial.

Muito se fala em igualdade feminina no mercado de trabalho, por exemplo, mas isso só se torna realidade quando existem iniciativas para reduzir as desigualdades entre homens e mulheres. Hoje, grande parte das empresas brasileiras ainda ignora esse tema, sem perceber que adotar políticas internas de diversidade – sejam elas de gênero, raça ou qualquer outra – são fundamentais para empresas que queiram se manter atuais.

Para começar, é importante assegurar que as diretrizes voltadas para o empoderamento das mulheres passem de fato a integrar a cultura institucional da empresa. E algumas formas de fazer isso acontecer são por meio do:

  • Compromisso real da liderança da empresa com programas de diversidade de gênero, com o estímulo também à liderança feminina;
  • Entendimento da raiz do problema, isto é, assumir que a desigualdade entre homens e mulheres existe na empresa e trabalhar nisso, o que inclui programas de planejamento de carreira e também ações de prevenção ao assédio no ambiente de trabalho;
  • Estabelecimento de uma cadeia produtiva socialmente responsável, que implemente ou apoie financeiramente programas de inclusão e promoção dos direitos das mulheres nas empresas. Por exemplo, incentivar a atuação externa de mulheres em outros estados e países;
  • Equilíbrio entre trabalho e vida pessoal das colaboradoras mulheres. Hoje, por exemplo, o número de homens que têm mais de um filho e estão em cargos de liderança é maior do que o de mulheres com apenas um filho que ocupam cargos executivos. Muitas profissionais se tornam mães justamente no momento em que estão definindo suas carreiras e é aí que as empresas resolvem deixá-las para trás.

A diversidade de gênero só acontece na prática se existirem iniciativas transparentes e focadas em resultados. Esse compromisso deve existir por uma razão ética e pelo reconhecimento de que as mulheres merecem oportunidades iguais.

Cada mulher responderá de forma diferente, de acordo com suas lutas diárias, histórias e vivências sobre o que é ser mulher. O que é importante saber é que lugar de mulher é onde ela quiser, inclusive se ela decidir ficar em casa e ser mãe em tempo integral. Nenhuma profissão ou atividade é exclusiva de um gênero, e o papel que uma mulher representa na sociedade é definido por ela durante o seu desenvolvimento pessoal e profissional. Reflita sobre o seu espaço, e não esqueça: você não está sozinha. #Eladecide

 

Síndrome do Ovário Policístico: o que é, como identificar e tratar

Sobrepeso, acne, excesso de pelos, atraso ou falta de ovulação, infertilidade. Essas são algumas das características que podem indicar a SOP – Síndrome de Ovários Policísticos. No entanto, esses sintomas não significam obrigatoriamente que a mulher esteja com a síndrome. Aqui, você vai saber mais sobre ela e sobre como tratá-la.

Falar sobre direitos sexuais e direitos reprodutivos é falar, antes de tudo, sobre conhecer o próprio corpo e empoderar-se dele. Isso porque, quando você entende como funciona cada parte é mais fácil entender reações, como se relacionar melhor consigo e cuidar melhor de si mesma.

Quando se fala sobre Aparelho Reprodutor Feminino é imprescindível ter conhecimento das doenças, infecções e síndromes que podem acometê-lo. A Síndrome de Ovários Policísticos (SOP), por exemplo, atinge uma parcela importante das mulheres.

Confira, a seguir, mais informações sobre a SOP, a diferença entre ter a síndrome e ter ovários policísticos e como proteger o seu aparelho reprodutor.

Os ovários e seu funcionamento

Os ovários são glândulas onde são produzidos os óvulos. As mulheres já nascem com todos os óvulos que vão ser liberados ao longo da vida, mas eles só são liberados depois de amadurecidos. Antes de serem liberados, ficam dentro de folículos.  

Para ocorrer a liberação dos óvulos, alguns hormônios entram em ação. Isso vai fazer com que o óvulo maduro seja liberado, percorra a tuba uterina e, em caso de relação sexual no período fértil, pode haver a sua fecundação – e a gravidez.

Qual a diferença entre ovários policísticos e a Síndrome dos Ovários Policísticos?

Os cistos no ovários ocorrem quando óvulos liberados não amadureceram de forma correta, pois sofreram a influência excessiva de andrógenos (hormônios masculinos, mas que as mulheres também têm).

Resultado: os óvulos ficam enrijecidos e viram cistos. Quando vários deles instalam-se no órgão, ele se torna um ovário policístico. Mas ter um ovário policístico é diferente de ter a Síndrome dos Ovários Policísticos.

A SOP é caracterizada por pelo menos 2 desses 3 fatores:

  • Disfunção na ovulação: a ovulação fica diminuída ou a mulher não ovula
  • Aumento do nível de hormônios masculinos
  • Aparência policística nos ovários (visível mediante ultrassonografia)

Em alguns casos, pode ser que a mulher não apresente cistos nos ovários, mas esteja com a Síndrome. O cuidado deve ser redobrado.

Por que a Síndrome do Ovário Policístico ocorre?

As primeiras manifestações da Síndrome podem ocorrer na adolescência, cerca de 2 anos depois da menarca (primeira menstruação). As causas da SOP ainda estão em discussão, mas alguns estudos e pesquisas apontam que a origem pode ser genética e que haja uma ligação com resistência à insulina, hormônio responsável pelo controle de açúcar no sangue. O excesso de glicose influencia a produção dos hormônios masculinos, resultando na Síndrome.

E se eu tiver SOP? Quais as consequências?

Mulheres com a Síndrome têm dificuldade para engravidar (pela diminuição da ovulação), podem apresentar excesso de pelos no corpo (características masculinas), acne e sobrepeso . Se você tiver essas características não significa necessariamente que tem SOP – vale a pena consultar um(a) médico(a).

Portanto, se você planeja ter filhos, deve redobrar o cuidado para diagnosticar o quanto antes, pois a SOP pode prejudicar esse planejamento. Em alguns casos, a obesidade também pode estar relacionada à Síndrome.

Para acompanhar o que acontece com o seu aparelho reprodutivo, é essencial que você visite um ou um(a) médico(a) com regularidade. Ele ou ela é o profissional mais indicado para diagnosticar se existe algo fora do normal com sua produção de hormônios  e com seus ovários.

Essas visitas devem ser preventivas e rotineiras (constantes), para evitar a SOP, e também com foco em tratamento, caso seja identificado algum problema. Isso porque o diagnóstico precoce da Síndrome de Ovários Policísticos pode ajudar na redução de riscos de infertilidade no futuro.

Conheça seu corpo e como ele funciona. Converse com seu médico sobre isso e previna-se. A campanha Ela Decide é um ambiente de trocas. Converse com outras mulheres também. Lembre-se: você não está sozinha. #ElaDecide.

Leia mais sobre Aparelho Reprodutor e saúde feminina.

 

Intolerâncias de um universo desigual

Machismo, sexismo e misoginia, é preciso entender para poder mudar.

A fama do Brasil é de ser um país que tem um povo hospitaleiro e cordial, tolerante às diferenças de cor, religião, nacionalidade, gênero, orientação sexual, idade e ideologia. Mas será que somos mesmo tolerantes?

Basta assistirmos aos noticiários ou observamos ao redor para constatarmos que, de fato, o nosso país não está livre de preconceitos. E é no ambiente virtual que muitas pessoas aproveitam para apoiar, referendar e dar voz às opiniões de xenofobia, racismo, homofobia, sexismo, misoginia e machismo, dentre muitas outras carregadas de intolerância e não aceitação das outras pessoas.

Se por um lado o debate público envolve as questões dos direitos e conquistas das mulheres, por outro há uma cultura que reforça os estereótipos do comportamento masculino, tendo o homem como dominante, um ser viril e provedor.

Embora os termos sexismo, misoginia e machismo, sobretudo este último, tenham ganhado grande popularidade, eles ainda geram algumas confusões sobre seus conceitos e significados. Por isso,  precisamos explicar cada um deles e suas influências sociais.

O que é sexismo?

Sexismo é a discriminação e objetificação de cunho sexual baseadas no sexo/gênero/orientação sexual. Na maioria das vezes, as ações sexistas são contra mulheres, homossexuais e transgêneros, o que não significa que as mulheres, homossexuais e transgêneros não ajam também de maneira sexista, em alguns casos.

Além disso, o sexismo está presente nas definições de comportamentos padrões por gênero. Por exemplo, quando se pensa em piloto de avião, a imagem associada é de um homem, e imaginar uma mulher exercendo a mesma função causa estranhamento. Isto é uma ação sexista, mesmo que inconsciente, seja ela vinda de um homem ou de uma mulher. Se buscarmos a perspectiva oposta, podemos tentar imaginar com naturalidade homens à frente de uma empresa de cosméticos. Toda essa conceituação estereotipada é sexista, e em maior ou menor gravidade se eternizam no (in)consciente coletivo da sociedade.

Quando se trata do sexismo no ambiente virtual, vemos maiores proporções. Em 2013, Kate Middleton deu à luz o primeiro filho, George, e, ao sair da maternidade, a Duquesa de Cambridge usou uma roupa que não escondia a barriga pós-parto. Nas redes sociais, recebeu uma enxurrada de críticas e comentários negativos a respeito do “descuido”.

Esperavam de Kate um ideal de perfeição inexistente no mundo real.

O que é misoginia?

Essa palavra tem tido popularidade, principalmente nas redes sociais, mas o que ela quer dizer?

Misoginia é aversão, repulsa, antipatia às mulheres e tudo aquilo tido como feminino.

Dito isso, vamos esclarecer um fato: misoginia não está diretamente relacionada à orientação sexual. Um homem misógino não é necessariamente gay, afinal o homem gay apenas não tem desejo, não se atrai por mulheres.

O comportamento do misógino é voltado para a inferiorização, depreciação, ridicularização e humilhação das mulheres, assim como aos sentimentos e características que a elas possam ser remetidos (sensibilidade, compreensão, etc). Vejamos: se uma mulher age de maneira ilícita e desvia dinheiro da empresa na qual trabalha, o misógino a xingará de vagabunda, vadia, cachorra e entre outros adjetivos que atingem apenas as mulheres. Ele não a chamará de ladra, falsa ou desonesta. Para ele, o que a desqualifica, antes de mais nada, é a condição de mulher.

Lembra, quando em 2013 o apresentador Danilo Gentili fez uma “piada” sobre Michelle Maximino, a mulher que doou mais de 300 litros de leite materno em Pernambuco? Em uma única frase ele ridicularizou a mãe, a amamentação e a doação de leite – atributos específicos das mulheres. O que o humorista considerou engraçado não passou de uma atitude completamente misógina e pouco solidária (depois do episódio, Michele passou a ser chamada de vaca em sua cidade). O que se viu ali foi o reforço de um preconceito e uma significação pejorativa de um gesto feminino e, sobretudo, humano.

E o machismo?

Literalmente, o machismo é a qualidade, o comportamento natural de macho (homem). Em sentido mais amplo, contextualizando o termo aos dias de hoje, o machismo é a ideologia da supremacia masculina, na qual se baseiam os pensamentos, as atitudes, os valores e costumes daqueles que acreditam ser superiores às mulheres e ao que elas representam.

Crescemos em um sistema patriarcal que privilegia o masculino e não valoriza o feminino. Por isso, não é de se estranhar que grande parte dos homens (e mulheres também) não aceite e/ou entenda os malefícios gerados pela cultura machista.

Muitos casos de violência, assédio morals e sexual, situações vexatórias e constrangedoras começam a partir da legitimidade social de um comportamento machista. No ambiente de trabalho, por exemplo, são inúmeros os relatos de mulheres que já vivenciaram “brincadeiras” constrangedoras de cunho sexual feitas por chefes e colegas com os quais não possuíam intimidade para tanto. No episódio recente do grupo de brasileiros que assediou a mulher russa, quantas pessoas não viram o fato apenas como uma diversão e consideraram a repercussão exagerada?

Essas pequenas atitudes machistas no dia-a-dia – como as piadas, as aproximações inadequadas etc – criam um caldo de cultura permissivo que favorece outras ações machistas de maior gravidade, como o assédio sexual, o estupro e outras formas de violência contra a mulher.

Agente transformador

O debate sobre sexismo, misoginia e machismo é necessário, não é modinha. Ele é fundamental para que se alcance a igualdade de gêneros e desconstrução de estereótipos. Homens e mulheres tendem a ganhar profissionalmente, pessoalmente e emocionalmente.

Ações educativas podem ajudar os homens a aceitarem e respeitarem a presença feminina, assim como ajudar mulheres a ter o controle total sobre as próprias decisões, sobre aquilo que consideram melhor para elas, seja qual for o aspecto da vida.

Vamos fazer a mudança acontecer. Você não está sozinha! #ElaDecide

As doenças que afetam as mulheres e como preveni-las

Quando se fala de saúde feminina, a lista de doenças que acometem as mulheres não é curta. Por falta de informação ou baixa frequência a(o) médica(o), elas são acometidas por enfermidades que podem ser facilmente prevenidas. Veja como evitar.

Desde a primeira vez que você foi ao ou à ginecologista, quantas doenças conheceu, quantos alterações no seu corpo conseguiu identificar e quantos problemas conseguiu solucionar pelo simples conhecimento do seu corpo e prevenção?

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), doenças ligadas à saúde reprodutiva e à maternidade encabeçam a lista de enfermidades que acometem mulheres no mundo. Enquanto câncer de mama e do colo do útero, além de ISTs, são motivo de alarme, é fundamental termos em mente que a prevenção é a chave para evitar que o corpo adoeça e, caso isso ocorra, que quadros mais graves não se instalem.

A campanha Ela Decide Seu Presente e Seu Futuro é uma iniciativa para que mulheres conheçam mais sobre seu corpo e também passem a reconhecer nele mudanças  e reações que possam indicar o seu adoecimento. Vamos conhecer alguns inimigos do organismo da mulher.

ISTs

As Infecções Sexualmente Transmissíveis são motivo de adoecimento de muitas mulheres no Brasil, por falta de prevenção. A simples utilização da camisinha masculina ou feminina evita as chamadas “doenças do sexo”, como Sífilis, Gonorreia, HPV, Câncer do Colo de Útero, HIV/AIDS entre outras.

Em nosso país, a vida sexual começa, em média, entre os 13 e os 17 anos. Portanto, meninas e jovens mulheres devem se manter informadas tanto sobre seus corpos quanto sobre formas de protegê-lo. Ir regularmente ao(à) ginecologista – você pode optar por um(a) médico(a) de outra especialidade – é primordial , não só para receber informações sobre métodos contraceptivos e maneiras de evitar ISTs, como também para realizar exames preventivos.

Saiba mais sobre como proteger seu aparelho reprodutor das ISTs

Câncer

Segundo o INCA (Instituto Nacional do Câncer) e o Ministério da Saúde, o câncer é o maior fator de mortalidade para pessoas entre 15 e 29 anos, retirando mortes por causas externas. Ainda segundo o relato, o carcinoma é o tipo mais encontrado de câncer, aparecendo na mama e no colo do útero.

Câncer do Colo do Útero – o câncer do colo do útero geralmente está ligado diretamente ao HPV, um vírus que pode ser evitado com o uso de camisinha  e de vacina disponível no SUS. O HPV pode, inclusive, gerar outras complicações além do câncer no colo do útero.

O exame Papanicolau ou Preventivo deve ser feito periodicamente por mulheres sexualmente ativas. Caso a mulher ainda não tenha iniciado a vida sexual, um exame preventivo adequado pode ser feito. O Papanicolau é feito clinicamente por médicos e até mesmo por enfermeiros(as) e a amostra é analisada em laboratório. Se feito regularmente, ajuda a prevenir o câncer do colo do útero e a diagnosticar outras possíveis complicações no órgão. Caso você já tenha iniciado sua vida sexual e nunca tenha feito um procedimento do tipo, procure uma unidade de saúde ou seu seu médico e peça o exame.

Câncer de Mama – o câncer de mama é o segundo tipo de câncer mais comum entre as mulheres no Brasil. Em 2015, a estimativa era registrar cerca de 57.120 novos casos. A forma de prevenir esse tipo de câncer é examinando-se com cuidado: com o exame de toque, que você mesma pode fazer, o exame clínico com médico, e por meio da mamografia.

É fundamental conhecer o próprio corpo e evitar preconceitos – como, por exemplo, o de que meninas não devem se vacinar contra HPV, por serem jovens demais (meninas a partir de 9 anos já podem ser vacinadas).

Saiba mais sobre o aparelho reprodutor feminino e como cuidar do seu.

Outros cânceres –  menos falados, porém não menos perigosos, o câncer dos ovários e o câncer do endométrio também são doenças que acometem o aparelho reprodutor feminino.  Eles possuem diagnósticos específicos, feitos por um ou uma ginecologista.

Doenças ligadas à saúde reprodutiva e à maternidade

Por fatores exclusivos do organismo feminino, como menstruação menopausa, gravidez, assim como órgãos e glândulas,como ovários, útero e mamas desenvolvidas, as mulheres podem desenvolver doenças específicas, que homens não desenvolvem – ou apresentam em menor escala.

Depressão pós-parto – segundo a OMS, os casos de depressão pós-parto em países de baixa renda chegam a quase 20% da população de grávidas. Assim, cuidados como acompanhamento psicológico da futura mãe no pré-parto e pós-parto são muito importantes.

Diabetes durante a maternidade – uma dieta especial pode prevenir essa doença que acomete tanto diabéticas quanto grávidas que nunca tiveram o problema. A mulher pode desenvolver a diabetes durante a gravidez e, depois, continuar ou não com a enfermidade.

Hipertensão durante a maternidade – a pré-eclampsia, como é conhecida, pode ocorrer tanto em grávidas hipertensas quanto em gestantes que apresentam pressão normal antes da gravidez.  A hipertensão resultar na diminuição de oxigenação do feto, mas o problema pode ser facilmente diagnosticado no pré-natal. Esta e várias outras condições que podem ser identificadas no pré-natal são fundamentais pois, se não são adequadamente tratadas, há riscos bastante graves para a saúde e até para a vida da gestante.

Informação é a melhor forma de prevenção

O pleno desenvolvimento das jovens e mulheres se dá quando elas têm acesso à informação e acesso à saúde integral. A detecção precoce de um problema aumenta muito as chances de tratamento e cura.

Lembre-se sempre que você não está sozinha e que problemas relacionados à saúde da mulher podem ser prevenidos e tratados.

Conhecer o seu corpo, tirar todas as dúvidas com seu médico ou com um(a) enfermeiro(a) e cuidar da sua saúde  antes, durante e depois da relação sexual é um direito seu. #ElaDecide

Gerando vida, construindo parcerias e famílias

Uma gravidez pode transformar a vida da mulher e de quem estiver ao seu lado. Se o homem assumir o seu papel de pai, pode ser criada uma parceria estreita e enriquecedora para todos.

A gestação é um momento único na vida de grande parte das mulheres. As mudanças emocionais e físicas são marcantes, e variam conforme a fase da gravidez. Neste período, sentimentos de ansiedade, medo, insegurança e tristeza competem com alegria, felicidade e amor. A mulher vive em uma “gangorra emocional” e o apoio e a compreensão do(a) companheiro(a), familiares e amigos(as) são fundamentais para a gestação evoluir de maneira saudável, tanto para o bebê quanto para a mãe. E, em relação à saúde física, os cuidados devem ser acompanhados pelo ou pela obstetra no decorrer das consultas do pré-natal.

É durante o pré-natal que as dúvidas das mães, e dos pais, sobre alterações hormonais, transformações do corpo materno, crescimento e desenvolvimento do bebê são esclarecidas. Esta fase também é fundamental para diagnosticar doenças congênitas ou malformações.

O envolvimento do homem durante o pré-natal reflete uma conscientização da importância de acompanhar e dar suporte à mulher neste período, além de estabelecer e/ou fortalecer a relação entre pai e filho.

De acordo com o Guia do Pré-Natal do Parceiro para Profissionais de Saúde do Ministério da Saúde, lançado em 2016, “historicamente, tanto o planejamento reprodutivo quanto as ações em saúde voltadas ao momento da gestação, parto e puerpério (pós-parto) foram pensadas e direcionadas às mulheres e às gestantes”, o que acabava por não incentivar a participação do homem durante o período gestacional da mulher. Neste contexto, a responsabilidade sobre a saúde e desenvolvimento do bebê já recaía de forma unilateral sobre a mãe, estendendo-se também à criação e educação das crianças.

Hoje, na busca por diminuir essa desigualdade, incentiva-se que o pai seja presente e participativo desde o planejamento reprodutivo, uma vez que isso pode levar a uma paternidade mais interativa e cuidadora.

Em que consiste o pré-natal do parceiro?

Quando a mulher pretende engravidar, ou assim que confirma a gravidez, ela começa a realizar o pré-natal, que é a rotina de consultas e exames para as gestantes e futuras gestantes. Da mesma maneira, o Ministério da Saúde tem implementado o pré-natal do parceiro, que busca estimular a presença do pai nas consultas do pré-natal, bem como solicita ao homem a realização alguns exames já feitos pelas mulheres normalmente, como sorologia para hepatite B e C, HIV e sífilis, além de exames de sangue para detectar presença ou não de diabetes, verificar níveis de colesterol e medição da pressão arterial.

É importante ter a noção de que gravidez não é exclusividade do universo feminino. Homens e mulheres podem mudar este paradigma, envolvendo e qualificando os homens na prevenção de transmissão de doenças durante a gestação, na atenção e cuidados com a saúde da mulher durante a  gravidez, no pós-parto, e na dedicação e responsabilidades para com o recém-nascido (o que só tende a aumentar os laços familiares).

Vale destacar ainda, que, segundo o Guia, o Ministério da Saúde também tem o propósito de fazer do pré-natal do parceiro “uma das principais ‘portas de entrada’ aos serviços ofertados pela Atenção Básica em saúde a esta população, ao enfatizar ações orientadas à prevenção, à promoção, ao autocuidado e à adoção de estilos de vida mais saudáveis. ”

Trabalho de parto e pós-parto

O momento do parto é um dos momentos mais críticos na vida das mulheres que decidem ser mães. Independentemente do tipo de parto que será realizado, cesárea ou vaginal, o momento é delicado e oferece alguns riscos. Contudo, desde 2005, está em vigor no Brasil a Lei do Acompanhante. Por meio desta lei é garantida à parturiente a presença de alguém conhecido e de confiança para acompanhar o parto, bem como o pós-parto imediato (período por até 10 dias).

Tanto os hospitais da rede pública quanto os da rede privada devem permitir que a gestante escolha uma pessoa, parente ou não, homem ou mulher, para ser acompanhante.  A presença de uma pessoa conhecida e de confiança da gestante estimula que os pais possam estar cada vez mais envolvidos.

Você não está sozinha. Estimule seu parceiro a vivenciar a gestação compartilhada e a paternidade participativa. Faz bem para você, para ele, para o bebê. Faz bem para a família. #ElaDecide

Políticas públicas para mulheres: grande eleitorado e pouca representatividade

A maior parte do eleitorado brasileiro é de mulheres, mas a maior parte da classe política é de homens. É fundamental incentivar e promover a participação política e fortalecer as lideranças femininas para garantir políticas públicas mais igualitárias

Ainda não faz 100 anos que, no Brasil, as mulheres podem exercer plenamente a cidadania. Em 1932, apenas as mulheres casadas, autorizadas pelos maridos, as viúvas e as solteiras que tivessem renda própria passaram a ter direito ao voto e de serem votadas. Em 1934, o Código Eleitoral excluiu tais limitações e o direito à cidadania foi estendido à todas as mulheres maiores de 18 anos.

Hoje, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), as mulheres são maioria do eleitorado brasileiro: 52% do total. Contudo, a representatividade feminina nos cargos executivos e no parlamento não reflete este fato. Para se ter uma ideia, dentre os 27 governadores, há somente 2 governadoras; no Congresso Nacional, atualmente em exercício, são 528 homens e 66 mulheres.

Com o intuito de equiparar a representação política entre homens e mulheres, a legislação eleitoral (Lei das Eleições – 9.504/1997), desde 2009, determina que “cada partido ou coligação preencherá o mínimo de 30% e o máximo de 70% para candidaturas de cada sexo”. Na prática, porém, poucas são as candidatas que recebem investimento e apoio real dos partidos e coligações.

É claro que não se pode ignorar as conquistas das mulheres, tanto no aspecto político como no sociocultural, entretanto, as consequências da baixa representatividade política feminina está no cotidiano da sociedade. As demandas das mulheres vêm sendo discutidas e planejadas, principalmente, por aqueles que desconhecem a realidade em que as mulheres vivem pelo simples fato de serem mulheres.

As políticas públicas para as mulheres existem, mas ainda precisam ser aperfeiçoadas.

No âmbito da saúde, a saúde da mulher mereceria maior atenção. Em 2004, o Ministério da Saúde desenvolveu a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher (PNAISM), uma evolução do Programa de Assistência Integral à Saúde da Mulher (PAISM), criado em 1983.

O PNAISM priorizava a humanização do tratamento de saúde às mulheres, considerando a diversidade econômica e de desenvolvimento das regiões brasileiras. Esta política amplia o atendimento a questões que tangem a prevenção de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), planejamento familiar, acompanhamento da saúde física e psicológica, a atenção às mulheres e adolescentes em situação de violência doméstica e sexual, promove a atenção à saúde das idosas, negras, presidiárias e rurais.

É necessário saber quais lideranças estão dispostas a defender a temática e agir em favor da igualdade de gênero, assegurando às mulheres maior participação nas atividades políticas, culturais e econômicas do Brasil.

A cada cidadão, a cada homem, a cada garoto cabe a conscientização da importância de uma sociedade justa e igualitária. A cada cidadã, a cada mulher, a cada garota cabe o empoderamento para ser autora de sua própria história. #ElaDecide

Papo aberto: respondendo a dúvidas sobre métodos contraceptivos, ISTs e mais

Perguntas, conversas e um diálogo próximo fazem da campanha Ela Decide um espaço para jovens entenderem melhor sobre seus corpos, seus direitos e a eficácia de métodos contraceptivos. Confira respostas para algumas das dúvidas que recebemos

Desde que teve início a campanha Ela Decide Seu Presente e Seu Futuro, muitas mulheres jovens tiveram a possibilidade de se informar sobre seus corpos, seus direitos sexuais e seus direitos reprodutivos. Mais ainda: a iniciativa abriu espaço para que muitas dúvidas fossem trazidas à tona.

Separamos perguntas  feitas por mulheres que entraram na conversa e querem saber como reagem seus corpos, quais são os seus direitos e como usar melhor os métodos contraceptivos.

A pílula: um método contraceptivo popular, mas cercado de perguntas

Algumas mulheres se questionam sobre como começar a tomar a pílula, se precisam ir mesmo à ginecologista. Veja as respostas esclarecedoras que a ginecologista e obstetra Albertina Duarte Takiuti concedeu à Ela Decide.  

Pergunta: Posso começar a usar pílula por conta própria?

Dra Albertina:O ideal é que uma consulta seja feita. Porque se a adolescente tiver pressão alta, diabetes ou até anemia, é recomendado um outro tipo de anticoncepcional. Mas tomar uma dosagem baixa de método anticoncepcional é melhor do que ela tomar pílula do dia seguinte. O ideal é que ela tenha uma consulta, que ela veja como está sua pressão, seu coração, se ela não tem anemia, não é diabética e se não há nenhum problema de circulação. Assim ela garante o melhor uso do anticoncepcional. Receitar ou usar a receita da amiga é uma furada.

Pergunta: Quando a pílula começa a fazer efeito?

Dra Albertina: Sempre depois do primeiro mês. Mas se você se atrapalhar, precisa ser o finzinho da cartela. Se tiver faltando 3 ou 4 dias, já fez efeito. Mas, o ideal mesmo é após o primeiro mês da pílula.

Pergunta: Quais são os remédios que podem prejudicar o efeito da pilula?

Dra Albertina: Antibióticos, calmantes, remédios para epilepsia e até remédios para hipertensão.

Pergunta: Esqueci de tomar a pílula um dia. Posso engravidar?

Dra Albertina: Se você esquecer um dia, você pode menstruar e pode engravidar. Então, se você deixar um dia, no dia seguinte, de manhã, já tome uma. E continue tomando. Mas é bom que use preservativo sempre. Quando você esquecer de tomar pílula, fique esperta! Use preservativo até o fim da cartela.

Pergunta: Qual a diferença da micro pílula pra pílula normal?

Dra Albertina: A micro pílula é uma dose só de progesterona. Não é que ela seja micro, é que ela é feita só de um hormônio, a progesterona. Geralmente, a gente usa em alguns casos após a amamentação, ou quando adolescentes não podem tomar o estrógeno, por exemplo, em casos de problemas cardíacos ou diabetes. Tem anticoncepcional que é um combinado de estrógeno e progesterona, e há outro tipo que é feito só de progesterona, essa é a principal diferença entre elas.

Pergunta: Usar um contraceptivo por muito tempo pode levar à infertilidade?

Dra Albertina: Não, não vai levar à infertilidade. Hoje as dosagens das pílulas que estão no mercado são muito boas, então a adolescente pode usar por 10, 15 anos. E quando parar, cuidado, ela pode engravidar, sim. Então esse mito da infertilidade não é verdade, porque a maioria das pílulas vendidas, parando um mês, a mulher pode engravidar no mês seguinte.

E os métodos contraceptivos modernos como DIU e implantes?

Algumas dúvidas sobre DIU de cobre, DIU hormonal, a influência do(a) parceiro(a) na decisão do uso desses métodos contraceptivos apareceram em nossas redes sociais também. Sobre esses temas, procuramos a docente da Escola de Enfermagem da USP Ana Luiza Vilela Borges.

Pergunta: Há idade mínima pra colocar o DIU?

Ana Luiza: Tanto a Organização Mundial de Saúde (OMS) quanto o próprio Ministério da Saúde definem que a idade mínima para colocar o DIU de cobre é a partir da menarca (primeira menstruação). Então, não há uma idade mínima estabelecida. As duas instituições deixam bem claro que é a partir da menarca. Se for o sistema intrauterino, chamado DIU hormonal de levonogestrel, aí ele entra nos critérios para o uso de métodos hormonais. Se for a base de estrogênio, pode comprometer a densidade óssea na adolescência, então depende da dosagem, e passa a ter um critério mais específico.

Pergunta: Posso usar DIU e pílula ao mesmo tempo?

Ana Luiza: A eficácia do DIU é maior que a da pílula. A do DIU hormonal e do implante, que são hormonais, chegam a se equiparar à dos métodos irreversíveis (ou dos métodos permanentes) que são a vasectomia e a laqueadura. Então, na verdade, quando você coloca o DIU, você não precisa usar nenhum outro método para proteger da gravidez. Você pode usar camisinha para se proteger das Infecções Sexualmente Transmissíveis.

Pergunta: Há contraindicação para o uso do DIU de cobre?

Ana Luiza: O DIU de cobre pode provocar muito mais sangramento durante a menstruação e muito mais cólica menstrual. Então, por exemplo, para as mulheres que já têm esse relato de cólica, é necessário se perguntar: “você está disposta a usar um método que pode aumentar sua cólica, pode aumentar seu sangramento menstrual?”. Então, ele tem a contra indicação, por exemplo, em casos de mulheres com anemias graves, você não vai colocar o DIU de cobre porque ele pode aumentar os sangramentos.

Pergunta: É verdade que o DIU pode levar a um câncer do útero ou à infertilidade?

Ana Luiza: Não tem nenhuma evidência de que o DIU dá câncer, nem outros tipos de DIU, nem provoca infertilidade. Não tem nenhuma evidência científica.

Pergunta: Posso colocar um implante subdérmico ou DIU de hormônio pelo SUS?

Ana Luiza: Algumas prefeituras disponibilizaram para populações muito específicas, por exemplo, mulheres que são usuárias de drogas, ou adolescentes que estão ali na segunda ou terceira gravidez, para evitar essa repetição da gravidez na adolescência. Mas são algumas prefeituras que investiram nisso para populações muito específicas. Em uma unidade básica normal, tradicional, eles não estão disponíveis.

Pergunta: Preciso de autorização do parceiro para usar um método contraceptivo?

Ana Luiza: Para laqueadura e vasectomia, existem especificações que são da Lei do Planejamento Familiar, de 1996,  e o principal deles é ter, no mínimo, 25 anos ou 2 filhos. E aí a lei coloca que precisa da autorização do parceiro. Isso também é bastante controverso, mas a lei diz que sim.

Na questão do DIU,  existe um termo de consentimento em que a mulher é informada de como é o procedimento e que pode haver falhas. Como todos os demais métodos contraceptivos, é um método muito eficaz, mas também tem falha. Para por o DIU, ela não necessita de autorização do parceiro, não tem idade mínima nem máxima e não há nada previsto quanto ao número mínimo de filhos: uma nulípara pode colocar o DIU, sim.

Tirando dúvidas adicionais: ida à ginecologista, como usar camisinha e falha nos métodos contraceptivos

Tanto a Dra Albertina quanto a docente Ana Luiza responderam a outras perguntas que não eram exatamente sobre a pílula ou o DIU. Elas falaram sobre a ida à ginecologista pela primeira vez, sobre laqueadura e sobre a taxa de falha de métodos contraceptivos.

Pergunta: Tenho menos de 18 anos. Posso ir sozinha a uma consulta ginecológica?

Dra Albertina: Pode. Existe uma legislação que permite que a adolescente possa ir. E que o sigilo só vai ser rompido se houver risco de morte e, mesmo assim, avisado à adolescente.

Pergunta: Posso fazer laqueadura mesmo sem ter filhos?

Dra Albertina: Essa é uma grande discussão. Em alguns casos, quando há problemas de saúde, problemas de doenças, ainda assim é uma grande discussão. A mulher tem o direito de planejar o seu número de filhos, de ter os filhos que quiser, ou de não ter nenhum. Então, essa é uma discussão que precisa ser cada vez mais feita. Por enquanto, é muito difícil que uma mulher sem estar doente, só por decisão de não querer ter filhos, possa fazer uma laqueadura.

Pergunta: Posso engravidar usando métodos contraceptivos?

Ana Luiza: Não existe nenhum método contraceptivo que seja 100% eficaz. Sempre tem uma taxa de falha. As menores taxas de falha estão justamente no DIU, no implante subdérmico e nos métodos permanentes (vasectomia para os homens e laqueadura para as mulheres).

Pergunta: Quando usar a camisinha feminina, devo usar a masculina também?

Ana Luiza: Não. Não deve usar, de forma alguma. Nem pode nem deve, porque o látex (da camisinha masculina) não suporta o poliuretano, que é o material que é usado na camisinha feminina. Então, nessa fricção pode haver a ruptura da borracha da camisinha.Não pode, não deve e nemé necessário: se for bem usado, basta um deles.

Você já se fez alguma dessas perguntas? Algumas das mulheres que você conhece têm esses ou outros questionamentos sobre qualquer tema relacionado aos direitos sexuais e reprodutivos da mulher e a relação com o próprio corpo? Lembre-se sempre: esse espaço para esclarecer dúvidas é seu. Você não está sozinha. Compartilhe. #Ela Decide

 

Lugar de mãe também pode ser no mercado de trabalho

É direito da mulher grávida decidir sobre sua carreira e trabalhar em um ambiente saudável para ela e o bebê

Você descobre que está grávida e, além das preocupações normais da chegada de um bebê, vem outra dúvida comum: como ficará o meu emprego quando eu anunciar a gravidez? Apesar do mercado de trabalho estar cada vez mais feminino, ainda é comum o medo de ser demitida ou perder promoções na carreira pelo fato de ser mãe.

Mesmo os direitos trabalhistas da gestante estando assegurados pela CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), não são raras as empresas que desrespeitam a legislação. É garantido à mulher que ela trabalhe em condições saudáveis, tenha flexibilidade para ir a consultas e exames médicos, além de cumprir corretamente o período de licença-maternidade.

Conhecer os seus direitos como mulher e mãe é o primeiro passo para fugir de relações de trabalho abusivas que possam prejudicar a sua qualidade de vida e do bebê. Além disso, ter um pré-natal tranquilo é fundamental para uma gravidez saudável e, consequentemente, para o bem-estar da mãe e da criança após o parto. São seus direitos:

  • Faltar ao trabalho para ir a consultas e exames: por lei, você pode se ausentar do trabalho por seis vezes para realizar exames de rotina, sem precisar de justificativa. Além disso, tem liberdade para ir a consultas médicas quantas vezes forem necessárias, principalmente nos casos de gestação de risco. Mesmo que ultrapasse a quantidade de faltas previstas, ninguém pode te impedir de ir ao médico. Basta avisar à empresa e apresentar um atestado.
  • Pedir para mudar de função ou setor: se a atividade que você desempenha for considerada insalubre (isto é, oferecer riscos a sua saúde ou a do bebê), é seu direito pedir para mudar de cargo ou setor a qualquer momento. Isso é importante para casos de gestantes e lactantes que trabalham em ambientes com ruído excessivo, poeira, radiação, vibração, entre outros.
  • Licença-maternidade: todas as mulheres brasileiras que contribuem para o INSS têm direito à licença, sendo o afastamento de pelo menos 120 dias nas empresas privadas e 180 dias nos órgãos públicos federais. O auxílio também é garantido às mães adotivas e mulheres que sofrem abortos espontâneos ou dão à luz a bebês natimortos. Nos casos em que a gravidez gera risco à vida, a licença pode ser prorrogada por mais 15 dias com atestado médico.
  • Férias: o fato de estar grávida e entrar em licença-maternidade não acaba com o seu direito de tirar os dias de férias que lhe são devidos. Se por um acaso você der à luz enquanto estiver usufruindo esses dias, por exemplo, automaticamente suas férias são suspensas para que você entre em licença-maternidade. Após a licença, você volta a utilizar os dias de férias restantes.
  • Estabilidade no emprego: nenhuma mulher grávida pode ser demitida, sem justa causa, desde a data em que ficou grávida até cinco meses após o parto. Mesmo que você descubra a gestação depois de ser desligada da empresa, se comprovar que a fecundação aconteceu enquanto ainda era funcionária, você tem o direito de ser admitida novamente. O mesmo acontece nos casos de aviso prévio, pois apesar de ter sido demitida, a funcionária ainda não foi desligada oficialmente da empresa.
  • Intervalos para amamentação: após voltar de licença-maternidade, a lactante tem o direito de amamentar seu bebê durante o trabalho. Se você tem uma jornada de trabalho de oito horas, por exemplo, pode dedicar até dois períodos de 30 minutos todo dia para a amamentação. É importante lembrar que é um direito seu amamentar o bebê sem passar por constrangimentos, dentro do trabalho ou fora dele. Essa medida vai além das leis trabalhistas e pode gerar multas de até R$ 1 mil em alguns estados brasileiros, como Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina e Mato Grosso.

Como ficam meus direitos como mãe e gestante na Reforma Trabalhista?

A Reforma Trabalhista, aprovada em 2017, introduziu novas regras que afetam as mulheres gestantes e as que acabaram de ter filhos. Muitas dessas regras ainda podem ser questionadas judicialmente, mas salientamos aqui o que mudou na legislação.

Apesar de nada mudar em relação às regras da licença-maternidade, uma das principais preocupações com a nova legislação é com o afastamento por insalubridade. Se antes, em qualquer condição de trabalho que representasse risco para a gestante e o bebê, a mulher já teria direito de pedir transferência, com a reforma trabalhista o afastamento da função só acontece em casos de insalubridade máxima, com um atestado médico em mãos.

Além disso, as funcionárias devem avisar à empresa sobre a gravidez em até 30 dias, o que antes não era necessário. O período para amamentação também deverá ser negociado com o empregador, o que já acontecia de forma informal.

Se você está sendo afetada negativamente por essas novas regras, talvez deva considerar uma consulta à Defensoria Pública para examinar possibilidades judiciais de lidar com essa situação.

Por outro lado, o trabalho em casa, que não era previsto pela CLT, será permitido com a reforma trabalhista. O que pode ser uma alternativa para as trabalhadoras mães, que estão sujeitas a jornadas duplas de trabalho – no emprego e em casa.

Lugar de mulher é no mercado de trabalho, se ela quiser

Os direitos trabalhistas são garantidos a todas as mulheres em emprego formal, qualquer que seja a sua função e mesmo que ainda esteja em período de experiência. Esteja ciente de seus direitos e procure a área de Recursos Humanos da empresa para tirar todas as dúvidas sobre como ela procede com os casos de gravidez. Se os seus direitos estiverem sido desrespeitados, procure um advogado, uma advogada ou a Defensoria Pública.

Há casos de profissionais que foram demitidas na licença-maternidade, por exemplo, e não processaram a empresa para se manterem no mercado. Caso se sinta desrespeitada ou perceba abusos por parte do empregador, não tenha medo. Procure orientação no Ministério Público do Trabalho da sua cidade. As denúncias podem ser anônimas e também realizadas pela internet ou telefone.

Lembre-se que você não está sozinha e quanto menos casos como esses existirem, mais os seus direitos e de todas as mulheres serão respeitados. #Eladecide

Diálogo e informação, base para um desenvolvimento sexual saudável

Falar com filhos e filhas sobre sexo e sexualidade não estimula o sexo prematuro. Pelo contrário: a educação sexual ajuda no desenvolvimento sexual saudável de adolescentes

Ela se apresenta de maneira diferente para meninos e meninas, mas, para a maioria dos pais e mães, a chegada da puberdade vem igualmente cercada de algumas dúvidas e uma certa insegurança. Será que devo puxar uma conversa a respeito de sexo com minha filha ou espero que ela me pergunte alguma coisa? Se eu começar a falar sobre sexo com meu filho, estou estimulando uma prática sexual precoce? Essas e outras dúvidas refletem a apreensão e a dificuldade de muitos pais em lidar com o assunto.

Seja por meio da internet, televisão ou entre amigos e amigas, o fato é que adolescentes têm cada vez mais acesso a conteúdos sobre sexualidade e sexo e, independentemente da vontade da família, irão procurar informações que satisfaçam as próprias dúvidas e curiosidades. Portanto, o ideal é que mães e pais sejam a primeira fonte confiável a quem filhos e filhas recorram. Para isso, é necessário que estejam preparados para responder perguntas e tratem o tema com naturalidade.

A tarefa não é fácil. Dialogar com adolescentes exige habilidade e paciência, afinal, nesta fase da vida, eles e elas se fecham e deixam de compartilhar com os pais e as mães as experiências do dia a dia. Já não falam espontaneamente sobre o que aconteceu na escola ou quem são os novos amigos e amigas, por exemplo. Por isso, é muito importante que mães e pais busquem, desde a primeira infância, estabelecer uma relação de confiança com seus filhos, inclusive sobre a questão da sexualidade.

É claro que não existe um momento exato para familiarizar a criança com o assunto da sexualidade, cada um tem seu tempo. Mas sabe quando a criança de 3 ou 4 anos pergunta de onde ela veio, como um bebê é feito ou porque o corpo dela é diferente do corpo de um adulto? Eis aí uma oportunidade para acostumar a criança ao tema, sem que ela sinta que esteja falando de algo errado, sujo ou feio. Usar os nomes próprios dos órgãos genitais é um importante começo, pois do mesmo modo que é ensinado que o nome da cabeça é cabeça e que o do braço é braço, também pode-se ensinar o que é pênis ou vagina. Não é uma sugestão para que se introduza no universo da criança mais do que ela possa compreender; é uma maneira de habituar os filhos aos termos adequados, o que pode facilitar o diálogo a respeito de sexo quando for chegada a hora.

Por mais que alguns pais queiram retardar o momento de falar sobre sexo, é essencial transmitir aos jovens informações relativas a proteção, cuidado, higiene e intimidade. Explicar que o sexo é um ato humano e comum, que só deverá acontecer quando se sentirem preparados e preparadas, com a pessoa em quem confiem, de maneira segura e se prevenindo desde a primeira transa. Esclarecer que o corpo pertence a elas e a eles, e, portanto, suas vontades devem ser respeitadas e deve-se respeitar as vontades do parceiro ou parceira.

E tão importante quanto falar de sexo, é explicar sobre métodos contraceptivos, preservativos e relacionamentos abusivos. É se colocar como porto seguro para os filhos contarem se alguém cometeu algum tipo de violência contra eles. Sem uma comunicação honesta e respeitosa com seus filhos e filhas, eles não se sentirão seguros em falar com vocês quando estiverem passando por uma situação de abuso e violência. É por meio da informação que se pode colaborar para que adolescentes fiquem menos vulneráveis às gravidezes não planejadas, infecções sexualmente transmissíveis e violências sexuais, por exemplo.

Conversar sobre sexo e sexualidade não leva meninos e meninas à prática sexual. Uma vez que sintam que chegou o momento da primeira relação, elas e eles vão fazê-la, independente da vontade do pai ou da mãe. Deste modo, se estiverem bem informados e orientados, iniciarão a vida sexual de maneira saudável.

Dialogue com seus filhos e filhas. Vá além das suas próprias experiências.  Leia. Informe-se.

Você não está sozinha.

Empoderamento, feminismo e sororidade: elementos fundamentais da integração feminina

No universo das mulheres, conceitos novos e aqueles já conhecidos são a base de uma conectividade capaz de fortalecer e redefinir, sem julgamentos ou pré-conceitos, as relações femininas interpessoais.

 

Ela já teve o status de modinha, coisa passageira e até sinônimo de “mimimi”, mas a verdade é que sua significância vai muito além do próprio significado. A palavra empoderamento é nova, foi incorporada ao nosso vocabulário, está nos dicionários e traz com ela não apenas a ideia de “dar poder a uma minoria”. Carrega o desejo de mudança, de redução da vulnerabilidade, a força de quem acredita nas próprias habilidades, e, sobretudo, carrega a determinação para alcançar um desenvolvimento humano que prime pela equidade e alcance a capacidade de exercitar plenamente os direitos individuais.

Quando levada ao universo feminino, o termo ganha ainda mais poder, pois a luta das mulheres por representatividade, igualdade e liberdade não é algo novo. Historicamente, a participação feminina no clamor por mudanças e equiparação nasceu de um viés trabalhista em meados dos anos 1900, mas que ao longo das conquistas foram se estendendo para os demais segmentos, como político, social e familiar. E com o passar do tempo, ganhou muito mais representatividade.

Atualmente, muitas mulheres e grupos feministas têm feito uso do espaço social (físico e virtual) para abordar, debater, informar, esclarecer temas como discriminações de gênero, liberdade sexual, alertar e denunciar sobre violências e abusos psicológicos, físicos e sexuais, que atingem mulheres de todas as idades e classes sociais.

É diante de um contexto complexo e desfavorável para as mulheres que se destaca a importância da sociedade refletir e discutir feminismo, empoderamento e sororidade.

Nem sempre a relação entre estes três aspectos é bem compreendida. Há quem acredite que se trata de vitimismo feminino, não reconhece – existem ainda aqueles que fazem questão de não reconhecer – as disparidades entre direitos, privilégios e notoriedade dos universos masculino e feminino. Pois bem, afirma-se, sem medo de errar, que os três vieses caminham juntos em busca de uma sociedade mais inclusiva e igualitária.

O feminismo não tem a intenção de se colocar em supremacia em detrimento do homem, as suas causas e lutas buscam promover o acesso às mesmas oportunidades sociais, políticas e profissionais, sem que para isso seja preciso a mulher vivenciar algum tipo de opressão.

Agora, para falar sobre sororidade, antes de mais nada é preciso entender o significado e o valor que esta palavra, ainda estranha e desconhecida para muitas pessoas, possui. Sororidade vem de “soror”, que significa “irmã” em Latim. A ideia está ligada ao apoio, acolhimento, companheirismo, empatia e união entre as mulheres.

O que esperar de mulheres que praticam a sororidade?

Empoderamento feminino e sororidade se completam. Ou melhor, eles coexistem, não há como desvincular um do outro, pois uma mulher que luta por direitos iguais também acolhe, apoia e dá forças àquela em situação de opressão, medo, abuso e discriminação.

Quem pratica a sororidade não vê outra mulher como inimiga. Não se trata aqui de ser a melhor amiga de toda e qualquer mulher, mas de transpor um conceito de que mulheres estão sempre disputando o mesmo espaço, de que precisa ser melhor e superar a outra.

A sororidade e o empoderamento feminino têm um caráter transformador. Por meio deles, onde há a troca de experiências e uma mulher se vê na outra, é possível desenvolver mais rapidamente a capacidade de dizer não a situações abusivas, denunciar comportamentos indesejados, reconhecer relacionamentos tóxicos e destrutivos, além de se permitir conhecer o próprio corpo sem vergonha ou sentimento de culpa, conquistar o autoconhecimento, a liberdade e o poder de decisão sobre si mesma.

Outra (boa e importante) consequência da sororidade é poder servir como uma ponte para que mais mulheres possam ter acesso a informações sobre vida sexual saudável; tenham também a oportunidade e o entendimento do que é um planejamento reprodutivo, para decidirem se querem ou não vivenciar a maternidade, e se quiserem, escolher qual o momento ideal para que isso aconteça; conhecer e optar por métodos contraceptivos que forem mais convenientes, de acordo com o ritmo e estilo de vida que levam.

Ainda há muito juízo de valor, ideias e preconceitos a serem desenraizados da sociedade e da própria opinião feminina. A prática da sororidade pode contribuir para que isso aconteça.

Você não está sozinha. Juntas somos mais fortes! #ElaDecide