Empoderamento e direitos sexuais pautam atividade de Congresso de Ginecologia e Obstetrícia em São Paulo

(UNFPA Brasil/Débora Klempous)

Na última sexta (24), a campanha Ela Decide foi apresentada durante o XXIII Congresso Paulista de Ginecologia e Obstetrícia, realizado pela Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo (SOGESP). O evento contou com profissionais da saúde, médicos e médicas, e adolescentes de várias regiões do estado. Ao todo, cerca de 150 pessoas tiveram a oportunidade de ampliar o entendimento sobre os desafios específicos das e dos jovens no campo da saúde sexual e dos direitos reprodutivos. Continuar lendo “Empoderamento e direitos sexuais pautam atividade de Congresso de Ginecologia e Obstetrícia em São Paulo”

UNFPA apresenta a campanha Ela Decide para ginecologistas e obstetras no Rio Grande do Norte

Com o tema “Saúde da mulher em foco”, a 31ª Jornada de Ginecologia e Obstetrícia do Rio Grande do Norte acontece nos dias 9 e 10 de agosto (Foto: UNFPA Brasil/Solange Souza)

O Fundo de População das Nações Unidas participa da 31ª Jornada de Ginecologia e Obstetrícia do Rio Grande do Norte, que acontece entre os dias 9 e 10 de agosto. Com o tema “Saúde da mulher em foco”, o evento reúne profissionais da área de saúde, especialmente médicos e médicas ginecologistas e obstetras.

Na ocasião, Anna Cunha, oficial de programa do UNFPA Brasil, apresenta a campanha Ela Decide. No ar desde abril, a ação visa promover o empoderamento e os direitos de mulheres e jovens para fazer valer suas decisões sobre sua sexualidade e reprodução.

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Você sabe o que é assédio e como identificá-lo?

As estatísticas de assédio sexual no Brasil só crescem; conhecer os tipos de assédio contra a mulher é fundamental para saber agir. 

Pode parecer um elogio ou simples paquera, mas os assobios, olhares invasivos e comentários com teor sexual que te deixam desconfortável se tratam de assédio. Esse comportamento, quando não consentido pela mulher, pode ser considerado ofensivo, além de um problema grave.

Não há um padrão ou momento específico para o assédio contra a mulher acontecer. Qualquer investida que você considere desrespeitosa e seja feita sem a sua permissão, seja no trabalho, na escola, faculdade, na rua ou em casa é inaceitável e configura uma violência. Lembre-se que se a atitude de outra pessoa fere a sua liberdade de escolha, a culpa disso nunca será sua.

Precisar de vagões femininos nos transportes públicos, mudar de calçada ou de trajeto no dia a dia e deixar de sair sozinha à noite não deveria ser algo normal. Essas são medidas emergenciais de proteção. Assédio sexual é crime!

Como sei o que é assédio?

Todas as abordagens que vão além do limite permitido por você e causam desconforto, vergonha ou intimidação são tipos de assédio. O que diferencia essa prática de uma relação de intimidade é o seu consentimento. Qualquer que seja o ambiente, fique sempre atenta a comportamentos como:

  • Conversas ou piadas obscenas a seu respeito e que você ache inapropriadas;
  • Se alguém que não tem intimidade lhe envia e-mails, mensagens, ou faz ligações com teor sexual;
  • Assovios, sons inapropriados, insultos ou gestos intimidadores direcionados a você;
  • Pedidos de favores sexuais em troca de benefícios;
  • Ser avaliada apenas pelos atributos físicos ou ouvir comentários desrespeitosos sobre como se veste;
  • Convites constantes para saídas, mesmo que você afirme que não tem interesse;
  • Olhares ofensivos ou constrangedores;
  • Violação da sua intimidade e vida sexual;
  • Perseguições tanto presenciais quanto no ambiente virtual;
  • Exposição ou reprodução de imagens íntimas suas sem a sua permissão;
  • Toques não permitidos por você, e que te deixem desconfortável.

O assédio não acontece apenas quando há a violência física. Perseguir uma pessoa, coagir e induzi-la a fazer o que não deseja é uma forma de violência psicológica, também caracterizada como comportamento ofensivo.

Saiba reconhecer uma relação sexualmente abusiva

Um exemplo clássico de assédio é quando uma mulher é levada a oferecer favores sexuais em troca de cargos e promoção no trabalho ou aumento de notas na escola ou faculdade. Essa coerção pode acontecer com mais insistência ou de forma rápida, por meio de toques ou violação e abuso sexual.

A internet está aí para nos mostrar alguns exemplos: a onda de denúncias de atrizes e profissionais de Hollywood expondo os assédios provocados por seus patrões e colegas de trabalho; os vídeos que viralizaram de torcedores brasileiros constrangendo mulheres durante a Copa do Mundo na Rússia; o movimento de mulheres jornalistas pedindo o basta do assédio que sofrem no trabalho; entre outros casos que ganharam visibilidade nas redes sociais.

Há também aquele assédio que ninguém vê e acontece dentro da própria casa. O assediador muitas vezes é alguém da própria família. É importante lembrar que ‘não é não’, mesmo para o marido ou companheiro, e atitudes abusivas ou forçadas contra a sua vontade devem ser pontuadas e reprimidas.

O que fazer quando as relações passam dos limites?

É importante considerar que casos de assédio, inclusive aqueles considerados mais leves, podem representar o início de atitudes mais graves, como  perseguição e agressão. Comportamentos abusivos nunca são normais e devem ser tratados como inaceitáveis. Em primeiro lugar, considere compartilhar o que está acontecendo com outras pessoas pois elas podem servir como uma rede de apoio para evitar novos episódios de assédio ou para evitar que ele ganhe maiores proporções.

Qualquer mulher assediada sexualmente pode registrar boletim de ocorrência em uma delegacia de polícia, preferencialmente na Delegacia da Mulher. Em casos de assédio no trabalho, escola ou faculdade, reúna as evidências e procure um superior imediato. Caso prefira, vá diretamente à área de Recursos Humanos ou à Coordenação da instituição de ensino. A maioria das empresas possui também o canal de Ouvidoria (ou Ombudsman) que recebe e trata denúncias de assédio e abuso de poder.

Qualquer que seja o caso de assédio, sexual ou psicológico, não se cale! Agir é o melhor caminho para a prevenção. #Eladecide

Ser mulher nos dias de hoje é…

Essa é a hora de pensar o papel da mulher na sociedade e mais uma vez conquistar os espaços que queremos ocupar

Para você, o que é ser mulher nos dias de hoje? Talvez não seja tão simples responder assim, de imediato, mas fica mais fácil se você refletir sobre seus principais desafios, lutas e conquistas diárias.

Durante anos se tentou definir o que seria um comportamento esperado de uma mulher: ser o sexo frágil, maternal, sensível? E se antes a mulher tida como moderna era aquela que dominava os eletrodomésticos como ninguém, hoje ainda há quem a aponte como a profissional antenada, que dá conta das tarefas domésticas, educa bem os filhos e está sempre disposta, bonita e com um sorriso no rosto. Afinal de contas, o que mudou?

Você está hoje onde gostaria?

Nem sempre o lugar destinado a uma mulher é o espaço que ela deseja ocupar. Conquistar um território, ainda mais se for predominantemente masculino, exige que esse espaço seja construído por ela.

Por exemplo, existe praticamente um senso comum de que mulheres não entendem de política, futebol ou tecnologia.

Mas esse é um quadro que é possível mudar a partir do momento que a mulher conhece seus direitos. A Copa do Mundo na Rússia está aí para mostrar isso: as protagonistas foram as jornalistas que não se calaram perante o assédio sexual e fizeram história na imprensa esportiva. Algumas emissoras escalaram mulheres para narrar e comentar os jogos de futebol no mundial.

Muito se fala em igualdade feminina no mercado de trabalho, por exemplo, mas isso só se torna realidade quando existem iniciativas para reduzir as desigualdades entre homens e mulheres. Hoje, grande parte das empresas brasileiras ainda ignora esse tema, sem perceber que adotar políticas internas de diversidade – sejam elas de gênero, raça ou qualquer outra – são fundamentais para empresas que queiram se manter atuais.

Para começar, é importante assegurar que as diretrizes voltadas para o empoderamento das mulheres passem de fato a integrar a cultura institucional da empresa. E algumas formas de fazer isso acontecer são por meio do:

  • Compromisso real da liderança da empresa com programas de diversidade de gênero, com o estímulo também à liderança feminina;
  • Entendimento da raiz do problema, isto é, assumir que a desigualdade entre homens e mulheres existe na empresa e trabalhar nisso, o que inclui programas de planejamento de carreira e também ações de prevenção ao assédio no ambiente de trabalho;
  • Estabelecimento de uma cadeia produtiva socialmente responsável, que implemente ou apoie financeiramente programas de inclusão e promoção dos direitos das mulheres nas empresas. Por exemplo, incentivar a atuação externa de mulheres em outros estados e países;
  • Equilíbrio entre trabalho e vida pessoal das colaboradoras mulheres. Hoje, por exemplo, o número de homens que têm mais de um filho e estão em cargos de liderança é maior do que o de mulheres com apenas um filho que ocupam cargos executivos. Muitas profissionais se tornam mães justamente no momento em que estão definindo suas carreiras e é aí que as empresas resolvem deixá-las para trás.

A diversidade de gênero só acontece na prática se existirem iniciativas transparentes e focadas em resultados. Esse compromisso deve existir por uma razão ética e pelo reconhecimento de que as mulheres merecem oportunidades iguais.

Cada mulher responderá de forma diferente, de acordo com suas lutas diárias, histórias e vivências sobre o que é ser mulher. O que é importante saber é que lugar de mulher é onde ela quiser, inclusive se ela decidir ficar em casa e ser mãe em tempo integral. Nenhuma profissão ou atividade é exclusiva de um gênero, e o papel que uma mulher representa na sociedade é definido por ela durante o seu desenvolvimento pessoal e profissional. Reflita sobre o seu espaço, e não esqueça: você não está sozinha. #Eladecide

 

Síndrome do Ovário Policístico: o que é, como identificar e tratar

Sobrepeso, acne, excesso de pelos, atraso ou falta de ovulação, infertilidade. Essas são algumas das características que podem indicar a SOP – Síndrome de Ovários Policísticos. No entanto, esses sintomas não significam obrigatoriamente que a mulher esteja com a síndrome. Aqui, você vai saber mais sobre ela e sobre como tratá-la.

Falar sobre direitos sexuais e direitos reprodutivos é falar, antes de tudo, sobre conhecer o próprio corpo e empoderar-se dele. Isso porque, quando você entende como funciona cada parte é mais fácil entender reações, como se relacionar melhor consigo e cuidar melhor de si mesma.

Quando se fala sobre Aparelho Reprodutor Feminino é imprescindível ter conhecimento das doenças, infecções e síndromes que podem acometê-lo. A Síndrome de Ovários Policísticos (SOP), por exemplo, atinge uma parcela importante das mulheres.

Confira, a seguir, mais informações sobre a SOP, a diferença entre ter a síndrome e ter ovários policísticos e como proteger o seu aparelho reprodutor.

Os ovários e seu funcionamento

Os ovários são glândulas onde são produzidos os óvulos. As mulheres já nascem com todos os óvulos que vão ser liberados ao longo da vida, mas eles só são liberados depois de amadurecidos. Antes de serem liberados, ficam dentro de folículos.  

Para ocorrer a liberação dos óvulos, alguns hormônios entram em ação. Isso vai fazer com que o óvulo maduro seja liberado, percorra a tuba uterina e, em caso de relação sexual no período fértil, pode haver a sua fecundação – e a gravidez.

Qual a diferença entre ovários policísticos e a Síndrome dos Ovários Policísticos?

Os cistos no ovários ocorrem quando óvulos liberados não amadureceram de forma correta, pois sofreram a influência excessiva de andrógenos (hormônios masculinos, mas que as mulheres também têm).

Resultado: os óvulos ficam enrijecidos e viram cistos. Quando vários deles instalam-se no órgão, ele se torna um ovário policístico. Mas ter um ovário policístico é diferente de ter a Síndrome dos Ovários Policísticos.

A SOP é caracterizada por pelo menos 2 desses 3 fatores:

  • Disfunção na ovulação: a ovulação fica diminuída ou a mulher não ovula
  • Aumento do nível de hormônios masculinos
  • Aparência policística nos ovários (visível mediante ultrassonografia)

Em alguns casos, pode ser que a mulher não apresente cistos nos ovários, mas esteja com a Síndrome. O cuidado deve ser redobrado.

Por que a Síndrome do Ovário Policístico ocorre?

As primeiras manifestações da Síndrome podem ocorrer na adolescência, cerca de 2 anos depois da menarca (primeira menstruação). As causas da SOP ainda estão em discussão, mas alguns estudos e pesquisas apontam que a origem pode ser genética e que haja uma ligação com resistência à insulina, hormônio responsável pelo controle de açúcar no sangue. O excesso de glicose influencia a produção dos hormônios masculinos, resultando na Síndrome.

E se eu tiver SOP? Quais as consequências?

Mulheres com a Síndrome têm dificuldade para engravidar (pela diminuição da ovulação), podem apresentar excesso de pelos no corpo (características masculinas), acne e sobrepeso . Se você tiver essas características não significa necessariamente que tem SOP – vale a pena consultar um(a) médico(a).

Portanto, se você planeja ter filhos, deve redobrar o cuidado para diagnosticar o quanto antes, pois a SOP pode prejudicar esse planejamento. Em alguns casos, a obesidade também pode estar relacionada à Síndrome.

Para acompanhar o que acontece com o seu aparelho reprodutivo, é essencial que você visite um ou um(a) médico(a) com regularidade. Ele ou ela é o profissional mais indicado para diagnosticar se existe algo fora do normal com sua produção de hormônios  e com seus ovários.

Essas visitas devem ser preventivas e rotineiras (constantes), para evitar a SOP, e também com foco em tratamento, caso seja identificado algum problema. Isso porque o diagnóstico precoce da Síndrome de Ovários Policísticos pode ajudar na redução de riscos de infertilidade no futuro.

Conheça seu corpo e como ele funciona. Converse com seu médico sobre isso e previna-se. A campanha Ela Decide é um ambiente de trocas. Converse com outras mulheres também. Lembre-se: você não está sozinha. #ElaDecide.

Leia mais sobre Aparelho Reprodutor e saúde feminina.

 

Intolerâncias de um universo desigual

Machismo, sexismo e misoginia, é preciso entender para poder mudar.

A fama do Brasil é de ser um país que tem um povo hospitaleiro e cordial, tolerante às diferenças de cor, religião, nacionalidade, gênero, orientação sexual, idade e ideologia. Mas será que somos mesmo tolerantes?

Basta assistirmos aos noticiários ou observamos ao redor para constatarmos que, de fato, o nosso país não está livre de preconceitos. E é no ambiente virtual que muitas pessoas aproveitam para apoiar, referendar e dar voz às opiniões de xenofobia, racismo, homofobia, sexismo, misoginia e machismo, dentre muitas outras carregadas de intolerância e não aceitação das outras pessoas.

Se por um lado o debate público envolve as questões dos direitos e conquistas das mulheres, por outro há uma cultura que reforça os estereótipos do comportamento masculino, tendo o homem como dominante, um ser viril e provedor.

Embora os termos sexismo, misoginia e machismo, sobretudo este último, tenham ganhado grande popularidade, eles ainda geram algumas confusões sobre seus conceitos e significados. Por isso,  precisamos explicar cada um deles e suas influências sociais.

O que é sexismo?

Sexismo é a discriminação e objetificação de cunho sexual baseadas no sexo/gênero/orientação sexual. Na maioria das vezes, as ações sexistas são contra mulheres, homossexuais e transgêneros, o que não significa que as mulheres, homossexuais e transgêneros não ajam também de maneira sexista, em alguns casos.

Além disso, o sexismo está presente nas definições de comportamentos padrões por gênero. Por exemplo, quando se pensa em piloto de avião, a imagem associada é de um homem, e imaginar uma mulher exercendo a mesma função causa estranhamento. Isto é uma ação sexista, mesmo que inconsciente, seja ela vinda de um homem ou de uma mulher. Se buscarmos a perspectiva oposta, podemos tentar imaginar com naturalidade homens à frente de uma empresa de cosméticos. Toda essa conceituação estereotipada é sexista, e em maior ou menor gravidade se eternizam no (in)consciente coletivo da sociedade.

Quando se trata do sexismo no ambiente virtual, vemos maiores proporções. Em 2013, Kate Middleton deu à luz o primeiro filho, George, e, ao sair da maternidade, a Duquesa de Cambridge usou uma roupa que não escondia a barriga pós-parto. Nas redes sociais, recebeu uma enxurrada de críticas e comentários negativos a respeito do “descuido”.

Esperavam de Kate um ideal de perfeição inexistente no mundo real.

O que é misoginia?

Essa palavra tem tido popularidade, principalmente nas redes sociais, mas o que ela quer dizer?

Misoginia é aversão, repulsa, antipatia às mulheres e tudo aquilo tido como feminino.

Dito isso, vamos esclarecer um fato: misoginia não está diretamente relacionada à orientação sexual. Um homem misógino não é necessariamente gay, afinal o homem gay apenas não tem desejo, não se atrai por mulheres.

O comportamento do misógino é voltado para a inferiorização, depreciação, ridicularização e humilhação das mulheres, assim como aos sentimentos e características que a elas possam ser remetidos (sensibilidade, compreensão, etc). Vejamos: se uma mulher age de maneira ilícita e desvia dinheiro da empresa na qual trabalha, o misógino a xingará de vagabunda, vadia, cachorra e entre outros adjetivos que atingem apenas as mulheres. Ele não a chamará de ladra, falsa ou desonesta. Para ele, o que a desqualifica, antes de mais nada, é a condição de mulher.

Lembra, quando em 2013 o apresentador Danilo Gentili fez uma “piada” sobre Michelle Maximino, a mulher que doou mais de 300 litros de leite materno em Pernambuco? Em uma única frase ele ridicularizou a mãe, a amamentação e a doação de leite – atributos específicos das mulheres. O que o humorista considerou engraçado não passou de uma atitude completamente misógina e pouco solidária (depois do episódio, Michele passou a ser chamada de vaca em sua cidade). O que se viu ali foi o reforço de um preconceito e uma significação pejorativa de um gesto feminino e, sobretudo, humano.

E o machismo?

Literalmente, o machismo é a qualidade, o comportamento natural de macho (homem). Em sentido mais amplo, contextualizando o termo aos dias de hoje, o machismo é a ideologia da supremacia masculina, na qual se baseiam os pensamentos, as atitudes, os valores e costumes daqueles que acreditam ser superiores às mulheres e ao que elas representam.

Crescemos em um sistema patriarcal que privilegia o masculino e não valoriza o feminino. Por isso, não é de se estranhar que grande parte dos homens (e mulheres também) não aceite e/ou entenda os malefícios gerados pela cultura machista.

Muitos casos de violência, assédio morals e sexual, situações vexatórias e constrangedoras começam a partir da legitimidade social de um comportamento machista. No ambiente de trabalho, por exemplo, são inúmeros os relatos de mulheres que já vivenciaram “brincadeiras” constrangedoras de cunho sexual feitas por chefes e colegas com os quais não possuíam intimidade para tanto. No episódio recente do grupo de brasileiros que assediou a mulher russa, quantas pessoas não viram o fato apenas como uma diversão e consideraram a repercussão exagerada?

Essas pequenas atitudes machistas no dia-a-dia – como as piadas, as aproximações inadequadas etc – criam um caldo de cultura permissivo que favorece outras ações machistas de maior gravidade, como o assédio sexual, o estupro e outras formas de violência contra a mulher.

Agente transformador

O debate sobre sexismo, misoginia e machismo é necessário, não é modinha. Ele é fundamental para que se alcance a igualdade de gêneros e desconstrução de estereótipos. Homens e mulheres tendem a ganhar profissionalmente, pessoalmente e emocionalmente.

Ações educativas podem ajudar os homens a aceitarem e respeitarem a presença feminina, assim como ajudar mulheres a ter o controle total sobre as próprias decisões, sobre aquilo que consideram melhor para elas, seja qual for o aspecto da vida.

Vamos fazer a mudança acontecer. Você não está sozinha! #ElaDecide

As doenças que afetam as mulheres e como preveni-las

Quando se fala de saúde feminina, a lista de doenças que acometem as mulheres não é curta. Por falta de informação ou baixa frequência a(o) médica(o), elas são acometidas por enfermidades que podem ser facilmente prevenidas. Veja como evitar.

Desde a primeira vez que você foi ao ou à ginecologista, quantas doenças conheceu, quantos alterações no seu corpo conseguiu identificar e quantos problemas conseguiu solucionar pelo simples conhecimento do seu corpo e prevenção?

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), doenças ligadas à saúde reprodutiva e à maternidade encabeçam a lista de enfermidades que acometem mulheres no mundo. Enquanto câncer de mama e do colo do útero, além de ISTs, são motivo de alarme, é fundamental termos em mente que a prevenção é a chave para evitar que o corpo adoeça e, caso isso ocorra, que quadros mais graves não se instalem.

A campanha Ela Decide Seu Presente e Seu Futuro é uma iniciativa para que mulheres conheçam mais sobre seu corpo e também passem a reconhecer nele mudanças  e reações que possam indicar o seu adoecimento. Vamos conhecer alguns inimigos do organismo da mulher.

ISTs

As Infecções Sexualmente Transmissíveis são motivo de adoecimento de muitas mulheres no Brasil, por falta de prevenção. A simples utilização da camisinha masculina ou feminina evita as chamadas “doenças do sexo”, como Sífilis, Gonorreia, HPV, Câncer do Colo de Útero, HIV/AIDS entre outras.

Em nosso país, a vida sexual começa, em média, entre os 13 e os 17 anos. Portanto, meninas e jovens mulheres devem se manter informadas tanto sobre seus corpos quanto sobre formas de protegê-lo. Ir regularmente ao(à) ginecologista – você pode optar por um(a) médico(a) de outra especialidade – é primordial , não só para receber informações sobre métodos contraceptivos e maneiras de evitar ISTs, como também para realizar exames preventivos.

Saiba mais sobre como proteger seu aparelho reprodutor das ISTs

Câncer

Segundo o INCA (Instituto Nacional do Câncer) e o Ministério da Saúde, o câncer é o maior fator de mortalidade para pessoas entre 15 e 29 anos, retirando mortes por causas externas. Ainda segundo o relato, o carcinoma é o tipo mais encontrado de câncer, aparecendo na mama e no colo do útero.

Câncer do Colo do Útero – o câncer do colo do útero geralmente está ligado diretamente ao HPV, um vírus que pode ser evitado com o uso de camisinha  e de vacina disponível no SUS. O HPV pode, inclusive, gerar outras complicações além do câncer no colo do útero.

O exame Papanicolau ou Preventivo deve ser feito periodicamente por mulheres sexualmente ativas. Caso a mulher ainda não tenha iniciado a vida sexual, um exame preventivo adequado pode ser feito. O Papanicolau é feito clinicamente por médicos e até mesmo por enfermeiros(as) e a amostra é analisada em laboratório. Se feito regularmente, ajuda a prevenir o câncer do colo do útero e a diagnosticar outras possíveis complicações no órgão. Caso você já tenha iniciado sua vida sexual e nunca tenha feito um procedimento do tipo, procure uma unidade de saúde ou seu seu médico e peça o exame.

Câncer de Mama – o câncer de mama é o segundo tipo de câncer mais comum entre as mulheres no Brasil. Em 2015, a estimativa era registrar cerca de 57.120 novos casos. A forma de prevenir esse tipo de câncer é examinando-se com cuidado: com o exame de toque, que você mesma pode fazer, o exame clínico com médico, e por meio da mamografia.

É fundamental conhecer o próprio corpo e evitar preconceitos – como, por exemplo, o de que meninas não devem se vacinar contra HPV, por serem jovens demais (meninas a partir de 9 anos já podem ser vacinadas).

Saiba mais sobre o aparelho reprodutor feminino e como cuidar do seu.

Outros cânceres –  menos falados, porém não menos perigosos, o câncer dos ovários e o câncer do endométrio também são doenças que acometem o aparelho reprodutor feminino.  Eles possuem diagnósticos específicos, feitos por um ou uma ginecologista.

Doenças ligadas à saúde reprodutiva e à maternidade

Por fatores exclusivos do organismo feminino, como menstruação menopausa, gravidez, assim como órgãos e glândulas,como ovários, útero e mamas desenvolvidas, as mulheres podem desenvolver doenças específicas, que homens não desenvolvem – ou apresentam em menor escala.

Depressão pós-parto – segundo a OMS, os casos de depressão pós-parto em países de baixa renda chegam a quase 20% da população de grávidas. Assim, cuidados como acompanhamento psicológico da futura mãe no pré-parto e pós-parto são muito importantes.

Diabetes durante a maternidade – uma dieta especial pode prevenir essa doença que acomete tanto diabéticas quanto grávidas que nunca tiveram o problema. A mulher pode desenvolver a diabetes durante a gravidez e, depois, continuar ou não com a enfermidade.

Hipertensão durante a maternidade – a pré-eclampsia, como é conhecida, pode ocorrer tanto em grávidas hipertensas quanto em gestantes que apresentam pressão normal antes da gravidez.  A hipertensão resultar na diminuição de oxigenação do feto, mas o problema pode ser facilmente diagnosticado no pré-natal. Esta e várias outras condições que podem ser identificadas no pré-natal são fundamentais pois, se não são adequadamente tratadas, há riscos bastante graves para a saúde e até para a vida da gestante.

Informação é a melhor forma de prevenção

O pleno desenvolvimento das jovens e mulheres se dá quando elas têm acesso à informação e acesso à saúde integral. A detecção precoce de um problema aumenta muito as chances de tratamento e cura.

Lembre-se sempre que você não está sozinha e que problemas relacionados à saúde da mulher podem ser prevenidos e tratados.

Conhecer o seu corpo, tirar todas as dúvidas com seu médico ou com um(a) enfermeiro(a) e cuidar da sua saúde  antes, durante e depois da relação sexual é um direito seu. #ElaDecide

Gerando vida, construindo parcerias e famílias

Uma gravidez pode transformar a vida da mulher e de quem estiver ao seu lado. Se o homem assumir o seu papel de pai, pode ser criada uma parceria estreita e enriquecedora para todos.

A gestação é um momento único na vida de grande parte das mulheres. As mudanças emocionais e físicas são marcantes, e variam conforme a fase da gravidez. Neste período, sentimentos de ansiedade, medo, insegurança e tristeza competem com alegria, felicidade e amor. A mulher vive em uma “gangorra emocional” e o apoio e a compreensão do(a) companheiro(a), familiares e amigos(as) são fundamentais para a gestação evoluir de maneira saudável, tanto para o bebê quanto para a mãe. E, em relação à saúde física, os cuidados devem ser acompanhados pelo ou pela obstetra no decorrer das consultas do pré-natal.

É durante o pré-natal que as dúvidas das mães, e dos pais, sobre alterações hormonais, transformações do corpo materno, crescimento e desenvolvimento do bebê são esclarecidas. Esta fase também é fundamental para diagnosticar doenças congênitas ou malformações.

O envolvimento do homem durante o pré-natal reflete uma conscientização da importância de acompanhar e dar suporte à mulher neste período, além de estabelecer e/ou fortalecer a relação entre pai e filho.

De acordo com o Guia do Pré-Natal do Parceiro para Profissionais de Saúde do Ministério da Saúde, lançado em 2016, “historicamente, tanto o planejamento reprodutivo quanto as ações em saúde voltadas ao momento da gestação, parto e puerpério (pós-parto) foram pensadas e direcionadas às mulheres e às gestantes”, o que acabava por não incentivar a participação do homem durante o período gestacional da mulher. Neste contexto, a responsabilidade sobre a saúde e desenvolvimento do bebê já recaía de forma unilateral sobre a mãe, estendendo-se também à criação e educação das crianças.

Hoje, na busca por diminuir essa desigualdade, incentiva-se que o pai seja presente e participativo desde o planejamento reprodutivo, uma vez que isso pode levar a uma paternidade mais interativa e cuidadora.

Em que consiste o pré-natal do parceiro?

Quando a mulher pretende engravidar, ou assim que confirma a gravidez, ela começa a realizar o pré-natal, que é a rotina de consultas e exames para as gestantes e futuras gestantes. Da mesma maneira, o Ministério da Saúde tem implementado o pré-natal do parceiro, que busca estimular a presença do pai nas consultas do pré-natal, bem como solicita ao homem a realização alguns exames já feitos pelas mulheres normalmente, como sorologia para hepatite B e C, HIV e sífilis, além de exames de sangue para detectar presença ou não de diabetes, verificar níveis de colesterol e medição da pressão arterial.

É importante ter a noção de que gravidez não é exclusividade do universo feminino. Homens e mulheres podem mudar este paradigma, envolvendo e qualificando os homens na prevenção de transmissão de doenças durante a gestação, na atenção e cuidados com a saúde da mulher durante a  gravidez, no pós-parto, e na dedicação e responsabilidades para com o recém-nascido (o que só tende a aumentar os laços familiares).

Vale destacar ainda, que, segundo o Guia, o Ministério da Saúde também tem o propósito de fazer do pré-natal do parceiro “uma das principais ‘portas de entrada’ aos serviços ofertados pela Atenção Básica em saúde a esta população, ao enfatizar ações orientadas à prevenção, à promoção, ao autocuidado e à adoção de estilos de vida mais saudáveis. ”

Trabalho de parto e pós-parto

O momento do parto é um dos momentos mais críticos na vida das mulheres que decidem ser mães. Independentemente do tipo de parto que será realizado, cesárea ou vaginal, o momento é delicado e oferece alguns riscos. Contudo, desde 2005, vigora no Brasil a Lei do Acompanhante. Por meio desta lei é garantida à parturiente a presença de alguém conhecido e de confiança para acompanhar o parto, bem como o pós-parto imediato (período por até 10 dias).

Tanto os hospitais da rede pública quanto os da rede privada devem permitir que a gestante escolha uma pessoa, parente ou não, homem ou mulher, para ser acompanhante.  A presença de uma pessoa conhecida e de confiança da gestante estimula que os pais possam estar cada vez mais envolvidos.

Você não está sozinha. Estimule seu parceiro a vivenciar a gestação compartilhada e a paternidade participativa. Faz bem para você, para ele, para o bebê. Faz bem para a família. #ElaDecide