Tocar e conhecer o próprio corpo

Tocar e conhecer o próprio corpo ainda está no paredão dos tabus. Infelizmente a sensação de culpa e julgamento insistem em perseguir o prazer das mulheres, ainda o machismo constrói a ideia de que nós nos tocarmos  é um problema. Por isso, e outras tretas, que é muito importante se conhecer e compreender que esse corpitcho só tem uma dona: você mesma. 

“Temos tido a oportunidade de falar sobre masturbação, as redes sociais têm abordado e existe uma onda feminista que defende muito o empoderamento feminino, o conhecimento do próprio corpo e a sexualidade, mas as mulheres ainda trazem bloqueios com relação ao próprio corpo”, nos conta Dra. Carolina Ambrogini, ginecologista especializada em sexualidade feminina. 

Dra. Giani Cezimbra, ginecologista especialista em saúde sexual e reprodutiva

O privilégios da liberdade sexual dos homens ainda é muito grande e desrespeita o espaço das garotas, sobretudo o território de seus corpos. A Dra. Giani Cezimbra, também ginecologista especialista em saúde sexual e reprodutiva nos conta que “tanto a masturbação feminina, quanto a descoberta do funcionamento do próprio corpo, a capacidade em obter prazer e orgasmo sem a presença de outra pessoa são rodeadas de muitos preconceitos culturais e religiosos”, afirma.

“Masturbação ainda é um tema abordado com muitos pudores”, diz a ginecologista Giani Cezimbra. Ela afirma que “é importante que [as mulheres] conheçam seus corpos e possam vivenciar sua sexualidade de uma forma plena e satisfatória”. 

Não tem jeito: só cuida de si quem se conhece e convenhamos que autoconhecimento é tudo.  Estimular o corpo, sentir prazer e toda essa autonomia é fundamental e possui uma série de benefícios, de acordo com a ginecologista Carolina Ambrogini: 

  • Reduz estresse e ansiedade;
  • Melhora o sono;
  • Pode diminuir cólicas;
  • Aumenta o desempenho sexual;
  • Ajuda a atingir o orgasmo mais facilmente;
  • Queima calorias;
Dra. Carolina Ambrogini, ginecologista especializada em sexualidade feminina

Mas para isso tudo ser concebido, é essencial se sentir tranquila e à vontade para se tocar. De nada vale se tocar e não sentir prazer. Autoconfiança e coragem tornam-se importantes para realizar esse carinho consigo. Porém, a formulação de fantasias sexuais é fundante. “Se você não pensa em algo erótico, que estímulo você terá para se tocar?”, questiona Carolina Ambrogini. Estamos falando sobre cuidar do físico e da mente. 

Algumas perguntinhas orientadas pela Dra. Carolina Ambrogini para montar seu repertório sexual, tão importantes quanto se tocar:

O que eu gosto sexualmente na cama? 

Quais são minhas fantasias?

Como me sinto excitada? Como é essa busca?

Como meu corpo responde aos meus estímulos?

Como anda minha autoestima?

Converse, tire duvidas, puxe este assunto com suas amigas. É natural, é íntimo e libertador. É sobre você e seu corpo. É sobre se agradar, se sentir amada. Prazer também é isso, para senti-lo com outra pessoa é muito importante essa individualidade. 

E vale mencionar que apesar da indústria pornô muitas vezes ser a principal fonte de “educação sexual” das pessoas e estar relacionada a masturbação, lembre-se que esse mercado muitas vezes reforça estereótipos da mulher a serviço do sexismo… e não é sobre isso que estamos falando, beleza? Fique atenta.

“Mulher empoderada e autoconfiante não aceita violências e imposições sociais baseadas em crenças negativas e nocivas. Sua decisão é baseada no que ela acredita que seja melhor para ela mesma”, conta a ginecologista Giani Cezimbra. Se toquem, pratiquem amor próprio. Prazer é fundamental e também está em suas mãos.

Perigo em casa: violência contra mulheres pode crescer durante pandemia da Covid-19

Nossas casas deveriam ser os lugares mais seguro neste período de isolamento social contra a Covid-19, não é mesmo? Mas não é o que acontece quando a violência também pode estar confinada no mesmo lugar em que a gente mora. O crescimento das denúncias de violência doméstica contra meninas e mulheres no Brasil durante a pandemia preocupa e mais uma vez chama atenção para cuidarmos desse assunto com mais seriedade e atenção.

O Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH) informou que aumentou em 9% no número de ligações para a Central de Atendimento à Mulher em Situação de Violência, o Ligue 180. “A média diária entre os dias 1 e 16 de março foi de 3.045 ligações recebidas e 829 denúncias registradas, contra 3.303 ligações recebidas e 978 denúncias registradas entre 17 e 25 em março”, afirmou a ouvidoria do MMFDH. Isso significa mais agressões e resulta em maior risco de feminicídios.

O desgaste na convivência, muitas vezes somado pelo estresse, junto com toda estrutura do machismo, influencia no aumento da violência, afirma Bruna Pereira, doutora em sociologia e especialista em gênero e raça. “Como as relações de gênero são desiguais, há uma tendência de agressão de homens contra as mulheres, mas nenhuma situação de violência pode ser legitimada por isso”, afirma a especialista. 

Natália Maria, antropóloga, pesquisadora e ativista em temas de saúde, direitos, bioética e acessibilidade explica que em uma sociedade com grandes exclusão sociais, as casas são marcadas por várias faltas sociais profundas. “Na lógica de confinamento, sabendo que muitas pessoas não entram nela, infelizmente teremos lares que são marcados pela desigualdade e violência de gênero”. 

CENÁRIO PERIGOSO

Os impactos infelizes da violência sobre a saúde física, sexual, reprodutiva e mental das mulheres segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS):

  • Vítimas que sofrem abuso físico ou sexual têm duas vezes mais chances de fazer um aborto, e a experiência quase dobra sua probabilidade de cair em depressão;
  • Em algumas regiões, elas têm 1,5 vez mais chances de adquirir HIV, e existem evidências de que mulheres agredidas sexualmente têm 2,3 vezes mais chances de ter distúrbios com álcool;
  • Mais de 87 mil mulheres foram intencionalmente assassinadas em 2017 e mais da metade foi morta por parceiros íntimos e familiares;  

“Se antes as mulheres podiam sair e ir pra casa da vizinha quando a tensão aumentava, agora elas estão obrigadas a ficar em casa e isso tende a gerar maior desgaste”, diz a socióloga Bruna. 

O isolamento é utilizado por agressores como uma maneira de controle psicológico, para ampliar e manter o poder deles sobre elas, explica Bruna. Com o menor contato da vítima com seus amigos e familiares, reduz as possibilidades dessa mulher a se defender, sair de uma situação de violência, criar uma rede de apoio e buscar ajuda.

Denunciar. Este é o primeiro passo sobre qualquer suspeita ou confirmação de violência, tanto as mulheres vítimas quanto testemunhas possuem essa opção, ok? É importante meter a colher sim em qualquer situação que vida e dignidade das mulheres correm perigo.

Conversando com Bruna, que estuda sobre violência doméstica, ela orientou algumas medidas a serem tomadas e também temos algumas guias:

  • Quando a violência estiver acontecendo, é fundamental acionar a polícia no número 190; Agir no momento de conflito pode salvar a vida de uma mulher, mas cuidado também para não se expor, as denúncias podem ser anônimas;
  • Quando a mulher tem acesso ao telefone, com espaço para usar o telefone longe do agressor, existe a possibilidade de ligar para o 180, que fornece orientações e encaminha a situação para a polícia, mas essa não é uma ação imediata. 
  • Procurar de preferência as delegacias de atendimento especial às mulheres para atendimento especializado. A nomenclatura pode mudar de estado para estados, porém todas recebem estas denúncias.
  • Em alguns Estados a Defensoria Pública disponibilizou números de Whatsapp a disposição para pedir medidas protetivas ou ações relacionadas;
  • Alguns estados possuem a patrulha da Lei Maria da Penha funcionando. No Rio de Janeiro, por exemplo, está vigente o regime de plantão judiciário. 
  • Existem também os aplicativos e sites de combate a violência de gênero. Não servem para fazer direto uma denúncia, mas informam, criam redes de proteção para agir. 
  • O app PenhaS que dá informações sobre delegacias, permite que as mulheres conversem de maneira anônima com pessoas que poderão ajudá-las. E também possui uma função de gravar sons para criar provas, além de uma função de pânico para acionar contatos de confiança para urgências.
  • Outro app é o Mete a colher, que fornece apoio psicológico e jurídico para vítimas. 
  • Mulheres que vivem em comunidades podem criar códigos de aviso na vizinhança entre mulheres e homens ou lideranças locais para denunciar e constranger agressões; 
  • O coletivo Todas Fridas desenvolveram com a SaferNet o projeto Todas Acolhem, que ajuda a reconhecer, denunciar, apoiar as vítimas e buscar ajuda.
  • Recentemente o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos também anunciou o app Direitos Humanos Brasil para denúncias diretas contra violências.  

“Todos os tipos de violência precisam ser comunicados, explicados para as mulheres e homens”, orienta a sociologa Bruna. E ela insiste: é fundamental uma ação de educação nesse sentido e também de investimento em equipamentos públicos de apoio às mulheres. 

Fontes: https://nacoesunidas.org/chefe-da-onu-alerta-para-aumento-da-violencia-domestica-em-meio-a-pandemia-do-coronavirus/

https://www.paho.org/bra/index.php?option=com_content&view=article&id=5669:folha-informativa-violencia-contra-as-mulheres&Itemid=820

Sensualizar na internet

Uma vez na internet, as imagens saem do seu controle. “Não existe nada 100% seguro em termos de tecnologia

Em tempos de pandemia, enquanto não podemos sair para encontrar o crush ou a crush, trocar uns nudes ou fazer umas vídeos chamadas mais sensuais às vezes pode rolar, né, minha filha? O nome dessa prática de compartilhar conteúdos sexuais com outra pessoas pela internet se chama sexting. Mas, é preciso informação e muito cuidado. Não faça nada por pressão, para estar na moda ou porque o ou a crush estão insistindo. 

Um nudezinho aqui e outro ali está cada vez mais comum por conta da difusão de tecnologias de comunicação e também tem se tornando um comportamento social. “Muitas pessoas usam nudes como forma de estabelecer contato com possíveis parceiros afetivo ou sexuais, e a linguagem da internet é uma linguagem audiovisual. As pessoas só estão se adaptando a esses formatos”, conta  Nealla Machado, pesquisadora sobre sexting e violência contra as mulheres. 

Os smartphones possibilitam essa nova maneira de expressar a sexualidade. O “nude selfie” e práticas relacionadas fazem parte dessa nova cultura. Para muitas pessoas essa prática vira até prova de cumplicidade e intimidade com o parceiro ou parceira. Entretanto, é fundamental realizar boas escolhas para evitar arrependimentos e situações de perigo quando pessoas mal intencionadas se aproveitam dessas imagens. Tenha muito cuidado!

Em uma sociedade marcada por desigualdades, muitas mulheres ficam prejudicadas nessa história toda, ameaçadas e até extorquidas, aí o sexting vira um problema. Isto é o que acredita Cybelle Oliveira, uma das organizadoras da Cryptorave, um dos maiores eventos de criptografia, segurança e hacking que existe.  

“Não existe nada 100% seguro em termos de tecnologia, existem alguns programas e aplicativos que podem minimizar os riscos da divulgação de nudes sem consentimento na internet” diz Cybelle,  “100% seguro é simplesmente não mandar”, afirma. 

Ameaças e divulgação de fotos íntimas pela internet sem autorização é crime  e é um transtorno complexo a ser enfrentado. Antes de enviar qualquer coisa, precisamos refletir sobre nossas ações e sempre avaliar bem nossos comportamentos na rede para não passarmos por situações ruins envolvendo esse tipo de exposição. 

“Naquele momento você tem confiança na pessoa, mas e depois? Será que a outra pessoa tem maturidade e respeito suficiente para realizar essa troca tão íntima com você?”, questiona Cybelle. 

O risco da produção desse tipo de conteúdo é que uma vez na internet, essas imagens saem de controle, é o que afirma a pesquisadora sobre o assunto, Nealla Machado. “Elas podem se espalhar em grupos de redes sociais, sites pornográficos, e-mails, fóruns, podem parar em absolutamente todo o lugar. E uma vez na internet, para sempre na internet”, conta Nealla.

Nealla explica que por conta da nossa sociedade machista e misógina, as mulheres não podem e nem conseguem expressar sua sexualidade sem sofrerem sérias represálias. “O vazamento das nudes é um meio de violência contra as mulheres, pois as que sofrem com essas agressões tem que mudar totalmente de vida, deixam de estudar, trabalhar, às vezes trocam de cidade, estado, país”, diz. 

Para as jovens, a pesquisadora conta que tudo fica mais difícil, pois muitas vezes elas não têm condições financeiras, físicas e psicológicas de passar por esse tipo de agressão na internet. Existem até casos de  suicídio por conta da depressão e da vergonha, revela Nealla. “Por isso a necessidade de conscientização de jovens e adultos sobre os usos da internet e segurança na rede, como também as questões de gênero”, acredita. 

Atenção!

Nealla explica que muitos especialistas aconselham não registrar esse tipo de conteúdo, mas se for fazer algumas precauções e orientações:

  • Não tirar fotos do rosto ou de marcas que podem te identificar, como tatuagens;
  • Evitar também ambientes que possam identificar você no mesmo local por outras fotos;
  • Deixar as imagens guardadas em pastas com senha ou criptografadas no celular;
  • Cuidado com os links estranhos;
  • Quando enviar nudes ou vídeos íntimos, utilizar aplicativos que deletam a foto depois de alguns segundos e que avisam se foi registrado print da tela;
  • E somente enviar para pessoas de confiança. 

O que fazer e como ajudar mulheres vítimas ou ameaçadas de exposição?

O principal é não sentir vergonha, está acontecendo um crime, existe uma vítima e a sexualidade é parte completamente natural da vida humana. Mas vamos às orientações da especialista:

  • Primeira coisa é não julgar as mulheres e não repassar as nudes que recebemos, isso é um exercício de solidariedade;
  • Para as vítimas, a primeira coisa é conseguir registrar provas materiais de que está sendo ameaçada ou sofrendo extorsão, então tirar prints de conversas e várias telas, e imprimir esses prints;
  • Se ocorrem ameaças por meio de ligações ou outras formas, gravar e registrar essas formas;
  • Depois, ir até a delegacia de crimes digitais mais próxima e fazer o boletim de ocorrência, para que se iniciem as investigações. Caso não exista uma delegacia específica em sua cidade, as delegacias tradicionais podem investigar. 
  • Sites e redes sociais são obrigados a tirar esse tipo de conteúdo, então denunciar o conteúdo o quanto antes e se possível pedir para outras pessoas fazerem o mesmo. 
  • A Safernet tem um canal de comunicação com mais dicas e lugares de denúncia também: https://new.safernet.org.br/.  

 

Campanha Ela Decide chega a cidades do Distrito Federal

Liderada pelo Fundo de População das Nações Unidas, a ação está em Taguatinga, Ceilândia e Recanto das Emas

Chamando atenção do público para a importância do empoderamento de jovens mulheres para que tomem decisões informadas sobre a vida sexual e reprodutiva, a Campanha Ela Decide chega ao SESC Ceilândia e Taguatinga e ao Instituto Federal de Brasília no Recanto das Emas. A ação é liderada pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e pela Aliança pela Saúde e pelos Direitos Sexuais e Reprodutivos no Brasil.

Totens em tamanho natural com as fotos das atrizes Bella Piero e Juliana Alves; e das youtubers Gabi Oliveira, do canal DePretas e Julia Tolezano, a Jout-Jout, foram instalados em pontos estratégicos do Serviço Social do Comércio (SESC) em Taguatinga Sul, Taguatinga Norte e Ceilândia e no Instituto Federal de Brasília (IFB) na unidade do Recanto das Emas. As influenciadoras aderiram voluntariamente à campanha para que a mensagem sobre os direitos sexuais e reprodutivos possa chegar ao maior número de pessoas, especialmente jovens mulheres.  

Tanto no Sesc de Taguatinga Sul/Norte, o público pode interagir com os totens e publicar as fotos nas mídias sociais com a hashtag #ElaDecide marcando também o UNFPA Brasil (@unfpabrasil) e as influenciadoras (@bella.piero, @joutjout, @julianaalvesiam, @gabidepretas) e o perfil da Campanha Ela Decide nas mídias sociais (@eladecide).

 A campanha Ela Decide tem por objetivo discutir sobre o poder de escolher quantos filhos ter, se quer ou não ter filhos e o melhor método de prevenção que cada mulher ou jovem pode optar. Além disso, traz à luz questões sobre igualdade de gênero, assédio sexual, como aceitar o próprio corpo e cuidados com a saúde. 

Em janeiro deste ano, seis totens da campanha também estiveram no Taguatinga Shopping e a novidade é que nos próximos dias, a campanha também chegará ao IFB, na unidade da cidade de São Sebastião, no Distrito Federal. 

Campanha Ela Decide chega a Taguatinga, no Distrito Federal

Liderada pelo Fundo de População das Nações Unidas, a ação ficará até o final de janeiro no Taguatinga Shopping 

Chamando atenção do público para a importância do empoderamento de jovens mulheres para que tomem decisões informadas sobre a vida sexual e reprodutiva, a Campanha Ela Decide chega a Taguatinga. A ação é liderada pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e pela Aliança pela Saúde e pelos Direitos Sexuais e Reprodutivos no Brasil.

Seis totens em tamanho natural com as fotos das atrizes Bella Piero e Juliana Alves; e das youtubers Gabi Oliveira, do canal DePretas e Julia Tolezano, a Jout-Jout, serão instalados nos corredores do shopping. As influenciadoras aderiram voluntariamente à campanha para que a mensagem sobre os direitos sexuais e reprodutivos possa chegar ao maior número de pessoas, especialmente jovens mulheres. 

A instalação acontece no Taguatinga Shopping a partir desta sexta-feira (17) e fica exposta até dia 31 de janeiro. O público vai poder interagir com os totens e publicar as fotos nas mídias sociais com a hashtag #ElaDecide marcando também o UNFPA Brasil (@unfpabrasil) e as influenciadoras (@bella.piero, @joutjout, @julianaalvesiam, @gabidepretas) e o perfil da Campanha Ela Decide nas mídias sociais (@eladecide).

A campanha Ela Decide tem por objetivo discutir sobre o poder de escolher quantos filhos ter, se quer ou não ter filhos e o melhor método de prevenção que cada mulher ou jovem pode optar. Além disso, traz à luz questões sobre igualdade de gênero, assédio sexual, como aceitar o próprio corpo, cuidar da saúde. A campanha é uma das iniciativas da  Aliança pela Saúde e pelos Direitos Sexuais e Reprodutivos no Brasil, uma rede de empresas e organizações filantrópicas que busca fortalecer o tema no país, além das embaixadas do Canadá e do Reino dos Países Baixos. 

O Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) é a agência de desenvolvimento internacional da ONU que trata de questões populacionais. O UNFPA trabalha por um mundo onde todas as gestações sejam desejadas, todos os partos sejam seguros e cada jovem alcance seu potencial. Também colabora com governos e parceiros para promover o acesso universal a serviços integrados de saúde sexual e reprodutiva de qualidade. 

 

Endereço

Taguatinga Shopping. QS 1 – Taguatinga, Brasília – DF

 

Informações para imprensa 

Thais Rodrigues imprensa.brasil@unfpa.org (61) 3038-9246

Rachel Quintiliano imprensa.brasil@unfpa.org (61) 3038-9261

Aplicativo Clue adere à Aliança pela Saúde e pelos Direitos Sexuais e Reprodutivos no Brasil

Empresa de acompanhamento do ciclo menstrual e fértil se une ao Fundo de População da ONU na defesa dos direitos e das escolhas. 

 

O aplicativo de monitoramento menstrual Clue é um dos mais novos membros e signatários da Aliança pela Saúde e pelos Direitos Sexuais e Reprodutivos no Brasil. O aplicativo para celular, além de trazer previsões sobre menstruação, TPM e janela de fertilidade, também mostra informações sobre o corpo feminino com conteúdo educativo. O Clue está disponível em espanhol, português e inglês. 

A adesão da empresa à Aliança é um gesto de apoio a agenda de direitos reprodutivos e sexuais no Brasil. Por meio de ações como campanhas, debates, disseminação de informação de qualidade e outras atividades pontuais ou continuadas o Clue trabalha para que meninas e mulheres alcancem seu pleno potencial e exercem seu direito de tomar decisões autônomas sobre sua sexualidade e vida reprodutiva . 

A CEO do Clue, Ida Tin

 

Em nota, Ita Tin, CEO do Clue, ressalta a importância do Clue ser um parceiro oficial do UNFPA Brasil. “O Brasil é um dos nossos maiores mercados e sabemos que milhões de pessoas no país usam nosso app e seguem, todo mês, nosso conteúdo educativo do helloclue.com/pt. Os compromissos firmados sob a aliança nos ajudarão a contar ainda mais histórias sobre saúde reprodutiva, menstrual e sexual desde uma perspectiva brasileira, o que se alinha com a missão geral do Clue de promover o empoderamento e a autonomia de mulheres e pessoas com ciclos”, diz.

A Aliança é uma iniciativa dos setores privado e setores filantrópicos, em parceria com o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e apoio das Embaixadas dos Países Baixos e do Canadá, para a promoção da saúde e garantia dos direitos sexuais e reprodutivos no Brasil. Lançada em 2018, a Aliança tem como mantenedoras o Instituto Ethos e as empresas MSD e Semina, além das signatárias Accor Hotels, Jontex, Magazine Luiza, Movimento Mulher 360, Pantys, Laboratório Sabin, SESC, The Body Shop e agora, Clue. 

Planejamento Familiar

Gabi Oliveira, youtuber do Canal De Pretas, conduz a roda de conversa com jovens mulheres, promovida pela campanha Ela Decide Seu Presente e Seu Futuro. O tema do papo é planejamento familiar: quando ter filhos? quantos filhos ter? será que todas nós temos acesso à informação e ao diálogo?

O desafio passa pelo parceiro ou parceira. “Seja saúde reprodutiva, seja saúde pensada de modo global, os homens têm muita dificuldade em lidar com a nossa imposição”, afirma Dani Balbi, doutora em Ciência da Literatura. Afinal, é a mulher que ainda vai arcar, numa sociedade como a nossa, com maiores responsabilidades e, em muitos casos, com renúncias como precisar abandonar estudos ou ficar temporariamente fora do mercado de trabalho. 

Roda de conversa sobre saúde sexual e empoderamento feminino da campanha Ela decide, mediada pela influenciadora Gabi Oliveira. Rio de Janeiro. Foto: Valda Nogueira/UNFPA

Dona Karol, do grupo Donas, lembra de uma amiga que está grávida do quarto filho. A maternidade aconteceu precocemente e a jovem mãe, de acordo com ela, não se sente acolhida pela própria família e segue sem acesso aos métodos contraceptivos disponíveis para auxiliá-la no planejamento. 

Poder conversar em casa e ter aulas sobre educação sexual nas escolas. O que parecem medidas simples, nem sempre acontecem na prática. A educadora infantil e doula Magna Domingues reflete sobre essas questões. “Envolve muita vergonha. Eu nunca cheguei para minha mãe e falei: ‘marca uma ginecologista para mim?’ Porque eu poderia ter marcado no posto (de saúde) por exemplo, mas nem passou pela minha cabeça”, completa Gabi Oliveira. 

A médica Marta Rolla lembra que é fundamental que a mulher possa escolher o método anticoncepcional que seja melhor e mais seguro para ela. Além disso, reforça a autonomia que todas precisam alcançar em suas relações. “Saber dizer não na relação: ‘eu não quero ter relação com você’”. Juntas podemos quebrar esses e outros tabus.

Dados do Ministério da Saúde apontam que cerca de 18% dos nascimentos no Brasil são de mães entre 10 e 19 anos. A cada dez crianças que nascem, duas são de mães adolescentes. O índice de gravidez na adolescência do país pode indicar uma dificuldade de acesso a métodos e informações para o planejamento da vida reprodutiva.

Casamento e maternidade

Uma situação que pode ter acontecido com a sua avó, com a sua mãe ou mesmo com você. Nem sempre a maternidade é um desejo da mulher, especialmente quando muito jovem. Algumas abraçam a ideia após se consolidarem em suas carreiras, mas nem todas conseguem se libertar de imposições dos maridos.

“Eu tinha 23 anos, quando casei. Tive filho logo que casei. Eu não queria ter filho, queria ter uma profissão bem sucedida e tal, mas era um desejo dele. Nessa situação, o meu entendimento na época era agradar a esse homem”, conta a poeta Letícia Brito na roda de conversa Ela Decide – Seu Presente e Seu Futuro, conduzida pela atriz Juliana Alves, que também é mãe.

Roda de conversa sobre saúde sexual, casamento e maternidade, mediada pela atriz e influenciadora da campanha Juliana Alves. Foto: Valda Nogueira/UNFPA

Para Anna Cunha, Oficial de Programa do UNFPA, a cobrança da sociedade sobrecarrega o feminino. Um peso que varia conforme o contexto de cada casamento e/ou construção da ideia de família. 

A produtora de conteúdo Adriana Melo lembra do abandono do pai, quando ela tinha apenas nove anos. Por que alguns homens ainda se sentem à vontade para separar-se de suas esposas e incluir os filhos num fim de relacionamento tão definitivo? Qual o reflexo dessa ação para a vida dessas crianças e jovens? 

A média de trabalho é de 7,5 horas a mais que os homens por semana. Em 2015, a jornada total média das mulheres era de 53,6 horas, enquanto a dos homens era de 46,1 horas. Os cuidados com o lar e filhos também se ampliaram. Em 1995, 23% dos domicílios no Brasil tinham mulheres como pessoas de referência. Vinte anos depois, esse número chegou a 40%. 

Essas famílias chefiadas por mulheres não são exclusivamente aquelas nas quais não há a presença masculina: em 34% delas, havia a presença de um cônjuge. Os dados são da pesquisa “Retrato das Desigualdades de Gênero e Raça”, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). 

Mesmo assim, quando o pai participa ativamente da criação dos filhos há quem estranhe o fato de ele estar em casa cuidando do bebê quando ela está em algum outro compromisso, seja ele profissional ou social. Vamos quebrar essas barreiras? Com informação, troca de experiências e atitudes podemos transformar essas realidades. Assista ao vídeo e conheça a campanha!

É conversando que a gente se respeita

“Quantas pessoas trans tem aqui?”. Agrippina Candido, artista, professora e travesti lança a pergunta para a roda de conversa,  conduzida pela atriz Juliana Alves e promovida pela campanha Ela Decide Seu Presente e Seu Futuro. O questionamento, na real, é para toda a sociedade que deve fazer reflexões que levem ao respeito à diversidade e às causas da população LGBTQI+.

Precisamos enfrentar os preconceitos em todas as esferas, sobretudo as básicas, como cuidados com a saúde das mulheres, de todas as mulheres. Essa é a letra dada pela poeta Letícia Brito. Profissionais da área devem investir em saberes que englobam ciência e ampliar conhecimentos sobre direitos humanos. Nenhuma mulher deveria ser atendida de maneira discriminatória. No consultório ginecológico, por exemplo, será que todas se sentem amparadas e atendidas em suas demandas?

“Até que pontos essas violências não interferem na nossa autoestima e no nosso poder de decisão?”, pergunta a atriz Juliana Alves. A resposta leva a vários lugares, a começar pelo ambiente doméstico. A cantora Dona Karol recorda de um episódio que envolveu sua mãe e muitas mulheres não conseguem romper o ciclo da violência. Elas devem ser apoiadas não julgadas. Há vários motivos pelos quais essas mulheres seguem com parceiros, como o sustento dos filhos e delas próprias.

O exercício do diálogo e da escuta é transformador. O entendimento dos nossos direitos e as possibilidades das nossas escolham passam pela informação. Ela é a chave para a transformação que queremos. Dona Lanor, também do grupo Donas, espera que esses debates sobre preconceito e violência cheguem às jovens mulheres, presencialmente ou via internet, em ambientes de maior vulnerabilidade, como as favelas, comunidades e periferias. Dê o play no vídeo, reúna as amigas, apoie todas as mulheres! Vamos juntas!

Em caso de violência, a quem devo recorrer?

Central de Atendimento à Mulher em Situação de Violência – Ligue 180 – Serviço de utilidade pública gratuito e confidencial (preserva o anonimato). O canal é oferecido pela Secretaria Nacional de Políticas desde 2005.

Delegacia da Mulher – Concentram-se principalmente em grandes cidades, mas vale a pena se informar se há unidades em seu município.

Centros de Referência e/ou Cidadania – Em muitos municípios há centros de referência que atendem mulheres em situação de violência. Algumas têm acolhimento especialmente desenvolvido para mulheres trans. Os nomes dos equipamentos podem variar de acordo com o localidade. Procure saber como é onde você mora.

 

Tirando de letra o cuidado com o corpo

O consultório ginecológico é um ambiente onde você se sente amparada e segura ou rola uma apreensão diante da dinâmica da consulta? Se a segunda opção está mais próxima do que você imagina ou do que já passou, se liga na troca de ideias que tivemos.

A ginecologista, obstetra e sexóloga Fátima Duarte acredita que é preciso entender o quanto cada corpo é único. Desde o tamanho de um seio em comparação ao outro, aos pêlos pelo corpo e até em relação ao ciclo menstrual: há um caminho que precisa passar por informação, por diálogo, pelo respeito aos direitos sexuais e reprodutivos. “Precisamos democratizar conhecimentos de maneira multidisciplinar. Isso deve envolver uma série de profissionais. Todas as pessoas precisam se abrir para essa construção, para enxergar a mulher como um todo”, diz a médica, que há sete anos está à frente do projeto Sábado Sem Barreiras, dedicado à saúde de mulheres com deficiência.

Nessa jornada de se conhecer e de fazer as próprias escolhas, a estudante de pedagogia Mileni Natalie conta como prefere ser atendida: “No meu caso, me sinto 100% confortável me consultando com uma médica mulher, não desmerecendo os médicos do gênero masculino, mas me sinto segura”. Outro ponto importante para ela é poder estabelecer um diálogo sobre sua própria sexualidade. “Sempre deixei claro que só me relacionava com mulheres. Acredito que as mulheres estão se sentindo mais confortáveis para falar da sua sexualidade.”

A obstetriz e ativista pela educação sexual Lucila Pougy realiza há dois anos a oficina sobre o tema Meu Corpo No Papel, voltada para jovens do ensino médio de escolas públicas de São Paulo, e concorda com Mileni. “Acho que é uma geração mais aberta, mais fluida, que se sente estimulada ao conhecimento e que interage bastante. Recentemente, dei uma atividade num grupo onde havia uma menina trans, que era curiosa, participativa e, principalmente super acolhida pelos colegas. O que sinto que ainda há muitas dúvidas, não apenas das jovens quanto das mulheres experientes. Por isso, é muito importante que a gente converse abertamente, reflita e pratique uma rotina de cuidados”, conta.

Desafios
“Acredito que é fundamental um olhar cuidadoso no atendimento clínico protetivo, seja ele de rotina ginecológica ou um pré-natal”, sugere Julieta Jacob, mestra em Direitos Humanos pela UFPE e autora do livro Tuca e Juba – Prevenção de Violência Sexual Para Adolescentes. Ela lembra que as diversas necessidades e particularidades das mulheres devem ser atendidas sem julgamentos.

Um ponto importante é visibilizar as pessoas trans que procuram ginecologistas tanto pela saúde quanto pela construção do universo simbólico em que estão inseridas. O profissional médico precisa saber como fazer perguntas de maneira que se estabeleça a confiança. “A abordagem heteronormativa e cisgênera é autoritária. Eu acho importantíssima a construção de uma ginecologia mais atenta, que olhe para pacientes como um todo”, acrescenta Fátima Duarte.

Tamo junta

Alyne Ewelyn Santos é bióloga, grafiteira e militante movimento LGBQTI

Há também uma série de ferramentas que podem ser acessadas para se chegar a um consultório médico sem tantas inseguranças: rodas de conversa, redes de apoio e aulas interdisciplinares sobre corpo e sexualidade. Alyne Ewelyn Santos é bióloga, grafiteira e militante movimento LGBQTI. Participa da Liga Brasileira de Lésbicas e Bissexuais, do grupo Bisibilidade e de coletivos negros no Rio de Janeiro. “Discutir os direitos sexuais e reprodutivos é essencial, especialmente para mulheres negras”, afirma.

Alyne ressalta que a combinação de um bom atendimento com informação e autonomia podem ajudar a mudar uma realidade no Brasil: a gravidez não intencional na adolescência. Ela pode ser evitada com a orientação de ginecologistas e de outros atores que fortalecem a rede de atendimento aos jovens.